Adentrando no centro cultural, demos de cara com um hall rodeado por quadros pintados a óleo. Reconheci poucos rostos, minha mãe, por outro lado, reconheceu alguns a mais que eu. Todas aquelas pessoas – a maioria homens – foram prefeitos e intendentes de Santarém.
Segundo o guia que nos acompanhava, o espaço onde ficava a galeria é conhecido por Salão Barão de Santarém.
A sala em tons harmoniosos de creme e marrom foi batizada em homenagem ao político e militar Miguel Antônio Pinto Guimarães, o Barão de Santarém. Confesso que olhando todos aqueles quadros com ex-governantes de minha cidade, pude ter, mais ou menos, uma noção de o quanto não vivemos nada.
Muitos governaram antes que nascêssemos, assim como milhares foram governados por eles. Cada um teve seu tempo, cada um degustou uma parte da história dessa cidade da qual não pudemos desfrutar.
Virando à esquerda pelo saguão, entramos em um espaço amplo que, graças às suas grandes janelas, era bem iluminado pela manhã santarena, e dividido em três salas menores, onde ficavam expostas peças arqueológicas, grande parte oriunda de coletas e escavações feitas na região.
Claro que não iria perder a oportunidade de falar sobre uma de minhas peças favoritas que é o Muiraquitã.
Os Muiraquitãs – muito comuns em forma de rãs – eram fabricados quase sempre em pedras verdes, como jadeítas, nefritas e amazonitas. Boa parte do acervo foi encontrado na região de Santarém, e lendas contam que o símbolo era considerado um poderoso amuleto contra malefícios.
Baleia no Centro Cultural
Adentrando mais no assunto de peças, outra que me chamou muita atenção fica localizada na Sala de Curiosidades e é o esqueleto da baleia minke que foi encontrada nas águas do rio Tapajós, na região de Belterra.
Essa espécie de baleia habita águas tropicais e frias do oceano e, ocasionalmente, podem penetrar em baías de pouca profundidade, que foi o que aconteceu neste caso. De todo modo, não é muito comum encontrarmos baleias por aí, por isso é uma peça extremamente interessante.
Seguindo mais adiante em nosso tour pela história Santarena, temos a Sala de Leitura Felisbelo Sussuarana, em lembrança ao grande poeta e pai de um querido amigo – Renato Sussuarana. A sala conta com várias estantes que possuem um renomado acervo de obras literárias.
Tudo isso me leva novamente ao meu pensamento de como é lindo ver que uma parte da nossa história ainda se mantém de pé, e que não somente a minha geração, mas também a geração futura poderá vivenciar isso.

Polyane Fróis
É aluna do primeiro ano (ensino médio) do curso Segurança do Trabalho, da escola técnica estadual Francisco Coimbra Lobato, em Santarém (PA). Ela pode se encontrada no…
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Um belo relato, parabéns primeiramente e não tinha conhecimento do curso técnico da escola São Francisco.