
Hannah Arendt, ao relatar sobre o julgamento de Adolf Eichmann, escreve que ele se identificava como um burocrata – frio, sem qualquer senso de arrependimento – aquele que agia sob ordens superiores. Os crimes dos quais ele era acusado não eram seus, eram também do Estado, dos seus superiores.
Os burocratas agem sob ordens daqueles que preferem mandar matar a sujar as mãos com sangue. São do perfil de Pilatos.
A morte de Genivaldo de Jesus, em Imbaúba no litoral de Sergipe, por asfixia em câmara de gás – um Estado democrático que mata em câmara de gás improvisada – permite um paralelo entre Eichmann e os policiais rodoviários federais que sufocaram e assassinaram um homem, que seguia por uma rodovia sem capacete, que sofria de esquizofrenia, cuja única arma eram cartelas de remédios para a doença que o atormentava.
Sem qualquer ameaça aos policiais, foi detido, sufocado e morto, como mostram imagens feitas por populares que se encontravam próximo ao local. Mesmo sob advertências desses populares, os policiais parecem fazer questão de agir sem intimidação das câmeras que desmentiriam as versões da corporação federal.
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Os policiais assassinos – não há outra qualificação a dar – agiram em nome do Estado, mataram em nome do Estado, portanto fazem do Estado – como sempre – um Estado assassino, um Estado bandido, um Estado que mira o perfil de suas vítimas, um Estado que não protege, MATA.
Um dia antes, essa mesma polícia do Estado havia ajudado no massacre de pessoas no Rio de Janeiro. O mesmo Estado que fuzilou e matou com 80 tiros, em 2019, o músico Evaldo Rosa dos Santos. O mesmo estado que mata crianças, pretos, pobres e favelados.
O mesmo Estado que prefere a exclusão e o apartheid. O mesmo Estado que financia viagras, próteses penianas e manjares aos que mandam matar. O mesmo Estado que acolhe corruptos e os torna heróis. O mesmo Estado que não vê problema algum em um presidente dirigir sem capacete – em rodovia federal – mas age com truculência e atos de morte com um homem doente no físico, mas sadio de caráter.
A ação dos policiais no assassinato de Genivaldo indica não só a truculência dos agentes do Estado como também a ineficiência e o despreparo psicológico e humano de seus servidores – que parecem treinados apenas para matar.
A ação desastrada e assassina dos policiais da Polícia Rodoviária Federal desenha exatamente a ineficiência do Estado, que não sabe agir quando necessário. Quando age, age para matar.
Quatro policiais rodoviários, despreparados, sadios no físico, mas doentes no caráter, preferiram matar asfixiado em câmara de gás improvisada um homem doente fisicamente a agir para lhe preservar a vida. Não tiveram capacidade física nem mental, muito menos humana, para conter um único homem que se via numa situação anormal para ele.
É esse o perfil do Estado, o Estado brasileiro. Um Estado, sob o manto de um governo amante de torturados e genocidas, que prefere a morte à vida. Que prefere os balcões dos negócios a investir em educação para tornar mais humana uma polícia que age contra trabalhadores, pretos, pobres e favelados como se estivesse lutando contra o seu pior inimigo, passível de morte, e morte com gás. UM ESTADO ASSASSINO.
— LEIA também de Joaquim Barbosa: Homeschooling no Terceiro Mundo.
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Acho muito lamentável e triste estas barbáries cometidas pelo Estado brasileiro, onde privilegia o porte de armas, ao invés de privilegia a educação e a saúde do nosso povo.