Frase do dia

Publicado em por em Infraestrutura

4 Responses to Frase do dia

  • Jeso, segue meu comentário melhor desenvolvido sobre a minha percepção acerca das posições em torno da construção de Belo Monte.

    Lembro-me das palavras de um sábio professor que dizia: “para o capital não existe pecado ou crime, a não ser não converter as riquezas naturais em capital”. Por isso, quando se pergunta: existe crime ou pecado em construir Belo Monte? A resposta, para os ambientalistas, é SIM, existe, porque estão querendo transformar a floresta e os rios em capital, com impactos devastadores para as sociedades tradicionais que ali habitam. Mas, quando a resposta é dada pelos representantes do capital, ela é NÃO, não existe, crime é manter toda esta riqueza em seu estado natural, e não importam os impactos socioambientais, o importante é que essas riquezas se convertam em capital. Por isso, desde há muito, o debate deixou de ser sobre se Belo Monte será ou não tecnicamente menos danosa que as demais hidrelétricas construídas na Amazônia e no Brasil, mas qual tipo de crime ela irá perpetrar no seio da sociedade: se um crime contra o capital ou um crime contra a sociedade e o meio ambiente amazônicos; deixou de ser, se é que um dia o foi, um simples projeto voltado para a ampliação da capacidade energética do país e passou a ser um projeto de poder, uma disputa entre o poder hegemônico do capital, que pretende consolidar o seu modelo de desenvolvimento historicamente negligente, conservador, retrógrado e colonial na região contra uma sociedade civil destituída de poder e que, novamente, tal como rege a cartilha colonizadora, não está sendo ouvida, que vê seus direitos e interesses massacrados perante a fúria do dinheiro. O que está em questão, portanto, é se mantemos ou não o modelo colonial de ocupação econômica da Amazônia. A se guiar pelo que se vê na blogosfera, o capital já venceu, e a sorte dos despossuídos da floresta e dos rios é o que menos importa, já que o Deus dinheiro, tal como qualquer outro Deus inventado pela humanidade, absolve todos os crimes e pecados que se comete em seu nome. Os dados, portanto, são o que menos importam agora. Todo meu mestrado foi feito na área do planejamento do desenvolvimento do trópico úmido e posso garantir que os dados socioambientais sobre Belo Monte, assim como sobre o ecossistema amazônico de modo geral, são abundantes. Quem diz que não existem é porque ou está desinformado ou agindo de má fé, porque é muito fácil encontrá-los disponíveis na internet. E esses dados podem ser utilizados tanto para defender quanto para condenar Belo Monte: fazer o que se a ciência não é um saber absoluto? O certo é que esses dados, entretanto, são meramente técnicos, numéricos, baseados em metodologias que, assim como o conhecimento humano, são falíveis. Ademais, a natureza, na Amazônia e em qualquer parte do mundo, é sempre surpreendente, imaginar que o conhecimento científico que se constrói sobre ela pode ser tomado como uma verdade acabada também é equivocado porque ela própria é dinâmica e as combinações que resultam dos múltiplos fatores climáticos, biológicos, químicos, físicos e humanos são imprevisíveis mesmo para os modelos mais complexos de análise. Por isso, os dados, os números incontestáveis que muitos reivindicam não passam, muitas vezes, de infantilidade acadêmica, porque, pelo que eu sei, nem em matemática pura existem modelos acabados, incontestáveis, infalíveis, então, não se poderia esperar que modelos que nascem de uma realidade dinâmica, viva, mutável o fossem. Logo, os dados, os números incontestáveis que tão desesperadamente muitos internautas buscam não passam de uma grande armação, de um grande circo armado para encobrir a farsa que é a tal racionalidade ambiental e social por trás do projeto oficial de Belo Monte, ou melhor, para encobrir o processo concreto de dilapidação colonial a que esta parte da Amazônia vai ser intensivamente submetida de agora em diante. Por tudo isso é que insisto em dizer: não é a razão técnica, não é a razão científica quem define as posições de cada um sobre Belo Monte, mas sim as paixões. Sim, as paixões, tão obliteradas nos modelos de racionalidade econômica, neoinstitucionais, tecnocráticos, como sempre, definem as posições adotadas e as ações de cada um no mundo real, e não é diferente no caso de Belo Monte. Portanto, estamos entre as opiniões, ideias e crenças daqueles que estão mais inclinados para os encantos do capital e as opiniões, ideias e crenças dos que estão mais inclinados para os encantos ambientais e desencantos da trágica sorte desta parte da população amazônica que sofrerá diretamente os impactos negativos desta obra.

  • E o mais incrível é que ela, que é irmã do Gilbertinho Carvalho e foi treinada na guerrilha, diz isso sem tremer a voz ou ficar corada. Mas há controvérsias. O MPF e os pindios da região dizem exatamente o contrário.

  • E Papai Noel existe, coelhinho da Páscoa também.
    Isso é que é passar atestado de insanidade coletiva.

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