
Após publicação de reportagens sobre o JC, no final de semana, sobre nepotismo em Santarém (PA), vereador Alaércio Cardoso (PSD) comunicou ao portal na tarde esta segunda-feira (11) que pediu a exoneração de sua esposa, Maria Idaliana Campos Cardoso, do cargo de assessora especial I na Secretaria Municipal de Governo (Semg).
A exoneração, comunicada ao prefeito Zé Maria Tapajós (MDB), ainda segundo Alaércio, será oficializada ainda nesta semana.
O caso
Maria Idaliana Campos Cardoso estava lotada na Semg desde 1º de janeiro de 2025 — data exata de início da nova legislatura e da de Alaércio Cardoso como vereador. Ela ocupava cargo comissionado de assessora especial I, de livre nomeação, sem concurso público, com remuneração de R$ 5 mil mensais.
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Ela já ocupada o cargo na gestão do ex-prefeito Nélio Aguiar (União Brasil).
A simultaneidade entre a posse do vereador e a admissão de Idalina Cardoso, somada ao vínculo conjugal, enquadrava o caso, em tese, na vedação estabelecida pela Súmula Vinculante 13 do STF (Supremo Tribunal Federal), que proíbe a nomeação de cônjuge de agente público para cargos em comissão no mesmo ente federativo.
O anúncio de exoneração, feito pelo próprio parlamentar ao JC, indica que Alaércio Cardoso reconheceu a irregularidade.
O portal acompanhará a publicação do ato oficial de exoneração e atualizará esta matéria quando ele for publicado no Diário Oficial do Município.
Comparação inevitável
A postura de Alaércio Cardoso contrasta diretamente com a reação do vereador Enfº Joziel (PRD), retratado em matéria desta série. Após o JC revelar que sua esposa, Noeme Morais Batista, havia sido nomeada chefe do Núcleo de Políticas Públicas para Mulheres (NPPM) na Semtras no mesmo dia de sua posse, Joziel chamou o repórter Jeso Carneiro de “indivíduo covarde” — sem contestar nenhum dos fatos publicados e sem anunciar qualquer medida corretiva.
Neste domingo, Joziel escalou ainda mais sua insatisfação. Fez ameaças e agrediu verbalmente o jornalista.
Alaércio Cardoso escolheu o caminho oposto: comunicou a decisão de exonerar a esposa e se antecipou à possível judicialização do caso.
O episódio também evoca o precedente de 2021, quando o JC revelou nepotismo no governo do então prefeito Nélio Aguiar: após a denúncia e intervenção do Ministério Público do Pará, dois familiares do secretário municipal de Cultura foram exonerados.
Agora, no governo Zé Maria, a pressão da imprensa voltou a produzir resultado — ao menos em um dos casos documentados.
Demais casos seguem sem resposta
A exoneração anunciada por Alaércio Cardoso é um desfecho isolado até o momento. Os demais personagens identificados na série não se manifestaram sobre possíveis exonerações:
O secretário Pedro Henrique Sousa (PRD) não se pronunciou sobre a filha lotada no gabinete do vereador Joziel, o irmão assessor jurídico da Câmara ou a esposa na Semsa — arranjo que, somado ao seu próprio salário, totaliza R$ 32.254,28 mensais ao erário.
A vereadora Ivanira Figueira (PSD) não se manifestou sobre os dois filhos na Semg. O vereador Sérgio Pereira (PP) não se pronunciou sobre os três filhos em três secretarias diferentes, que somam R$ 12.500,00 mensais. O vereador Enfº Joziel (PRD) atacou o portal, mas não adotou nenhuma medida.
Série segue
A série de reportagens do JC sobre nepotismo em Santarém permanece em curso. Novos casos apurados pela redação serão publicados. Manifestações de todos os envolvidos serão publicadas na íntegra, sem edição.
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