por José Ronaldo Dias Campos (*)
Transitando pela avenida Mendonça Furtado, por trás do Colégio Dom Amando, local em que curti minha infância e adolescência, ao me aproximar da Praça Três Poderes, esquina com a rua Madre Imaculada, deparei-me com um terreno baldio, apenas murado, onde se situava, ao lado de uma frondosa seringueira, o saudoso Grupo Escolar Barão de Santarém, administrado pelo Estado.
Reconhecido pela humildade de suas instalações e pela inconteste competência do seu quadro docente, o “grupinho”, como era carinhosamente chamado, abrigava turmas até o 4º ano primário, funcionando nos períodos matutino e vespertino.
Impressionava o educandário pela qualidade de suas mestras, normalistas oriundas do Colégio Santa Clara, a começar pela professora, diretora e poetisa Maria da Glória Dias Campos, substituída em função de sua aposentadoria pela não menos dedicada mestra Maria Luiza Ayres de Mendonça, coadjuvadas pelas experientes professoras Terezinha Sussuarana, Zuíla Coelho, Ordoênia Cohen, Oneide Wanghon, Eneida Diniz, Lelé Gonçalves (perdão pela incompletude dos nomes), entre outras que me faltam à memória.
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A farda era de brim, tipo cáqui, com as iniciais EP bordadas no bolso para os homens, e saia azul plissada, com blusa branca para as mulheres, com as mesmas iniciais. A cantina era comandada pela servente Dora, que morava no próprio prédio, com sua família, auxiliada pela Estelita, que residia e ainda reside às proximidades do colégio, confronte a aludida praça, pela Mendonça.
Muita gente foi ali desemburrada, inclusive eu, que conclui meu curso primário nessa inesquecível fonte de saber, saindo de lá para os colégios Álvaro Adolfo da Silveira, Dom Amando, Paes de Carvalho (em Belém), até concluir o curso superior na capital, com posterior especialização e mestrado.
Do grupo hoje só restam fotografias apagadas no álbum da família, o contato esporádico com ex–alunos, como as irmãs Maysa e Lúcia Mendonça, apenas para exemplificar, além da imensa saudade daquela época.
Pena que o governo estadual não tenha preservado tão importante educandário, deixando o prédio abandonado, até ruir, soterrando parte da história de nossa gente.
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* Santareno, é advogado e professor universitário. Escreve regularmente neste blog.
Ruas como Marabá, Altamira e Tocantins deveriam ser substituidas prlos dessas abnegadas mestras do passado, como ato de reconhecimento póstumo.
Com a palavra os vereadores.
Concordo, JRonaldo. A iniciativa tem o apoio do blog.
Jeso;. os vereadores deveriam aproveitar a tua sugestão e editar lei regulamentando a instalação de torres de telefonia móvel na zona urbana, que proliferam em Santarém, com sérios riscos a todos nós.
É so copiar de outros municípios e adaptar, se não quiserem pensar.
Grande sugestão . JRonaldo.
Que maravilha, Ordoênia Cohen, Terezinha Sussuarana, foram grandes educadoras da nossa época. Muitas saudades!
Abrçs. Adailzo Cohen
Manaus/Am.
Essas q estão vivas deveriam receber condecorações do poder público.
Caro professor José Ronaldo, suas recordações nos remetem aos bons tempos da qualidade do ensino público, com mestres competentes, dedicados e verdadeiros formadores de opinião. É preciso resgatarmos os anos dourados da escola pública.
Lelé Gonçalves, ou Rosa Ellen, minha querida avó foi exemplo de pessoa é uma grande professora. Saudades!!!