Essa que eu hei de amar…

Essa que eu hei de amar perdidamente um dia
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a essa alma escura e fria.

E quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia,

quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste…

E falou-me de longe: “Eu passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!”

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De Guilherme de Almeida, poeta brasileiro.

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4 Comentários em: Poesia

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  • Isadora Tapajós disse:

    Doce Poesia que se abre em flor, num espaço acolhedor.

    Parabéns Professor Jeso, você é um Antologiador Ma-ra-vi-lho-so. Esse espaço em teu blog é um Cantinho de Paz com pedacinhos de Céus Poéticos. Mais uma vez, Parabéns pela seleção de Poesias tão belas.

    Todo Sucesso do mundo pra Ti!

    1. Jeso Carneiro disse:

      Que bom que tu tens gostado, Isadora. Mande também as suas sugestões. O espaço é nosso, de todos que gostam de poesia.

  • Tatiana Lobato disse:

    Essa é uma das minhas poesia favorita. Na época de escola CDA tínhamos de aprender uma poesia para recitar no início da aula de português, eram 5 alunos diferentes por aula.
    Assim conhecir muitos poetas, no qual Guilherme de Almeida está incluindo. Essa foi a primeira poesia dele que aprendir e recitei, simples, linda e inesquecível

    1. Jeso Carneiro disse:

      Quem lecionava literatura pra ti nessa época, Tatiana?