Do professor pós-doutor Anselmo Colares, pelo contato do blog:
Jeso,
Estou em Palmas desde o último domingo, em missão do MEC/INEP, avaliando uma faculdade. Nestes dias, tive a oportunidade de conversar com várias pessoas, de diferentes segmentos sociais e econômicos, e constatei o quanto mudou, para melhor, na vida destas pessoas, a criação do Estado por meio do desmembramento de Goiás.
São unânimes em afirmar que a redivisão propiciou a criação e o funcionamento de diversos órgãos de apoio à população, assim como de regras que favoreceram um modelo de desenvolvimento mais próximo das necessidades coletivas.
— ARTIGOS RELACIONADOS
No plano global, a região que hoje é o Tocantins, representava apenas 3% do PIB de Goiás (os apologistas do não, caso fossem consultados na época sobre a viabilidade da criação do Tocantins, teriam dito horrores. Hoje o Estado representa mais de 10% do PIB brasileiro) e o estado de Goiás também cresceu econômica e socialmente.
Portanto, a divisão territorial foi bom para Tocantins, e para Goiás. Não há ressentimentos. Aqui convivem os ex-goianos com os agora tocantinenses, sem problemas sentimentais.
EI SUMANO !! VOTA NO NÃO !!! TÃO TE USANDO COMO BUCHA DE CANHÃO !!!!!
Palmas! Pude iniciar como professor universitário porque fora criado o estado do Tocantins. Lá encontrei vários paraenses, inclusive de Santarém. Um paraense amigo meu foi para lá comandar a cantina da faculdade, fez a graduação superior, hoje é concursado do Estado e se encontra no setor de finanças da Secretaria Estadual de Educação.
O início foi sofrido. Víamos tudo mudando muito rápido, mas parece que mais queríamos sofrer porque sabíamos que nosso trabalho estava contribuindo com as mudanças. Tudo começou improvisado. O quartel da polícia em compensado de madeira, na agência do Banco do Brasil o piso de compensado ia se torcendo com o peso da fila. As aulas iniciaram no novo campus ainda sem janelas, sem quadro, sem ventilador, as aranhas caranguejeiras subiam as paredes e entravam pelas janelas em meio a aula. E pude comprar o meu fusca 83, e lá ia eu pela Teotônio Segurado deslumbrado com aquele horizonte distante. Quem for ao Tocantins, aprecie aquele horizonte! Será que a natureza do lugar influi no alcance do olhar das pessoas?
Jeso, não há chances, sejamos sinceros. Mas há uma outra oportunidade: criar o território federal do Tapajós não dependeria de nós paroaras e daí para Estado seria mais fácil. É uma sugestão de longo prazo, porque daqui de Belém não adianta esperar.