
Tempo. Coisa que acaba de deixar você, querido leitor, um pouco mais velho ao chegar ao fim desta linha. (Mário Quintana)
Na língua portuguesa, o tempo é um elemento semântico – referente ao significado – utilizado para situarmos e ordenarmos aqueles eventos que queremos expressar.
Para além disso, o Tempo na nossa língua pode ser expresso de duas formas, através dos advérbios – a exemplo: “agora”, “ontem”, “pela manhã”; ou, sobretudo, pelos verbos.
“Desvendarmos” em que tempo se encontra um determinado verbo (ação, estado ou fenômeno da natureza) não é tão difícil na nossa língua, sendo ela desinencial, basta analisarmos a última sílaba com a qual a palavra termina e temos então a resposta.
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Exemplo: Amava (VA é a nossa desinência – aquela que marca o tempo no qual está conjugado o verbo AMAR).
Para mais, sabemos que esses tempos marcados pela língua se dividem, de forma básica, em três: passado, presente e futuro; seguidos de suas outras marcas temporais (elementos como continuidade, certeza, hipótese futura entre outros).
Uma curiosidade é que no contexto prático de uso da língua, na maior parte das vezes, o tempo que mais usamos é justamente o PASSADO; vivemos constantemente a contar histórias, fatos que ocorreram, momentos vividos, recortes da vida. Uma vez que, na rotina da existência o presente é passageiro e o futuro inconstante.
Enfim, dentro dessa reflexão sobre o tempo a partir da gramática da língua portuguesa, ressalto aqui uma confusão milenar envolvendo a escrita de um certo fonema. O fonema A (o som dessa letra) frequentemente confundido com seu par homônimo, o verbo HÁ.
Esses homônimos homófonos, palavras que emitem o mesmo som, mas são escritas de forma diferente, causam de fato grande confusão na hora de transcrevermos aquilo que queríamos falar. Além de serem culpados por vários outros desvios de ortografias na língua portuguesa – Camões que lute rs.
Em “há” com “H” e “A” sem “H” é a natureza do tempo se confundindo na escrita.
O passado marcado pelo verbo (há) e o futuro descrito na preposição (a) se misturam e geram dúvidas nos nativos.
Mas se há algo que não podemos confundir é o tempo da ação. Não podemos fazer do futuro aquilo que está no passado. E do que ainda vem, o que já se foi.
Tendência nossa!
Na vida e na gramática temos o hábito de misturar o tempo das coisas. É ão (futuro) que vira am (passado).
É passado amarrado no presente;
É hipótese que vira certeza.
É preciso conhecer a ortografia do Tempo, para não fazer dele um desencontro de nós mesmos. O que é de ontem, no amanhã não pode ficar.
E o que ao hoje pertence, no futuro não deve ser esquecido.
É no encontro dos tempos que o presente acontece.
— LEIA também de Alessandra Corrêa: O tempo de Deus.

Muito bom!
🙂
Explicando a ortografia através de uma linguagem incomparável! Amo! 😍