Leitora defende Sairé e botos em datas diferentes

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Advogada, Giselle Alho comenta o post 5 pontos fora da curva no Çairé 2013:

Na minha opinião, o “Festival dos Botos”, copiado do Festival dos Bois de Parintins, deveria ser realizado na cidade de Santarém no mês de setembro e o Sairé, na sua forma original, com suas crenças e danças, em Alter do Chão, no mês de julho, como antes.

Sairé

O Sairé acabou. Foi incorporado pela disputa dos botos. E ainda, caso houvesse um cantor, que fosse regional, apenas como atração preliminar às danças do Sairé. A cidade de Santarém seria premiada com o Festival dos Botos, administrados pela prefeitura num espaço muito maior, com atrações nacionais, do jeito que quisessem.

O Sairé não. Esse voltaria a ser como antes, passado de pai pra filho. Quem hoje sabe o que era o “O Cruzador Tupi”?


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14 Responses to Leitora defende Sairé e botos em datas diferentes

  • eu não o que é o pior o çairé ou sairé ou o samba do crioulo doido !!! esse povo mocorongo se desentende até na condução de suas tradições !! vade retro !!! que povo complicado meu !!!! e por falar nisso o círio desse ano vai bombar !!! é a prova da expressão de um povo que ama e consolida as suas tradições !!! e com os mestres da guitarrada fafá de belém a gaby amarnatos !!!!

  • O Mutualismo entre o Sairé e o “Çairé”

    O Sairé, enquanto evento da cultura popular e com tradição centenária, com certeza ganhou maior destaque por causa dos eventos paralelos, a partir da inclusão do Festival dos Botos em 1997. Este sim, sem qualquer tradição, precisava de uma referência cultural para surgir e crescer e tornar-se um evento reconhecido internacionalmente e com grande apelo turístico, a exemplo do que ocorreu com a festa dos bois em Parintins/AM. Aliás, a organização e marketing dessa festa amazonense serve de espelho para tantas outras festas que ocorrem na região oeste do Pará, como a Festa das Tribos, em Juruti.

    Há quem defenda que eventos culturais e/ou folclóricos tem que estar aliados ao binômio turismo/economia para sobreviver, e vice-versa. O Sairé, enquanto festejo (apesar de sua importância cultural), nunca foi visto como algo “reluzente” do ponto de vista do show “business”. Sempre foi e sempre será uma pequena manifestação religiosa, de cunho católico, mesclada com hábitos e costumes “profanos” de descendentes das tribos indígenas que habitavam o vilarejo de Alter do Chão, no período da colonização amazônica.

    O encantos naturais do balneário de Alter do Chão, por si só já bastam para atrair o turista sedento de ‘vida selvagem amazônica”, mas este esplendor natural é reforçado anualmente pela existência do evento “folclórico”, que ganha contornos de megaevento com importância inclusive político-partidária, já que envolve verbas públicas municipais, estaduais e federais, principalmente quando ocorre próximo às eleições e tem amplificada essa importância.

    O Festival do Botos precisava de um elo de marketing com a tradicional Festa do Sairé, que em meados dos anos 1990 sobrevivia às duras penas. A competição entre dois grupos folclóricos através de danças que se inspiram na sensualidade e no erotismo da lenda do boto amazônico – e que, em tese, são formados por moradores da vila balneária – aliada à polêmica do “Ç” no lugar do “S” eram os elementos certos para dar o “start” num megaevento.

    Acompanhei bem de perto o nascedouro da proposta, à época de sua concepção. Foram realizadas várias visitas ao Festival de Parintins, reuniões com promotores de eventos e de empresas interessadas em criar algo parecido aqui, tudo com anuência direta de setores do governo municipal, na gestão de Lira Maia (1997/2004).

    Como a disputa entre os “botos” (o Tucuxi e o Vermelho, que passou a ser denominado cor-de-rosa por influência do oceanógrafo francês Jacques Cousteau) precisava de um “tempo de maturação” para chegar aos pés da disputa dos bois de Parintins, era impossível não pensar em megashows de música com artistas de renome nacional para atrair a população consumidora de bebidas e alimentos, principalmente a massa juvenil que não iria (e não vai) à Alter, para participar da ladainha do Sairé e tampouco do Festival dos Botos.

    Tudo parecia sair como programado. A festa crescia a cada ano, mas a mudança de governo em 2005, acabou mudando um pouco a rota inicial do que estava previsto. A essência foi mantida, mas o modus operandi da gestão de Maria do Carmo (2005/2012), teve altos e baixos que acabaram desfigurando o projeto inicial. Pra começar, saiu o “Ç” e voltou o “S”. A questão linguística passou a ser mote para disputa eleitoral entre PT e PSDB (e até hoje é assim).

    A relação com a comunidade tentou dar maior responsabilidade aos comunitários, fazendo-os contratar uma empresa para terceirizar o evento. E todo mundo se lembra o que aconteceu. Até hoje as agremiações folclóricas pagam caro pelos calotes que uma empresa nordestina aplicou por aqui. A prefeitura retomou o controle, mas não conseguiu dar um eixo à festa. Aos poucos o que havia sido “construído” antes, parecia se perder.

    O retorno do grupo político que criou o Festival dos Botos aliado ao Sairé, ao governo municipal, passa agora por um processo de reciclagem, tentando retomar a proposta de onde parou. Primeiro voltou o “Ç” marketeiro e polêmico. Depois o trabalho de infraestrutura para viabilizar o palco do espetáculo. A comunidade voltou a ser chamada e como tem muitos Wanghons na ilha, foi mais fácil reintroduzir o debate inicial.

    O prefeito Alexandre Wanghon, que sempre foi entusiasta da festa, enquanto vice de Maia, precisava fazer uma festa pra “arrebentar”, como se diz no meio. O deputado federal Lira Maia providenciou-lhe uma ONG de jovens do Planalto (instalada no Cipoal, quase em frente à sua casa), que fez o “agenciamento” das verbas públicas, já que as associações folclóricas dos botos estão com certidão negativa para firmar convênios.

    E para realizar o agenciamento do espetáculo nacional, evitando o surgimento de investimentos públicos na contratação de cantores, buscou-se uma empresa com renome local na realização desse tipo de evento, que topou encarar o desafio. A MaGma Eventos, do ex-cinegrafista da TV Tapajós e competente promoter Amarildo Sena, tinha em suas mãos uma oportunidade única de brilhar, mas também o risco de se queimar se algo desse errado. Esse tipo de ônus pode ser compensado financeiramente, pois a empresa evita que o estrago seja debitado na conta e na imagem do prefeito…

    Vale lembrar que a intenção de Von em fazer um megaevento pra ninguém esquecer era tão grande, que deixaram de fora até mesmo as empresas de som locais que há anos montavam suas estruturas para esse tipo de show, trazendo tudo do Estado do Amazonas,a preços nada convidativos. Paulinho Andrade, empresário local, é um pote até aqui de mágoas…

    Com certeza, sem apoio financeiro público, a MaGma Eventos ou qualquer outra empresa de promoções locais, não teria capacidade para bancar os custos da vinda de uma Ivete Sangalo, Mega Star da MPB. É inegável que o show foi muito bom (pelo que ouvi falar), mas pelo menos uma parte dele acabou criando toda a celeuma que agora bota o Sairé (Çairé), novamente na berlinda: a venda alucinada de ingressos, poucas horas antes do show, para a área VIP do “Çairódromo”.

    A desordem no show foi tão grande que ganhou espaço nas redes sociais, blogs e sites, inclusive de jornalistas com maior proximidade ao governo Von. E pra arrematar, uma excelente reportagem (uma das melhores que vi até hoje, parabéns, Suelen Reis), da TV Tapajós que deixou bem claro que nada está claro nos bastidores desta festa. E provavelmente nenhum uma explicação será dada. A não ser que alguém consiga através de meios judiciais (já há pessoas correndo atrás disso). Não interessa ao governo esclarecer isso. A velha estratégia de marketing tucano, agora, é se fingir de morto.

    Mas deixando de lado o imbróglio do “Cairé 2013” e voltando à discussão sobre megaevento-artístico-cultural-com-potencial-turístico-e-econômico versus cultura e tradição folclórica, o “Çairé dos Botos” continuará sua caminhada em busca de uma identidade própria. Mas ainda tem muito chão pela frente, pois o “evento folclórico” – que deveria ter, em tese, maior participação dos moradores da vila – ainda está longe disso. Certamente há muitos abnegados, mas por ser uma “cultura imposta” será mais fácil continuar tutelando o evento com toda a estrutura e todo financiamento público possível. O financiamento privado ainda não se encantou totalmente pelo evento.

    Para ilustrar o que digo, conto o que ouvi de gente que esteve na festa: na hora de empurrar os carros alegóricos (que continuam toscos, do ponto de vista de sua estrutura, levando-se em consideração os investimentos feitos) dos botos para a pista de danças, integrantes das agremiações chegaram a se negar a fazer esse “esforço”. Foi preciso chamar um batalhão de seguranças contratados para a festa principal e outros funcionários da Prefeitura, para ajudar… Isso nunca acontece em Parintins!

    Quando – e se um dia – o festival dos botos conseguir essa independência (talvez dentro de 15 ou 20 anos…) e se tornar um megaevento como os bois de Parintins, Ivete Sangalo (já praticamente aposentada) poderá assistir à festa de camarote, como convidada. Mas, sinceramente, não acredito que se consiga separar um evento do outro. é o que se chama na Ciência de Mutualismo: quando “dois seres de espécies diferentes estão intimamente associados, vivendo um no corpo do outro e realizando trocas de alimentos e de produtos do metabolismo que beneficiam ambos”.

    E a ladainha do Sairé, será apenas um pequeno apêndice para dar o charme que a burguesia busca na vila de Alter do Chão…

  • A título de contribuição ao debate, e para esclarecer algumas diferenças entre tradição e cultura popular: (fonte Wikipédia).

    WIKIPÉDIA:

    Tradição (do latim: traditio, tradere = entregar; em grego, na acepção religiosa do termo, a expressão é paradosis παραδοσις) é a transmissão depráticas ou de valores espirituais de geração em geração, o conjunto das crenças de um povo, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações.
    A tradição e sua presença na sociedade baseiam-se em dois pressupostos antropológicos: a) as pessoas são mortais; b) a necessidade de haver um nexo de conhecimento entre as gerações.
    Os aspectos específicos da tradição devem ser vistos em seus contextos próprios: tradição cultural, tradição religiosa, tradição familiar e outras formas de perenizar conceitos, experiências e práticas entre as gerações. A tradição toma feições peculiares em cada crença. Pode-se destacar a presença da tradição nos grandes grupos religiosos: Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo.

    Cultura Popular:
    A cultura popular é o resultado de uma interação contínua entre pessoas de determinadas regiões e recobre um complexo de padrões de comportamento e crenças de um povo. Nasceu da adaptação do homem ao ambiente onde vive e abrange inúmeras áreas de conhecimento: crenças, artes, moral, linguagem, ideias, hábitos, tradições, usos e costumes, artesanatos, folclore, etc.
    É o que diferencia e classifica um povo, é o que dá o tom e a cor a uma dada sociedade e abrange um modo de vida. Uma opinião amplamente sustentada é a de que a cultura popular tende a ser superficial. Os itens culturais que requerem grande experiência, treino ou reflexão para serem apreciados, dificilmente se tornam itens da cultura popular.
    Ao contrário da ‘cultura de elite’, a cultura popular surge das tradições e costumes e é transmitida de geração para geração, principalmente, de forma oral. O conteúdo da cultura popular é determinado em grande parte pelas indústrias que disseminam o material cultural, como por exemplo as indústrias do cinema, televisão e editorais, bem como os meios de comunicação. No entanto, a cultura popular não pode ser descrita como o produto conjunto dessas indústrias; pelo contrário, é o resultado destas.
    O mais importante na arte popular, ou cultura popular, não é o objeto produzido, mas sim o artista, o povo, a periferia, isso faz com que a arte popular seja contemporânea ao seu tempo.
    “A obra de arte popular constitui um tipo de linguagem por meio da qual o homem do povo expressa sua luta pela sobrevivência. Cada objeto é um momento de vida. Ele manifesta o testemunho de algum acontecimento, a denúncia de alguma injustiça”.
    É ao mesmo tempo conservadora e inovadora, ligada a tradição, mas com os novos elementos que surgem com o tempo. A inspiração da cultura popular vem dos acontecimentos corriqueiros. Diferente da cultura erudita, que é aquela ensinada nas escolas, e que às vezes é vista como um “produto” e faz parte de uma elite.
    Ao ver a cultura como algo amplo, sem ser um produto, chega-se a conclusão que toda cultura é por definição popular. Não existe cultura pertencente a um único grupo social, toda cultura é baseada em fatos históricos sociais que implicam na formação cultural e na aceitação de valores e costumes.

  • Adorei a sugestão, preservando a cultura. Jeso, vamos pra enquete? tradição e crença não podem acabar.

  • Çairé ou *Ssairé* era pra ter a cada 2 meses kkkkk! Dona Gisele até que seria ótima idéia sua, mas acontece que uma das duas sairia quebrada sem público…ou seja tipo o Borari que não dá ninguém. Quem iriam gostar era o pessoal da Magna kkkkk

  • concordo plenamente. Descaracterizaram essa festa tradicional e ” turbinaram” com essas atrações nacionais a preços exorbitantes para a Prefeitura e para os cidadão. O turismo de massa é danoso a longo prazo pois exauri a capacidade do local e degrada substancialmente o meio ambiente. O Sairé da minha infância era curisoso, de certa forma mítico. Se querem estimular grandes festas pelo menos salvem o Sairé tradicional……e o festival Borari morreu?

  • QUA QUA QUA QUA QUA, DEIXA DE DEMAGOGIA, NEM O POVO DE ALTER DO CHAO AGUENTA E ACREDITO NEM A SENHORA ESSE SAIRÉ OU ÇAIRÉ, SE FIZEREM SÓ O QUE MANDA A LADAINHA, HAHAHAHAHA, NAO DÁ NINGUEM NEM OS PRÓPRIOS “BORARIS”. O PROPRIO POVO DE SANTARÉM QUE CORRESPONDE A MAIS DE 90% DO “SAIRE” FREQUENTA O FESTIVAL FOLCLÓRICO REALIZADO NA PRAÇA BARAO DE SANTAREM QUE É BEM MAIS ELABORADO, BONITO E ORGANIZADO, IMAGINA SE ESSE POVO SE DESLOCARIA PARA ALTER DO CHAO PRA VER NAO SEI NEM O QUE, AAAAAAAAA O “CRUZADOR TUPI”, KAKAKAKAKAKAKAKAKAKA, ME POUPE.

    1. Você Da Casa ficaria em Santarém, como a grande maioria que diz que não iria, assistindo um show ou escutando um som em frente ao Museu. Quem aprecia cultura popular iria com certeza. Você não faria falta.

  • Giselle Alho, respeito totalmente sua opinião ou parecer, mas amiga, não há como voltar ao tradicional ou raizes da história indígena. Do geito que está sendo feito na junção dos dois ao mesmo tempo e com festa de apresentação de cantores de fora do Estado. Neste fato, é que a atração turística é maior. O que tem que ser feito é uma INFRAESTRUTURA EM TODOS OS SETORES, QUE COMPORTE A GRANDIOSIDADE DO ACONTECIMENTO E EVITE O SAQUE NA ECONOMIA POPULAR. Retroceder creio ser impossível !

    1. Concordo. Quem sabe então deixar setembro com o Festival dos Botos, porque não existe mais o Sairé e em julho realizar o Sairé? As tradições não devem acabar.

  • Concordo, Giselle…dessa forma, o sairé perdeu o foco..tá uma muvuca!!!!
    Chegou gente até dizendo que o Sairé foi bom, por que o show da Ivete foi bom…srsss..q absurdoo!!

  • Apoiado essa ideia !!!!!

    Isso mesmo não podemos juntar duas situações como visões diferentes !!!!!

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