Poetas amazônicos

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O ladrão

Quando o amor bate à porta, e é madrugada;
E se o frio te percorre o corpo inteiro,
Fica quieto e reduz teu candeeiro,
Não te movas por nada. É uma cilada.

Mas se o amor insistir em ter entrada,
Sob a jura de ser bom mensageiro,
Não o escutes, o amor é traiçoeiro.
Roubará teu sossego e tua morada.

E, contudo, se o amor te achar no sono,
Se vier surpreender-te adormecido,
É chegado teu fim. Tudo é perdido.

Viverás condenado ao abandono.
De ninguém, nem de ti, serás mais dono.
Não relutes, paciência, estás vencido.

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De Orivaldo Fonseca, poeta amazônico do Pará (Belém).


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