De Belém, o ximango Onizes Araújo comenta o post Padre Manoel chega a Santarém:
Lembro muito bem do padre Manoel Albuquerque, que foi capelão do Dom Amando na época em que fui interno do então ginásio, nos anos 50.
Recordo que ele tinha uma característica precursora: oficiava a missa em português, quando o habitual era em latim.
Jeso, aproveitando o “gancho” do Pe. Sidney e do conterrâneo Onizes Araújo:
“O padre Manuel Rebouças e Albuquerque nasceu no Estado do Amazonas, no seringal Monte Carmelo, no rio Acuráua, no município de Eirunepé, em 16 de julho de 1907, filho do casal cearense Tomás Rodrigues de Albuquerque e Maria José Rebouças e Albuquerque. É o penúltimo dos seis irmãos, todos homens.
Aos dois anos, mudou-se com seus pais para Santarém, onde fez seus estudos primários na Escola da professora Rosinha Passos e, depois, estudou no Colégio dos Padres franciscanos. Aos 13 anos foi levado por seu tio, o cônego Irineu Rebouças, para o Seminário do Tefé, no Amazonas, onde passou quatro anos, seguindo depois para Braga, em Portugal, aí completando o curso de Humanidades e ingressando na Congregação do Espírito Santo.
Fez o noviciado na França e regressou a Portugal, onde se ordenou sacerdote em 15 de setembro de 1935, vindo para Santarém no ano seguinte. Durante 11 anos, trabalhou na Prelazia do Tefé. Voltando à Europa, foi professor em Braga e passou algum tempo na França. Em 1950 voltou definitivamente ao Brasil para ser missionário na Amazônia, nas fronteiras com a Venezuela, Colômbia e Peru, radicando-se posteriormente em Santarém.
Catequista, professor, jornalista, poeta e orador vibrante, de formação erudita, o Padre Manuel Albuquerque foi um emérito educador que marcou época no Baixo Amazonas, lecionando, nos anos cinqüenta e sessenta do século XX, em Santarém, nos Colégios Dom Amando e Santa Clara, e participando de freqüentes jornadas educacionais e religiosas nos municípios vizinhos como Alenquer, Monte Alegre, Juruti, Óbidos e Oriximiná.
Sua produção literária vai da história à biografia, dos cânticos marianos à poesia diversa, tendo composto ainda muitos hinos escolares para colégios e escolas da Amazônia. Dentre seus livros de poesia, destacam-se “Sorrisos de Minha Mãe” (Belém, 1960), “Maria, Minha Poesia” (Braga, Portugal, 1950) e “De Volta do Meu Garimpo” (Rio de Janeiro, 1965).
Pertenceu às Academias de Letras do Maranhão, do Amazonas e do Ceará, além da Academia Hispano Americana (na República da Costa Rica) e do Grêmio Brasileiro de Trovadores.
Sua ligação com Alenquer e com o povo chimango foi tão estreita e carinhosa, que ele brindou a nossa cidade com pelo menos três das mais brilhantes pepitas do seu vasto cancioneiro: os sonetos “Um Sorriso de Deus Feito Cidade” e “Quando Deus Fez Alenquer”, e o poema “Saudação a Alenquer” (este último escrito em 13/06/1956, dia de Santo Antônio, sob o clima festivo do padroeiro da cidade, e que bem revela o “jeito chimango de ser”), cujas cópias ele pessoalmente me enviou, em 1975, do Rio de Janeiro, onde fixara residência e veio depois a falecer pouco depois, em 7 de janeiro de 1977.”
(Extraído do livro – ainda inédito – “Memorial Poético de Alenquer”, de Luiz Ismaelino Valente).
Olá! procuro o livro “Maria, minha poesia”. Sabe onde posso encontra-lo?