Anatomia de um poema
Posição anatômica: olhar no horizonte.
Então vou dissecando o poema.
Conto as sílabas poéticas como quem conta vértebras,
processos espinhosos – como sabe ferir um espinho rimado! –
e processos trans-versos.
Na Neuro começa o problema.
Há versos que me neuram, me marcam
e, nos feixes do sistema límbico,
o poema vai se enrolando de libido.
Envolvente como a mielina em seu tecido.
Vou examinando cada órgão
e dividindo em estrofes e estratos.
às vezes enxergo até uma imagem esquisita:
aqui ou ali um parasita.
Terminando o estudo. Está pronto:
Tudo anotado. Logo será publicado.
O corpo incidido e o poema estão abertos.
Hora de dar os pontos…
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De João Alho, poeta amazônico nascido em Santarém. Leia mais poesias do artista no blog dele.
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Poema de uma anatomia poética
Posição anatômica: olhar na tela
O poema se consubstancia
Sílabas poéticas desconexas nas vértebras,
A rima se transforma em espinhoso processo
Que atrás versa o verso.
O problema se neuroativa
Os versos marcam e se neurotizam
Em límbicos feixes poéticos
Enrolados de poemas líbidos
Mielinadedinosos.
Estratos e estrofes se formam
Ao exame de cada órgão
Esquisitas imagens afloram
Em formas parasitárias
A publicação se forma
No final do estudo
Os poemas se abrem
É hora de dar os pontos…