por Tiberio Alloggio (*)
O 12 de abril de 1961, exatamente há 50 anos, o jovem cosmonauta russo Jurij Gagarin, a bordo da nave espacial Vostok, cumpriu sozinho o primeiro voo humano no espaço.
Retornou à Terra são e salvo, após um fantástico giro de 108 minutos entorno ao Planeta.
Uma inusitada aventura extraterrestre que surpreendeu o mundo. O primeiro homem no espaço. Dizia-se na época que aquele dia passaria à história como o início de uma nova era.
Efetivamente, tratou-se de um evento epocal. Uma façanha incrível, que nem o clima elétrico da “Guerra Fria”, protagonizadas por Estados Unidos e União Soviética, conseguiu ofuscar.
Aqueles eram os anos de maior tensão da “Guerra Fria”. Um período histórico onde no mundo predominou a disputa entre dois blocos economicamente e politicamente antagônicos.
Uma situação internacional tão “nervosa” que a fantástica cavalgada no espaço de Jurij Gagarin chegou a ser entendida pelo bloco Ocidental como uma ameaça à “superioridade” norte-americana, e pelos russos como a demonstração de que o futuro do mundo pertenceria à União Soviética.
Naquele período, a União Soviética sofria com a defecção de China, Jugoslávia e Albânia do seu campo. Enquanto os Estados Unidos, estavam sendo humilhados na Bahia dos Porcos, com a fracassada tentativa de invasão de Cuba.
Nesse cenário de constante perigo para a paz mundial, a “conquista do espaço” tornou-se um novo campo de disputa para aumentar o prestígio politíco e garantir a supremacia mundial.
Hoje, meio século depois, o que sobrou daquela monumental empresa?
Primeiro, a amargura pela sorte trágica do seu principal protagonista, falecido aos 34 anos, a bordo de um avião militar em 1968.
Poucos antes do acidente fatal, Gagarin havia declarado: “Queria ver Vênus de perto, o que está escondido embaixo de suas nuvens. Observar Marte e seus canais. Haverá um dia que as viagens no espaço poderão ser feitas adquirindo as passagens nas agencias turísticas”.
Jurij Gagarin, como ninguém outro da sua época, encarnou a figura do herói do século XX. Um rosto luminoso sorridente. Uma imagem mítica, que permanece viva ainda hoje.
Depois dele, a conquista do espaço nunca parou, virou corrida tecnológica e armamentista rumo “as guerras estrelares”, até a definitiva implosão econômica e politica da União Soviética.
O fim da competição entre os dois Impérios abriu novos horizonte para uma ação comum entre as nações. E graças aos esforços de 16 países, com China e Índia como protagonistas, a estação internacional ISS acolhe hoje cosmonautas dos mais diferentes países do mundo.
Mas a maior conquista alcançada por aquela incrível aventura espacial foi a de ter propiciado uma “visão” do nosso planeta, dentro de uma nova perspectiva.
Pela primeira vez na história da humanidade, os homens puderam ver a Terra do Espaço, como ela é de verdade. Olhar pela imagem vislumbrante de um Planeta azul e verde, brilhando na imensidade do espaço cósmico.
Um novo “ponto de vista”, que despertou um enorme número de perguntas e respostas. Que possibilitou a coleta de inúmeras informações técnico-científicas sobre sua superfície e sua atmosfera, as interações entre a sua parte orgânica e inorgânica, onde o ar, os oceanos, e as superfícies terrestres, formam um único conjunto.
O Planeta Terra, um sistema complexo, um organismo completo, capaz de garantir as condições para que a vida possa se manter e desenvolver. Enfim, uma nova “visão” sobre a nossa casa.
Hoje, 50 anos depois, estamos comemorando aquele dia grandioso angustiados por cataclismas naturais e tecnológicos, que nos deixa com uma maldita sensação de “nostalgia”, por um tempo, por uma geração que, apesar das divisões ideológicas, acreditava profundamente no progresso e no futuro. Uma humanidade jovem, idealista e alegre, que soube sorrir para o Sol e olhar para o espaço infinito.
Mas apesar desses nossos dias incertos, cada vez mais marcados pelas crises sócias, ambientais, econômicas e politicas, sempre haverá alguém, que, como Jurij Alekseevič Gagarin, terá a ousadia para ir além, ampliando o limite do horizonte humano.
É a lenda indelével de um rapaz que, aos 27 anos, primeiro no mundo, exclamou: A terra é azul!
– – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
* Sociólogo, reside em Santarém e escreve regularmente neste blog.
https://analisedeconjuntura.blogspot.com/
A VIAGEM JUNTO AO GAGARIN
https://www.youtube.com/watch?v=RKs6ikmrLgg
Grande
Tiberio…Tiberio…Tiberio
Andas em GRANDE FASE……….PUTZ grillo..
PS.( és um verdadeiro azulino de alma)
PARABÉNS
Não, filhos meus (deixai-me experimentar, uma vez que seja, convosco, este suavíssimo nome); não: o coração não é tão frívolo, tão exterior, tão carnal, quanto se cuida. Há, nele, mais que um assombro fisiológico: um prodígio moral.
E o órgão da fé, o órgão da esperança, o órgão do ideal. Vê, por isso, com os olhos d’alma, o que não vêem os do corpo. Vê ao longe, vê em ausência, vê no invisível, e até no infinito vê. Onde pára o cérebro de ver, outorgou-lhe o Senhor que ainda veja; e não se sabe até onde. Até onde chegam as vibrações do sentimento, até onde se perdem os surtos da poesia, até onde se somem os vôos da crença: até Deus mesmo, inviso como os panoramas íntimos do coração, mas presente ao céu e à terra, a todos nós presentes, enquanto nos palpite, incorrupto, no seio, o músculo da vida e da nobreza e da bondade humana.
Sr.Tibério,
Belíssima reflexão.Parabéns!