Poetas amazônicos

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Eu mesmo

Talvez eu morra sozinho, abandonado,
Mas vou morrer sendo eu mesmo
Não me transformarei a esmo,
Serei sempre assim, determinado

Mudando pra fazer sua vontade,
Passo a ser você e não mais eu
É como se … de crente, eu virasse ateu
E o amor se transformasse em caridade

Se tiver que ser assim do seu jeito
Eu morrerei com saudades de mim
Definharei, anteciparei meu fim
Imaginando mudar já dói-me o peito

Enquanto eu tiver disposição
Serei a mim fiel, eternamente
Serei comigo sincero e complacente
Senhor do meu pensar e da minha ação.

———————————————–

De Floriano Cunha, poeta amazônico nascido no Pará (Santarém).


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16 Responses to Poetas amazônicos

  • Alma Cabocla,

    Esses singelos e verdadeiros versos ( quanto a mim ), não são mais somente meus. São do mundo.
    “…traços meus se juntaram aos teus na trama ancestral que trouxeste…” – Yollanda Jordão Breves, poetisa portuguesa.
    Pode usar à vontade as frases que quiser.
    Obrigado e abraços.
    Floripa.

  • Namastê, Floripa!
    “Quando alguém encontra seu caminho precisa ter coragem suficiente para percorrê-lo. As decepções, as derrotas, o desânimo são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada.”
    Caminha nessa estrada e a tua coragem e o teu coração te guiarão.
    Abraços fraternos.

  • Flô,

    Me fazes pensar sobre os motivos que nos levam a querer entender e julgar o comportamento alheio… Falta do que fazer???? Talvez falta de lucidez.

    “…tentamos ser o que não gostamos para agradar pessoas que não gostam da gente…”

    Abração, Ó grande mestre da pomba…kkkk

  • Faces… Minhas faces…

    Sou a face, sou tua face,
    sou a face do anjo, do mal,
    do bem, do amigo, do inimigo,
    do irmão, do pai, da mãe, do louco,
    do normal, do diferente, do “tal”, do simples,
    do idiota, do perfeito, do mar, do rio, da chuva,
    de todas as águas, do sol, da lua, do vento, da terra,
    das árvores, dos pássaros, de todos os animais…
    Sou as faces das mãos, dos olhos, da boca,
    dos ouvidos, dos cabelos, dos pés, da cabeça,
    das pernas, do braço, de todo o corpo…
    Sou a face de um mundo imundo, justo,
    ingrato, bom, nojento…
    Sou a face de um mundo que não existe,
    de todos os mundos, sou a face do invisível,
    do que mais chama atenção…
    Sou a face de Deus, sou a face “Dele”…
    Sou a face do coração, do amor, do ódio,
    da paixão, do riso, da tristeza, da felicidade,
    do choro…
    Sou a face da criança, do adulto, da mulher,
    do homem, do mendigo…
    Sou a face, sou a minha face…

    (Santarém-Pará, 10/03/2008)
    Aramis de Castro

    1. Jeso

      Professor,,, Justiça seja feita : Esse cantinho poético deveria ser chamado de ‘CÉU POÉTICO’.

      E eu lá ainda tenho adjetivos suficientes para engrandecer estes poetas ? Que coisa bonita, cada verso inserido num contexto maravilhoso.. ímpar. Parabéns Jeso pela disponibilidade do espaço aos poetas e aos poetas pela singularidade, simplicidade e bom gosto das suas obras.

  • EPITÁFIO
    Ignoro o dia da minha partida,
    Por isso mesmo, decidi VIVER,
    Tudo aquilo que não vivi.
    Resolvi sorrir mais,
    Brincar mais,
    Falar menos,
    VIVER MAIS…
    Não sei quando irei partir
    E já não me preocupa mais,
    A idéia de partir,
    VIVI, E VIVI, AMEI, FUI AMADO, SONHEI, SOFRI,
    Não quero mais sentir dor…
    Serei o senhor de minha razão e de meu destino,
    Soberano absoluto de minhas vontades…
    Chega de dor,
    Chega de fuga,
    Chega de meios caminhos,
    Serei eu a conduzir o meu destino
    Serei eu o timoneiro a enfrentar as tormentas que encontrarei…
    Não me quedarei mas a covardia, nem a dor, nem a inércia…
    Não quero e nem preciso da piedade dos outros,
    Nem mesmo as minhas deficiências…
    Quero poder escolher o caminho a seguir.
    E aos que um dia amei,
    Que sejam felizes, mesmo depois de minha partida…
    Que eu não seja uma lembrança,
    Nem uma saudade,
    Mas uma imagem de alguém que passou,
    E deixou algo,
    Na vida daqueles que cruzei os caminhos…
    Seguirei a amá-los em outro plano,
    Em outro caminho,
    Pois o amor verdadeiro, esse é imortal,
    Infinito, eterno, como a alegria de viver…
    (ALMA CABOCLA)

  • O meu “cumpadre” e irmão, Floripa tem a poesia nas veias. Ele é o único que eu conheço em Santarém capaz de misturar o amor com temas abissais como ‘supracitadamente’, a morte. E ele não se encerra com aquela gama de masoquismo dos (neo) românticos seguidores do Álvares de Azevedo e congêneres. Ele é ousado. Discorre com a segurança de um Vitor Hugo (inaugurador da técnica de associar o grotesco ao angelical, como o Corcundra de Notre Dame) e a ousadia desafiadora de um Charles Boudelaire. É claro que hoje ele nbão mais escandaliza o juizo daqueles “educados adoradores da poesia singela”. Mas, vá lá, poeta. Maldito ou não, seja um poeta disposto a nunca fazer subversinhos, e sim subversões.

  • Magnifica poesia. O poeta prefere pagar um preço alto para ser ele mesmo, e na vida a busca pelo nosso EU MESMO é muito importante.

  • Talvez , se eu viver cercado de gente,
    talvez , se eu fizer o que os outros querem,
    talvez, se eu ceder as tentações dos bajuladores,
    talvez, se eu me entregar as risadas amarelas dos amigos-da-onça,
    talvez se eu fizer tudo isso… eu adquira uma gastrite, uma úlcera q/ vire um câncer.
    O certo que eu sei que é muito melhor viver bem, ter Deus no coração, ter uma família q/ me apoie,
    ter um amor que me aceite como sou,
    ter poucos amigos mas francos, nos quais eu possa confiar, q/ dizem a verdade sem rodeios.
    É melhor viver só e bem, na companhia de um bom livro..
    Do que viver cercado de cobras e morrer antes do tempo .

    1. LIRICO, FILOSOFICO, PROFUNDO, gostaria que vc me permitisse usar essas frases em um poema, ou em uma cronica.

  • Enquanto eu tiver disposição
    Serei a mim fiel, eternamente
    Serei comigo sincero e complacente
    Senhor do meu pensar e da minha ação….

    VIVO ESSE DILEMA, DESDE QUE ADOECI, SENHOR DO MEU PENSAR E DA MINHA AÇÃO…

    O FLORIANO TAVA INSPIRADO…

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