Sísifo
Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
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De Miguel Torga, poeta português.
Bela poesia, Jeso. Albert Camus também conferiu uma bela interpretação a esse mito no livro O mito de Sísofo. Certamenete, a curiosa situação a que Sísofo se submete, contrariando as leis da Física, é bom exemplo da condição humana, da existência em sua plenitude ou das condições do existir. O não entender os desígnios e ter de se submeter, sem saída, às condições impostas – que abatem e impulsionam o homem-sísofo – atualiza o mito.