por Helvecio Santos (*)
Sentindo-se ofendido com as denúncias que faço do esforço que povo e governantes, em grau maior ou menor, dependendo da oportunidade, fazem para destruir Santarém, um cidadão disse no Blog do Jeso que eu era um “caboco que viu outras luzes e ficou besta”. Gargalhei e até hoje gargalho, pois afirmar isso sobre mim é hilariante.
“Caboco” é um pejorativo derivado de caboclo, numa tentativa de diminuir quem é referido e que nega ser caboclo o que, no meu caso, não se aplica.
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Homossexualidade e catecismo.
Que venha a Páscoa!.
Carta aberta ao prefeito eleito.
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Orgulho-me e brado aos quatro cantos que sou caboclo nascido e taludado nas cheias e vazantes do beiradão, banhado no Amazonas, corado e lavado nas areias e águas do Tapajós.
Também não vi somente “outras luzes”. É uma afirmação muito pobre. Verdadeiramente já vi muitas outras luzes e para quem o horizonte terminava na Ponta Negra até os 17 anos, penso que Deus me deu muito mais do que pedi. Sem rodeios, peço que Ele continue me abençoando.
Quanto a “ficou besta”, esta foi de lascar! Beira a pecado! Meus amigos da Garapeira, do Bar do Dadá, a Martinha do Nossa, a Noca, a Margarete Shiba (do box do Mercado Modelo), meus amigos “boleiros” do LEÃO ou do contrário e tantos outros amigos que encontro trabalhando ou comprando no Mercadão 2000 e em tantos outros lugares, falam por mim.
E para quem resistiu a este longo papo, explico que só voltei ao assunto para dizer que infelizmente, o “cidadão” vai ficar outra vez aborrecido e vai precisar arrumar outra bandeira para tentar me incomodar, o que será difícil.
Bom, vamos ao que interessa!
Recentemente voltei de uma visita a “outras luzes” e estou com raiva pois entra ano, sai ano, vem enchente, vai enchente e o caos na nossa paróquia só aumenta.
Na cheia é porque nada se pode fazer com a água em cima. Na vazante o silêncio é sepulcral.
Canso de ouvir músicas louvando Santarém e próceres dizendo que nosso destino é o turismo, acrescentando, com pompa, “sustentável”. Dizer sustentável dá status.
Bela cantoria, belos discursos, na prática, nada!
Na “outras luzes” que vi, há banheiros limpos por toda parte, turismo receptivo acessível, indicações de lugares, calçadas niveladas, trânsito humanizado, o turista é tratado como alguém importante na economia e até as faxineiras do hotel falam no mínimo dois idiomas, sendo que algumas arranhavam o português e todos se esforçavam para facilitar a vida do visitante.
Em Santarém, quantos gerentes de hotel falam outra língua?
Na última vez que aí estive o banheiro do Terminal Fluvial e que também serve a pizzaria estava imundo, a ponto de provocar vômitos. Perguntei de quem era a responsabilidade pela limpeza, informaram-me que era da prefeitura e que era feita todas as quintas-feiras. É possível atender um turista nessas condições?
No Bosque Vera Paz a recepcionista só falava português. Perguntei sobre o banheiro e ela disse que ainda seria inaugurado, que seria cobrado e a chave ficaria naquela recepção, uns cinquenta metros do próprio. Como os quiosques já vendiam bebida, perguntei se alguém precisasse urinar o que faria? Ela deu de ombros e ambos olhamos o tronco das poucas árvores do “Bosque” (sic).
Imagino o turista usando o tronco de uma árvore e sendo atacado por formigas de fogo. Será que voltaria? Não ao tronco mas, a Santarém?
Há pouco tempo, no Blog do Jeso, uma santarena publicou fotos de turistas que vagavam sem ter receptivo, sem ter onde descansar e se proteger do sol no cais e por óbvio, sem ter banheiro, caso precisassem e isso para citar algumas carências.
Essa é a vocação santarena para o turismo?
Lá fora é diferente. Tudo está à mão e com facilidade. Como podemos sonhar em ganhar dinheiro com o turismo? E ainda há quem argumente: “é isso que ‘gringo’ gosta”. Ora, chamar de gringo é um depreciativo bastante agressivo e pelas “outras luzes que vi”, posso afirmar de cadeira que gringo não gosta de não ter onde urinar, não gosta de não ter onde se abrigar do sol, não gosta de não ter um receptivo, não gosta de não ter informações, não gosta de ver esgoto a céu aberto, não gosta de ver urubus mergulhando em caçambas de lixo, não gosta de tomar banho de sangue de peixe no Mercadão, não gosta de não ter um bom restaurante à mão e outras coisas mais.
Santarém tem tudo para ganhar muito dinheiro com o turismo, mas não com a estrutura que temos ou, melhor, que não temos.
O turismo é um filão mundial, mas é necessário estrutura e pessoas que conheçam e que queiram fazer acontecer. Só blá, blá, blá, não basta. Não é preciso dizer que os governantes, assim como eu, conhecem “outras luzes” e sabem o que é preciso fazer. Então, mãos à obra!
Já o povo precisa tirar a trave dos olhos e votar em governantes que queiram fazer do turismo uma fonte de renda para o Município, pois ainda há beleza, mas não há estrutura.
Santarém há muito está na UTI e só louco pode acreditar que doente em UTI tem atrativo para ser visitado. A exceção é visita de parente.
Sou caboclo, FILHO de Santarém, AZULINO pela graça de Deus, razão do meu permanente grito de socorro e de minhas visitas anuais.
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* Santareno, é advogado e economista. Escreve regularmente neste blog.
Muito boa exposição de motivos. concordo com todas as opiniões elencadas no texto. Também sou “caboco” santareno e por obra de Deus tive que buscar outras luzes também. Isso me permite a colocar minha opinião nas situação caótica em que se encontra Santarém. Moro no Distrito Federal e por sorte minha é uma cidade planejada e por maus governantes a tornaram uma cidade inchada, mas ainda com qualidade de vida e com perspectivas de conforto.
Jamais poderia comparar a qualidade de vida daqui com a de Santarém, a diferença é abissal. Mas não custaria nada os governantes daí copiarem as boas ações praticadas por aqui. Respeito ao turista, ruas sinalizadas, ruas com calçadas, respeito às pessoas nas faixas de pedestres, cidade limpa e boa receptividade com quem vêm de fora. São ações simples que poderiam ser desenvolvidas em Santarém. Pra isso basta vontade politica e nem deve ser importado um prefeito do sul para executar isso.
Fico triste quando retorno a minha cidade e a encontro abandonada em todos os setores. Nada funciona a contento. Ao ir para o Sairé no ano passado pois ainda me encanta juntamente com as belas praias de Ater do Chão, caso contrário teria tomado outro rumo onde pudesse encontrar uma infraestrutura que me proporcionasse lazer, segurança. tranquilidade e menos transtornos. O sacrifício começa na chegada onde um aeroporto não oferece conforto a ninguém. O serviço prestado por taxista é horrível, o cara acha que todo mundo é otário, quer se dá bem ao cobrar o valor da corrida, usa a velha malandragem, dando voltas mais longas para chegar ao local de destino do passageiro. O tratamento oferecido em qualquer loja que se vá fazer compras é deselegante, funcionários sem preparação alguma, te recebem com mal-humor, não se vê a preocupação de deixar o turista bem a vontade e tem como lema: se quiser compra, se não vá embora e com isso perde a economia local.
Mais o cúmulo no meu ponto de vista e nesse momento meu deu saudade de Brasília, e pior estava na minha Terra , na cidade que nasci, foi ao tentar usar Caixa automático de Banco e não consegui. Rodei de táxi em todos os lugares que o taxista sabia que lá existia um caixa e nada, ele só se desculpava por um serviço que não era dele, coitado dele, pois não tinha nada a ver com aquilo, ele simplesmente se solidarizou com o meu sofrimento.
Sobre os serviços oferecidos nas barracas em Alter do Chão não devo nem comentar pois é de um amadorismo total. Infraestrutura para turista não existe. Há um banheiro público mas para poder usar quem tá na Ilha tinha que voltar pra Vila, pois na Ilha não havia nenhum.
A maneira que os alimentos são manipulados nas barracas da Ilha tenho certeza que nunca foram vistoriados pela Vigilância Sanitária. Total falta de higiene.
Para resumir Santarém precisa sofrer um choque de gestão quanto ao setor turístico. Pra iniciar deve ser elaborado um Plano Turístico para a região onde possa englobar: Universidades, Poder Público nas três esferas, setor hoteleiro, Associação comercial, indústria de turismo, SEBRAE, SENAC, SESI, Imprensa e a sociedade. Para que cada um pudesse participar com sua experiência na sua área de atuação e alavancar o turismo santareno.
Santarém precisa e deve ser melhor tratada não precisa importar nenhum prefeito do Sul para desenvolvê-la.
Gervásio
Brasília – DF
Assino embaixo , Sr Gervasio. As medidas sugeridas com certeza, se aplicadas causarão resistência das pessoas, que trabalham nessa área. Precisam mais de empenho do que de dinheiro. Vamos lá D Irene, faça a diferença.
Kátia, Heliana, David, Giselle, Telma e Anisio, obrigado! Vamos continuar insistindo, quem sabe um dia nossos prefeitos deixam de partilhar em cotas políticas a governança, servindo nacos a partidos ou políticos como pagamento de dívidas de campanha, como se estes tivessem mais do que um voto, ou abrigar apaniguados no mais das vezes inadequados para as nomeações e verdadeiramente governar para o povo e pelo povo? Anisio, creio que tenho a idade do seu pai mas me sinto melhor sem o “seu” antes de Helvecio, é possível? Telma, o Rio está um canteiro de obras mas certamente quando a poeira passar ficará mais lindo. Procure-me quando aparecer. Pergunte ao Jeso como me achar. TAPAJOARAMENTE AZUL,
Sou cabocla, filha de Santarém – e pantera graças a Deus 🙂 – e subscrevo na íntegra o seu texto. Sou formada em Turismo, trabalhei muitos anos na área e uma das minhas grandes questões era: como divulgar um produto que não existia?
É claro que a beleza da nossa terra é inquestionável, mas ela sozinha não forma nenhum produto de qualidade. Turismo é uma soma de atrativo, infra-estrutura e acesso.
Hoje moro em Portugal e quando falo, com orgulho, que sou de Santarém, do Tapajós, da Amazônia, todo mundo arregala os olhos e diz que era um sonho conhecer a minha terra!
Mas o sonho não pode se tornar um pesadelo! Tem que se investir em infra-estrutura! E quando digo infra-estrutura, não digo que seja só para receber os turistas, a infra-estrutura tem que ser para a cidade e para os cidadãos…sejam eles residentes ou visitantes!
Quando a gente passa um tempo fora, é normal haver comparações. Não porque ficamos “bestas”, mas só porque queremos o melhor para a terra que amamos! Os bons exemplos são para serem seguidos e não podemos nos acomodar com as coisas menos boas!
Saneamento básico, infra-estrutra decente, saúde, etc. não devem ser considerados artigos de luxo, devem sim ser um direito que todo cidadão tem para viver com qualidade!
Obrigada pela sua “insistência”!!! A luta deve continuar!
texto excelente, vou falar o óbvio: para se ganhar mais, primeiro há de se investir. Investir em infra estrutura é o básico, não apenas para o turismo, que p mim é consequência, mas, principalmente para a melhoria de qualidade de vida de quem mora aqui.
Concordo em grau, gênero e número com seu texto. Será que teremo que importar um prefeito do sul ou sudeste? Para ensinar nossos gestores locais a trabalharem com “visão” e não apenas com a “vista”?
Belo texto, caro Helvecio. Coerente, como sempre. Outro dia, ao me manifestar neste blog sobre mais rigor na pena em crimes praticados por menores delinqüentes e fazendo um comparativo com outros países, um cidadão comentou que tenho o “complexo de vira lata”. Ora, muito pelo contrario. Amo meu país e minha cidade. Isso náo impede que reconheça o que funciona melhor em outros lugares, em “outras luzes”. Almejar pra gente, o que dá certo e descartar o que não dá. Vivemos em uma das regiões mais linda e almejada pelo mundo todo: a Amazônia. Nao vamos nos contentar com pouco. Isso sim é complexo de vira lata. É baixa estima. Vamos exigir muito. Fazer criticas construtivas. Elogiar nos procedimentos corretos. Continuar votando, votando, tentando, tentando…Abraços tapajoaras,
Ei Helvecio nesta mesma situação quando morava fora, uma figura me ofendeu e disse que duvidava que eu voltaria pra Santarém, a figura só não sabia que depois de planejar e lutar anos por voltar, que no momento das maus palavras, eu já estava de mala pronta e cá estou eu. Amo minha cidade, estou feliz aqui, mas não sou cega. Hoje encontro-o por ai e penso “olha eu aquiiiiiii”!…haaaaaa!
Um dia também li outra pessoa que mora em Santarém dizer para outro Santareno que mora fora ” eu como charutinho e tú comes Robalo”….haaaaaa. Como se isso o tornasse mais e melhor Santareno que os exilados da terrinha.
São essas bobagens meu caro amigo Helvécio. Diga ai ” E o Rio de Janeiro continua lindo”? Ohhhh cidade linda meu Deus!
Parabéns pelo texto, seu Helvécio! Compartilho da mesma opinião.
Esse (meu) lugar, que fica em frente ao encontro das águas, é que deveria ser tão espetacular e desenvolvido, para que ninguém precisasse sair da cidade para ver ‘outras luzes’.
Abraços,
AQ.