Pressão popular pós-plebiscito

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Do professor doutor e jornalista Manuel Dutra, sobre os artigos “Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não entende da arte”, de Cristovam Sena, e Quanto do Pará se investiu no Tapajós, de Evaldo Viana:

Caro Jeso,

Li com atenção o que escrevem neste blog Evaldo Viana, Cristovam Sena e vários comentadores a respeito da partilha tributária, ou seja, a divisão dos recursos que nos pertencem, pois todos contribuimos para com o Tesouro. Isso me traz à mente aquele refrão, antigo e verdadeiro como ideal a seguir: o difícil fazemos hoje, o impossível deixamos para amanhã cedo.

Repartir o os bens que a todos pertencem foi, é e será sempre um desafio para a sociedade humana. Mas na vida republicana há o princípio segundo o qual os primeiros da fila são os que mais necessitam, num processo absolutamente transparente, ao contrário do absolutismo clássico em que a repartição dependia da vonta e do humor exclusivo do Rei.

Ora, oficialmente os reis não mais existem, no entanto, o processo da partilha prossegue, entre nós, da mesma forma anterior à Revolução Francesa: aos amigos do rei, tudo. Aos demais, dêem-lhes brioches, que nos dias de hoje seria: dêem-lhes tão somente o bolsa família, o salário mínimo de miséria, escolas caindo aos pedaços e filas nos corredores de hospitais sem médicos.

O difícil: que tal aproveitarmos essa onda salutar pós-plebiscito, com tamanha adesão popular em tantos municípios, para efetivamente organizar um amplo movimento social, com base inicial nos movimentos e entidades populares e empresariais já existentes, sem prejuízo das pautas específicas de cada uma dessas organizações, mas com base num item comum, qual seja a busca de instrumentos eficazes de informação e controle do emprego dos recursos públicos? Como fazer isso, o debate e a vontade de fazê-lo é que vão dizer.

Por exemplo, pressionando de modo organizado e decidido vereadores e deputados a que mudem de atitude e passem, de fato, a olhar o bem de seus eleitores como fator político essencial inclusive para as suas reeleições. Mas isso só virá com forte pressão, sem conchavos nem apadrinhamentos. Sem ódio, mas com determinação.

O impossível se fará logo a seguir: pressionar vereadores e deputados para aprovação de leis que permitam o cumprimento das promessas da democracia, isto é, dar consequência prática à tão apregoada transparência na coisa pública. Dessa forma, de modo organizado e institucionalizado, representantes da sociedade, sem mandatos, interagindo com os representantes eleitos, na boca do cofre público, vendo quanto tem, para onde irá o dinheiro, influenciando eficazmente na sua correta aplicação.

Evaldo Viana fala das enormes disparidades na repartição dos recursos estaduais por municípios. Cristovam Sena fala da repartição dentro de cada município, inclusive de um caso, da construção de uma usina de bebeficiamento de arroz numa comunidade que não planta arroz, mas outras culturas. Como essas coisas são decididas? Ora, conforme a vontade dos políticos, à revelia das reais necessidades coletivas.

O resultado de uma ação social ampla, assim sonhada e projetada, dará destinação republicana e domocrática ao dinheiro que todos pagamos na forma dos mais diversos tipos de impostos. Fazer o contrário assemelha-se ao pai de família, com orçamento apertado, que gasta no boteco o dinheiro que vai faltar na mesa de sua família.

(Um caso: há anos, quando eu trabalhava no Liberal, ainda na rua Gaspar Vianna, em Belém, eu via, aos sábados, mães de família à espreita dos maridos, ou jovens aguardando os pais ao final do expediente no cais do porto onde trabalhavam. É que, após o meio-dia, eles recebiam o vale semanal e se mandavam habitualmente para os botecos próximos onde queimavam os recursos que vinham a faltar às suas famílias. Esposas e filhos vigiavam e, quando não podiam levar o beberrão para casa, arrancavam do seu bolso a quantia necessária para as compras da semana, antes que o irresponsável queimasse tudo na birita).

Será que não podemos ter a mesma esperteza daquelas esposas e daqueles jovens? É difícil? É. Impossível, não. Se assim decidirmos, o passo seguinte é confiar nas forças positivas da sociedade, incentivar as lideranças e começar a agir. O Impossível, que fica para amanhã cedo, será apenas difícil.O que é mesmo difícil é quebrar a nossa própria reistência, superar o nosso comodismo.

Temos o hábito do queixume, mas resistimos em meter a mão na massa. Falamos mal dos políticos, mas deixamos tudo por conta deles e, eles, na maioria das vezes, agem como aquele arrumador do porto de Belém que, em vez de levar o dinheiro para casa, entrega-o ao dono do boteco.

Vamos à luta?


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13 Responses to Pressão popular pós-plebiscito

  • E por falar em plebiscito, sugiro que a Prefeitura aproveite a obra (asfaltamento) que está executando na avenida Altamira para trocar o nome daquela via. Penso que só são dignos de homenagens aqueles que nos fazem o bem e este não é o caso de Altamira, pois aquele município voltou em peso contra a divisão do Pará. Por isso acredito o mais justo seria trocar o nome da avenida para, quem sabe, Piçarra, Santa Maria das Barreiras, Brejo Grande do Araguaia (municípios que votaram quase que à unanimidade em favor da divisão do Pará) ou Wilde Fonseca.

  • Jeso, pode anotar: esses tais movimentos para continuar a luta pela criação do Estado do Tapajós é fogo de palha, não vai sobreviver. Lira Maia, Von, Maria do Carmo, Reginaldo Campos e tantos outros políticos continuarão do lado do SIM, ou seja, SIM, SENHOR GOVERNADOR JATENE, CONTE CONOSCO! Quem viver verá a grande recepção que Jatene terá quando visitar Santarém e outras cidades do Oeste do Pará.

  • Dutra,

    Respondendo a sua pergunta no final do texto: Vamos a Luta!
    Quando começamos, precisamos de ti. De forma mais pragmática, o que sugeres para a operacionalizarmos o inicio deste movimento?

    abs,

    Telma

  • Não esperamos unanimidade, toda sociedade tem: os bons e maus, corretos e incorretos, descrentes, covardes, etc…A sociedade do oeste de nosso estado, principalmente a desorganizada, vai lutar, e esperar o tempo que for necessário, sem desistir do sonho: ESTADO DO TAPAJÓS, ele virá, independente de líderes A ou B.

  • O problema é conseguir superar o ditado bíblico “Mateus, primeiro os teus”, que também pode ser dito “Mateus, primeiro os meus”, a revelar essa incontrolável e inevitável preocupação egoista de cuidar primeiro dos mais chegados, dos parentes e amigos, e só depois tratar dos outros. Ou, numa conhecida versão nordestina, “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

  • Eu não boto fé nessa lambança de continuidade da luta pela criação do Estado do Tapajós. Lira Maia, Von, Maria do Carmo e tantos outros políticos, continuarão no SIM, senhor governador Jatene, conte conosco!

  • Como já disse em comentário anterior, já está sendo organizado o Movimento Tapajós, Sempre! (MTS) que terá seu grito inicial dia 31/01, durante o Reveillon da Orla. É um movimento ainda em construção, com ampla participação da sociedade civil organizada, e principalmente da “desorganizada’, essa que não se liga a entidades constituídas, e que anda meio órfã vagando pelas redes sociais. Foi esta sociedade civil “desorganizada’ que votou em peso no plebiscito. A diferença é que esse movimento não pretende ter políticos com mandato à sua frente.

    Do outro lado, aqueles que estiveram na vanguarda do movimento plebiscitário deverão continuar se organizando em suas entidades, principalmente o ICPET – Instituto Cidadão Pró-Estado do Tapajós. O papel de uma instituição como essa é manter a relação interinstitucional, entre Prefeituras, Câmaras de Vereadores e Associações Comerciais da região. Trabalho de articulação burocrática que tem sua importância.

    Mas essa organização precisa de um movimento mais popular, que envolva entidades que atuam mais próximo da grande massa como foi, durante a campanha, a Articulação Popular Pró-Tapajós (APPT), que reuniu ONGs e sindicatos de trabalhadores da região.

    O Movimento Tapajós, Sempre! tenta ser a ponte destas duas vertentes. Ainda está se consolidando aos poucos.

    Mas aproveitando o debate queria deixar uma sugestão às lideranças políticas da região: não seria hora de se fundir de vez as associações de municípios da região Oeste do Pará numa só, como acontecia até meados dos anos 1980? Naquela época existia a AMOP – Associação dos Municípios do Oeste do Pará, que reunia os municípios da margem esquerda do Amazonas e os do Tapajós e estradas (Santarém-Cuiabá e Transamazônica), inclusive com apoio substancial da prefeitura de Santarém, onde ficava a sede.

    Mas no início dos anos 1990, com a chegada de Ruy Corrêa à Prefeitura, a AMOP foi deixada de lado e surgiram duas associações: a Amucan – Associação dos Municípios da Calha Norte e a Amuts – Associação dos Municípios da Transamazônica e Santarém-Cuiabá, o que enfraqueceu nossa articulação. Tal divisão acabou servindo para o Governo do Estado atuar nos bastidores e incentivar o divisionismo entre os divisionistas…

    A mesma tentativa foi feita no sul do Pará, quando a AMAT – Associação dos Municípios do Araguaia e Tocantins, teve uma cisão fomentada pelo Governo do Estado (leia-se Almir Gabriel), no início dos anos 1990, quando foi criado o Conmat – Consórcio de Municípios do Araguaia e Tocantins. Entretanto não perdurou por muito tempo e logo os prefeitos da região voltaram a se fundir na velha AMAT.

    E a AMOP? Não é hora de se tentar essa união em respeito a mais de 90% da população que disse SIM no plebiscito? Ou será que a maioria dos prefeitos da região, que pouco ou nada participaram da campanha, vai continuar com a política do avestruz, escondendo a cabeça na areia?

    1. Caro Ninos, concordo, também, com sua idéia e gostei daquela “frente desorganizada”. Na verdade essa tal frente não é mesmo organizada, porém, ainda que, digamos “desintegrada”, comunga da mesma dor do calo. Assim, não acreditamos mais nesse políticos e tantos outros como eu, vamos nos unir e esquecer de Partidos, emblemas, siglas e votar e estimular que amigos votem somente e tão-somente naqueles que tem reais compromissos com o nosso povo. Copiou? Eles que querem ser eleitos e tiverem bons projetos que nos procurem. Basta de imposições! Cansamos de ser “Maria vai com as outras”..Copiou? É assim mesmo…!!!

    2. Se tirarrem “Tapajós” e colocarem “Baixo Amazonas” ou “Oeste do Pará”, fica menos hegemônico e mais abrangente. E, então, eu assino embaixo!

  • Assim que se fala Dr. Dutra! Concordo com vc em toda a amplitude de suas ponderações. Sei que assim teremos reais benefícios para o nosso povo. Acrescento, apenas, que, na hora certa, faremos uma frente virtual capaz de elegermos somente políticos verdadeiramente engajados com as nossas lutas e com as nossas demandas!

    1. Finalmente estou vendo que o povo começou a entender que precisamos votar em politicos que realmente estão comprometidos com a nossa região, por que enquanto houver bandeira politica e individualismo partidario os sanguesugas de Belem viveram fartos com o sangue do nosso povo, é hora de mostrar que o nosso voto é a nossa unica chance de se livrarmos daqueles parasitas imundos que toda eleição aparecem com as mesmas conversas e nada fazem por esta região. Eu voto SIM por um novo estado e voto NÃO para Jatene e seus seguidores.

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