por Joaquim Onésimo F. Barbosa (*)
O governo do Pará decidiu, por força da interferência do Ministério público e para justificar os milhões concedidos por um Banco Internacional, promover o “Pacto pela Educação”.
Há tempos, o Estado figura na penúltima cadeira dos piores da Federação com qualidade de ensino, ficando atrás do Piauí.
Leia também dele:
O Brasil que celebra tempos escuros.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Tarde, talvez, mas não tanto. Ainda é tempo de resgatar a qualidade do ensino num Estado cujos governantes têm discursos para tudo, menos para a educação de qualidade.
O “Pacto pela Educação” visa a mobilizar a sociedade por uma educação pública de qualidade. Louvável. Mas não é tudo.
Para que se resgate a educação a que todos têm direito, limitada a poucos, aos que têm condições para colocar seus filhos em uma escola privada, onde, supõe-se, ainda que por brincadeira, leva-se a sério a qualidade de ensino, TODOS deverão olhar para a escola e entender que é nela que está parte do problema.
Não apenas na estrutura física, não apenas na falta de apoio, não apenas na falta de servidores, não apenas na falta material para que se realizem trabalhos, não apenas na falta de professores, mas, e também, o problema está na mentalidade de muitos, que deixaram empedrar a ideia de que educação tem que ser papel unicamente do Estado, o compromisso do governo, a responsabilidade de quem está no poder, e ponto.
NÃO. A qualidade da educação pública passa, sim, pela responsabilidade do Estado, dos governos, mas, principalmente, está nas mãos de quem conduz o processo de intercâmbio de experiências no espaço escolar: gestão, corpo técnico-pedagógico, de apoio e dos professores, principalmente, uma vez que são eles que movem a máquina na escola, interagindo com os alunos e mostrando-lhes o rumo.
O professor é um dos profissionais, além dos da área da saúde e segurança, que deveriam ter todo o apoio necessário para trabalhar. Deveria ter tempo suficiente para preparar suas aulas. Deveria ter um espaço adequado para permanecer na escola no tempo que lhe fosse possível. Deveria ter uma biblioteca equipada que lhe permitisse pesquisar e embasar seus conhecimentos. Deveria ter tempo, também, para escrever suas experiências e publicá-las.
Deveria ser além do que um professor. Deveria ser o pesquisador e propagador das suas tantas experiências em sala de aula.
Deveria, mas não é. Falta tanta coisa, entre elas, tempo. O bendito tempo que falta para muitos, para o professor falta em excesso.
Das muitas aulas num dia, há professores que ministram até 21 aulas num dia, trabalham em duas, três, quatro escolas, sobram-lhe poucas horas para o descanso. Aí, humanamente, não há como um pobre como tantos, ter cabeça, no final de um dia de escravidão, para preparar suas aulas com aquela calma e criatividade que deveria ter. Muitos bem que tentam, mas…
O “Pacto pela Educação” vem tentar mudar a direção que tomou a educação pública no Pará. Educação que figura nos palanques políticos, nos discursos das tribunas, nas promessas, nos ditos e desditos. Educação que, certamente, será o cérebro, as pernas e os braços dos candidatos a alguma coisa neste ano eleitoral. Sempre é assim. Sempre foi assim. Desde que me entendo, é assim. Se vai mudar, só Deus sabe.
O “Pacto pela Educação” deve envolver TODOS: família, escola, governo, a sociedade, enfim. Se for apenas para cobrar qualidade sem dar condições, será o mesmo sem nada. Será, como dizem por aí, tapar o sol com a peneira.
Os órgãos de fiscalização deveriam ser mais atuantes nas escolas. Deveriam procurar saber se a família dá a atenção devida quando a escola necessita de sua presença. Deveriam procurar saber se os alunos assistem às aulas regularmente.
Deveriam ir às escolas informar aos alunos que o tal ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) lhe dá direitos, mas também lhe impõe deveres, principalmente aos que recebem apoio financeiro do governo para que estejam em salas de aula.
A direção deveria ser mais gestora e menos a “amiga” que passa a mão na cabeça de professor que falta sem justificar, que chega à escola a hora que quer e sai a hora que lhe convém.
Um pacto exige tanta coisa, entre elas COMPROMISSO, de todos os lados, não de um apenas. Vejo um pacto como um círculo, que não tem lados. Que seja assim o tal Pacto que o governo paraense parece querer colocar em prática a partir de agora. Que não seja apenas porque é ano eleitoral e se precisa justificar a montanha de dinheiro que se recebeu para “reformar” escolas e investir na educação.
A comunidade escolar precisa resgatar a escola pública que se banalizou. Banalizou-se por tantos motivos. Banalizou-se por, talvez, se achar que, porque o pobre não pode pagar uma escola particular, terá que colocar seu filho numa escola do faz de conta. Banalizou-se porque se colocam no comando da pasta da educação pessoas que nada têm de compromisso com aquilo que é o que dá a certeza do futuro da sociedade.
Os governos colocam para comandar a educação aqueles que lhes parecem apetitosos ao paladar, aos que fazem parte do círculo político e carregam a bandeira do partido X ou Y. Os que têm compromisso, quando são colocados lá, não demoram, porque tentam fazer o que deve ser feito, mas desagradam aos que tisnam o discurso da qualidade de ensino.
Que se firme o “Pacto pela Educação”pública, de qualidade, mas também que se façam outros pactos: o pacto pela qualidade nos serviços públicos, o pacto pela segurança, o pacto pela saúde e pelo bom atendimento dos que vão aos hospitais em busca do alívio de suas dores, o pacto pelo correto e justo emprego do dinheiro pago em impostos nas benfeitorias de que o cidadão precisa, o pacto pela ética, pelo respeito ao bem público, o pacto pelo Pará que prime pela qualidade.
Se o “Pacto pela Educação”, realmente for levado a sério, se envolver todos, certamente, a longo prazo, veremos os resultados. O contrário, se ficar apenas no discurso bonito na frente das câmeras, será mais um dos tantos pactos que se fazem e desfazem-se com o tempo.
Que seja a prática pela prática e não apenas um discurso para a prática que ficará gravado sem ser levado a sério.
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
* Santareno, é professor da rede estadual de ensino e universitário. É mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. Escreve regularmente neste blog.
A maioria desses “secretários” são um bando de bucéfalos e assumem essas secretarias com o propósito escadaloso de roubar as verbas do Fundeb, isso está comprovado, principalmente, aqui no pará. Tem municípios como almeirim, que perderam verbas porque o censo educacional foi feito errado por técnicos incompetentes e que assumem coordenações educacionais por critério meramente politiqueiro. FEDERALIZAÇÃO JÁÁ DA EDUCAÇÃO BÁSICA.
Ps. Agora, os “prefeitos” descobriram outro nicho para roubarem verbas. Em “época de cheia” alegam estado de calamidade pública, fazem um chororo dizendo que o povo tá sofrendo, etc e tal, pegam as verbas que vem do poder Estadual ou Federal, distribuem para o curral eleitoral e o “troco” embolsam na cara de pau. Essas cheias já fazem parte da vida da maioria dos ribeirinhos e as pessoas já estão preparadas para enfrentá-las, na grande maioria, sem a “ajuda” dos “prefeitos bonzinhos” e tão preocupados com os ribeirinhos. EU SOU RIBEIRINHO SEUS LADRÕES DUMA FIGA!!!!!!
Caros,
São para ontem as medidas urgentes para tirar da extrema unção o ensino público no Pará. Não se trata de um pequeno ajuste. Há necessidade de ampla estruturação. As escolas públicas são espaços físicos e intelectuais rudimentares, primários, incapazes de preparar o cidadão para enfrentar um mundo dinâmico.
A causa é bem simples de identificar: a gestão pública virou um bom negócio. Qualquer cabo eleitoral assume secretarias e assessorias. Políticos, sem qualquer preparo e escrúpulo, fatiam postos estratégicos no 1º escalão, como é o caso da educação. O prejuízo decorrente dessas ações são imensuráveis.
Você afirmou logo no início do texto que o “pacto” é para justificar os milhões concedidos por um Banco Internacional. Mas esqueceu de dizer quem foi chamado para comandar a Secretaria de Educação.
Coincidência ou não, o mesmo que assumiu a Ufopa na fase de implantação, com recursos fartos, e deixou sem estrutura e com um hotel alugado custando um absurdo. Sai o “pacto” ou mais uma vez o povo vira “pato”?
Realmente, é dose o mesmo homem que tirou proveito da UFOPA agora ir para cima da merenda das criancinhas. E, mais uma vez, sairá impune e (ainda) mais rico.
Diante disso trago à tona um gargalo educacional que se arrasta como parasita da mão-de-obra do funcionalismo público municipal que são as Escolas Anexas Estaduais implantadas no município de Santarém longe de serem assistidas de fato por quem de direito, ou seja, a rede estadual. Nesses anexos os espaços são da rede municipal, algo aceitável, porém, fora isso e os professores, os demais servidores são da rede municipal, como por exemplo serventes e merendeiras, que são praticamente obrigados a desenvolver tais atividades para rede estadual sem remuneração adicional. E na atual gestão municipal a Vice-prefeita se acha com poderes para querer obrigar que os servidores da rede municipal façam os trabalhos para a rede estadual sem direito de recusar, ora, se o filho é do estado, quem tem que arcar com as despesas é o estado. Com tal situação, quem sofre e paga todo o pato são os servidores municipais que agora tem trabalho em dobro, pois os mesmos são obrigados a preparar merenda para os alunos do Ensino Médio e fazer a limpeza das salas nas quais funcionam tais turmas. Isso tudo é um absurdo, porém, com conivência de diretores municipais e com a imposição dos gestores municipais. Isso não caracteriza exploração de mão-de-obra?