A revista norte-americana The New Yorker traz na edição desta semana uma reportagem sobre a presidente Dilma Rousseff em que traça o perfil da primeira mulher eleita para o mais alto cargo do Executivo no Brasil.
O autor da reportagem relembra a atuação de Dilma contra a ditadura, informando que ela foi presa e torturada durante o regime militar.
“O Brasil é governado por ex-revolucionários sem remorso, muitos dos quais, incluindo a presidente, foram presos por anos por serem terroristas”, diz o texto.
Ao falar da gestão da presidente, a quem elogiam dizendo ter “uma presença forte”, a revista destaca os escândalos, mas não mira na presidente: “Ninguém acredita que Dilma é corrupta, mas ela trabalhou por anos com algumas das pessoas que se demitiram”, diz a reportagem.
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“Ninguém acredita que Dilma SEJA corrupta” é o tempo certo do verbo. No entanto, pergunto eu, como qualificar o presidente de um país que é retratado como um poço de lama, um país em que a corrupção tomou conta e corre solta de cima abaixo, de modo totalmente incontrolável? Vou tentar responder: ou um presidente assim seria cego, ou seria marciano, ou estaria “levando o dele por fora”.
Dilma já deu claras demonstrações de que o combate à corrupção não é preocupação e muito menos prioridade do seu governo. Todos os escândalos que explodiram no seu colo vêm lá de trás, dos esquemas montados com o aparelhamento do Estado e o loteamento político dos ministérios nos dois governos do seu antecessor, nos quais, é fato, ela foi a voz mais poderosa desde a queda do Zé Dirceu. É ingênuo imaginar que ela não soubesse desses esquemas, embora o mote do “não sabia” tenha sido bolado pelo ministro da Justiça da época para disfarçar as falcatruas dos companheiros e aliados. O fato é que nenhum ministro acusado de corrupção até agora foi demitido pela Dilma. Todos “pediram pra sair”, obedecendo ao sábio conselho do Capitão Nascimento do BOPE e à pressão implacável da mídia. Em nenhum desses casos a presidente sacou espontaneamente a caneta para demitir o ministro. Ouviu as denúncias e ficou calada, e até “prestigiou” os acusados. Lupi ouviu o conselho do Dotô Honório – “político tem que ser casca grossa” ; se deu certo com ele no mensalão, que foi o maior de todos os escândalos da história da República, por quê não daria certo com o ministro?. Por isso ele reluta em pedir para sair. Há quase um mês o ministro sangra diante dos escândalos semanalmente revelados na sua pasta. E a Dilma? Bem, a Dilma nem se toca. Com a sua bonomia, há pelo menos um mês o ministério do Trabalho continua operando o mesmíssimo esquema denunciado de beneficiamento de ONGs amigas, desviando os recursos públicos para bolsos privados. Só que com mais cuidado, para não ser rastreado pela mídia. A lógica do corrupto é essa: vergonha não é roubar, e ser pego roubando. Pelo menos até que os novos cúmplices de desentendam, e aí nos brindem com novas revelações escandalosas. Dilma foi bem treinada nos tempos da guerrilha urbana para reistir às torturas nos porões da ditadura. Não se abalar com as evidências de corrupção no seu governo para ela e fichinha. Ainda que o País esteja indo à breca.