Réplica do professor doutor Anselmo Colares ao post Divisão: não é a ocasião, da lavra de Onizes Araújo:
Caro Onizes,
Durante todo este período de campanha quem carregou no uso da emoção foram os partidários da unidade hipócrita. Meu texto, desta vez, está mais literário que técnico, mas nem por isso quis fazer apelos visando aplausos.
Ao longo da carreira acadêmica que construi sem apadrinhamentos, aprendi a separar o que é natural, do que é historicamente construído. Separar as causas, das pessoas que as encampam.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Em função dessas aprendizagens, considero que seu comentário sobre “não era agora a ocasião” seja uma atitude típica de quem acredita que só é possível fazer algo, depois que esse algo já esteja realizado. Pessoas que não ousam, que não rompem com a dura realidade, pois como disse outro compositor dos tempos em que me inspirei no texto anterior “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” (Geraldo Vandré).
Eu também tenho reservas e críticas aos políticos que estão à frente do movimento, e a forma como o processo foi conduzido. Mas entendo que trata-se do que foi possível. São os limites conjunturais que a história carrega. Mas nem por isso eu concordo em ficar de braços cruzados, esperando a hora certa.
Essas idéias de como resolver os problemas já circulam em abundância, mas os latifundiários governantes do Pará só fazem algum coisa pelo interior quanto isso significa retorno para eles próprios, e não para as pessoas que realmente necessitam ser assistidas. A criação dos novos estados representam sim alternativas de mudanças significativas e reais.
Faça uma leitura aprofundada de como éramos divididos geopolíticamente em 1709, 1822, 1889, 1920, 1943, 1960, 1977, 1988, e verás que todas as mudanças na composição de nosso território resultaram em avanços, por mais que algumas delas não tenham propiciado as mudanças necessárias para eliminar injustiças e desigualdades, até porque estas possuem raízes que não estão fincadas somente na política.
Enfim, seu “umbigo” pode até estar entre Alenquer e Santarém, mas parece que sua alma já foi abduzida pelos que nos olham apenas de suas naves espaciais, ou seduzida pelo canto da sereia utilizado pelos que criaram estes slogans de “esquartejar” e o utilizam como se dividir um território fosse sinônimo de dividir as pessoas.
Discurso limitado e vazio, que não encontra sustentação histórica e nem mesmo biológica, pois cada um de nós é fruto da divisão das células. Nossa unidade é formada na diversidade.
Deixe um comentário