Deputado federal do Pará, Dudimar Paxiúba (PROS – foto) comenta a foto do Olhar do leitor, de ontem, de autoria do leitor Wendell Medeiros:
Infelizmente, na escalada da degradação ambiental que impiedosamente vem sendo praticada na plataforma submersa e margens do outrora majestoso Rio Tapajós, logo, logo esse efeito do contraste de cores ocorrerá entre as “águas” do próprio agredido e indefensável Tapajós.
Nesse embalo, o fenômeno será questão de tempo… pouco tempo.
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Não há necessidade alguma de estudo mais aprofundado por técnicos da UFOPA (ou qualquer outra academia), que, pelo que sei, já vêm fazendo esse trabalho (por solicitação da SEMA e SEICOM) há um razoável tempo.
O estrago ambiental é perceptível a “olho nu” por qualquer leigo em dano ambiental. Está aí, as escâncaras. Só não ver quem não quer enxergar.
Apelar a quem? Eis a questão!!!
Respeitoso e carinhoso abraço a todos santarenos.

Caro Jeso,
Quando foi abraçada a idéia, por grande parte da população, de criar o estado, houve uma mobilização pra esse evento. Tá na hora de haver outra grande mobilização nese sentido. Concordo pelnamente com o Sr. Deputado, tá pra todo mundo vê o estrago até agora. Vamos a luta pela preservaçao do majestoso Tapajós, tô dentro.
Convenhamos, o Deputado Paxiúba, na condição de Deputado Federal, tem todas as armas para denunciar, requerer, esbravejar, gritar, exigir soluções, enfim, exercer de fato as atribuições do seu mandato. Seja firme, deputado, encare essa luta de vida ou morte do Tapajós.
Lembro bem, Manoel Dutra, há trinta anos atrás tomei o maior susto, na minha vã ignorância, ao chegar a Belterra (Praia de Porto Novo) e achar que o Rio Amazonas tinha finalmente dominado o Rio Tapajós e “invadido” suas águas. Nada disso, era apenas o fruto da indiscriminada ação predatória resultante das exploração garimpeira.
Se nada fizermos, nada restará de tantas e tamanhas belezas, cantadas em prosa e verso, do magnifico Rio Tapajós!
Temos acompanhado, na medida do possível, os esforços do Deputado Dudimar Paxiúba no sentido de que a atividade garimpeira no vale do Rio Tapajós seja disciplinada, de maneira a causar o menor dano ambiental possível.
Como cidadãos também preocupados com essa questão, procuramos alternativas para nos fazer ouvir, também, e fazer valer nosso direito a um meio ambiente saudável e nosso dever de protegê-lo.
Sinceramente não sei se o Deputado tomou conhecimento da campanha “Vamos Passar o Tapajós a Limpo”, nossa tentativa de nos fazer ouvir pelas autoridades competentes e se chegou a assinar, diretamente ou on line a petição publica, pela qual solicitávamos os estudos que aparentemente o mesmo julga desnecessários. De minha parte houve uma tentativa de contactá-lo, através de uma rede social, pelo encaminhamento de um pedido de aceitação de amizade, aparentemente não atendido. Essa tentativa de contato foi feita exatamente por acreditarmos ser o Deputado Paxiúba uma das pessoas “a quem apelar”, respondendo a sua pertinente indagação final, no post ora comentado, considerando a sua condição de representante desta região no Congresso Nacional.
Certamente essa é uma luta que não se esgota com a entrega da petição pública ao governo do Estado do Pará, ou com a realização dos estudos solicitados, uma vez que acreditamos piamente que eles apenas virão corroborar (com força de conhecimento científico) aquilo que podemos certamente ver a olho nu!
Precisaremos do esforço e do empenho de todos para os próximos passos, inclusive e principalmente do Deputado Paxiúba, com todo o seu conhecimento da região e da atividade ora demandada.
Saudações Tapajônicas,
Nilson Vieira
Caro Jeso,
Quero parabenizar o deputado Dudimar Paxiúba pelo seu trabalho em favor das populações do Tapajós, notadamente quanto à grave ameaça de contaminação do vale do grande rio. E quero também discordar quanto à necessidade de pesquisa de campo, urgente, a fim de verificar os níveis da degradação. O deputado afirma que basta a observação a “olho nu”. Dessa forma, não teríamos respostas a estas perguntas, que se acham na Carta Aberta ao governador do Pará:
1. “O Rio Tapajós e seus principais afluentes estão sofrendo processo de contaminação por elementos físicos e químicos estranhos à sua composição hídrica natural?
2. Esta pergunta se desdobra (em caso afirmativo): Que elementos contaminantes são estes? Quais os níveis da presença de elementos estranhos nas águas do rio? Há riscos para a saúde animal e humana? Há contaminação da fauna aquática, especialmente das espécies mais consumidas na região? Há contaminação do plâncton e da cadeia alimentar? Já existe contaminação humana? Há mudança de coloração das águas do Tapajós?
Portanto, há, sim, necessidade da pesquisa, da mesma forma e até com mais apuro do que se fez há 30 anos. Não sei se o deputado Paxiúba recorda o que ocorreu naquele momento, quando eu fiz dezenas de reportagens denunciando não só a mudança de cor do Tapajós, mas tudo que isso significava em termos de saúde pública, tanto dos garimpeiros quanto das populações próximas. Naqueles anos foram realizadas pesquisas por cientistas da UFPA, do Instituto Evandro Chagas e da Universidade de Kumamoto, do Japão. Foram verificados os níveis de contaminação das águas, dos peixes e da cadeia alimentar e foram examinadas dezenas de pessoas cujo sangue e o sistema nervoso central se achavam comprometidos, com níveis de mercúrio no organismo muito acima do mínimo aceito pela Organização Mundial de Saúde.
Se o deputado Paxiúba está acompanhando a presente campanha, deve ter percebido que estamos iniciando uma luta que promete ser longa. A necessidade da pesquisa visa à obtenção de um dado concreto, científico, sobre o qual se possa trabalhar, inclusive denunciar, de maneira idêntica como foi feito da outra vez em que o Tapajós ficou tomado pela ameaçadora poluição física e química.
Demos um prazo ao governo do Estado a fim de que este gerencie esse trabalho, chamando e financiando instituições reconhecidamente capazes de executar o trabalho de campo e de laboratório. É por isso que solicitamos que o trabalho se faça por pesquisadores da área acadêmica – da UFOPA e da UFPA e também pelo respeitadíssimo Instituto Evandro Chagas. O que nós pretendemos, com isso, é justamente fugir das observações apenas “a olho nu”. Nós queremos a prova irrefutável, a partir da qual poderemos, inclusive levar ao Congresso Nacional e a outras instituições a situação medieval da garimpagem e da mineração em geral, que se pratica à revelia das leis ambientais, causando danos às populações, danos que, agora, poderão ser irreversíveis.
Se a SEMA E A SEICOM já vêm realizando essas pesquisas há razoável tempo, onde estão os seus resultados? Além disso, queremos que a pesquisa seja realizada por pessoas/instituições sem vinculações administrativas com o governo do Estado e por pesquisadores que nunca tiveram e não têm vínculo administrativo com a atividade mineradora. Se essas instituições encomendaram tais pesquisas, quem é que as está executando?
Demos ao governo o prazo até junho deste ano, findo o qual esperamos ter recebido respostas às principais perguntas que lhe endereçamos. Se não houver as respostas, a luta prosseguirá, a olho nu ou por outros meios para conseguirmos comprovar a degradação e as ameaças à saúde pública – dos próprios garimpeiros e das populações envolventes – e à economia regional.
Caro Deputado,
Os estudos “mais aprofundados” são necessários para que o olhar leigo possa ser amparado por razões técnicas e legais. Essa é uma situação necessária para traçar os procedimentos de usos do rio Tapajós.
Uma sugestão: por que não utilizar o Comitê Pró Estado do Tapajós para o estabelecimento do Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Tapajós?
Os Comitês de Bacias Hidrográficas não são novidades, inclusive já estão previstos na Lei 9.433 de 1997. Nessa iniciativa o Deputado Paxiúba poderia dar fantástica e imediata contribuição!