Poetas amazônicos. Anatomia

Publicado em por em Arte

Anatomia de um poema

Posição anatômica: olhar no horizonte.
Então vou dissecando o poema.
Conto as sílabas poéticas como quem conta vértebras,
processos espinhosos – como sabe ferir um espinho rimado! –
e processos trans-versos.

Na Neuro começa o problema.
Há versos que me neuram, me marcam
e, nos feixes do sistema límbico,
o poema vai se enrolando de libido.
Envolvente como a mielina em seu tecido.

Vou examinando cada órgão
e dividindo em estrofes e estratos.
às vezes enxergo até uma imagem esquisita:
aqui ou ali um parasita.

Terminando o estudo. Está pronto:
Tudo anotado. Logo será publicado.
O corpo incidido e o poema estão abertos.
Hora de dar os pontos…

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

De João Alho, poeta amazônico nascido em Santarém. Leia mais poesias do artista no blog dele.

Leia também:
Languidez de menina, de Jota Ninos.


Publicado por:

2 Responses to Poetas amazônicos. Anatomia

  • Poema de uma anatomia poética

    Posição anatômica: olhar na tela
    O poema se consubstancia
    Sílabas poéticas desconexas nas vértebras,
    A rima se transforma em espinhoso processo
    Que atrás versa o verso.

    O problema se neuroativa
    Os versos marcam e se neurotizam
    Em límbicos feixes poéticos
    Enrolados de poemas líbidos
    Mielinadedinosos.

    Estratos e estrofes se formam
    Ao exame de cada órgão
    Esquisitas imagens afloram
    Em formas parasitárias

    A publicação se forma
    No final do estudo
    Os poemas se abrem
    É hora de dar os pontos…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *