Olha eu aí de novo, gente!

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por Helvecio Santos (*)

Blog do Jeso | Helvécio SantosHouve um tempo, curto tempo, que trabalhei como locutor comercial da ZYR-9-Rádio Club de Santarém, “falando do coração da Amazônia para os céus do Brasil”, e o “céus” terminava na Ponta Negra, onde as ondas alcançavam. Meu horizonte terminava aí.

Nessa época, fruto de um episódio vivido com um colega que voltou de nariz empinado depois de um período em Recife e que muito me marcou, prometi a mim que se algum dia eu saísse de Santarém, a saída seria como uma noite bem dormida depois de ouvir as histórias ou estórias do mestre Balão nos bancos da Praça do São Raimundo ou de uma sessão no Olímpia.

Hoje, quando volto a Santarém, cumprimento meus amigos e conhecidos como se tivesse dormido na casa de meus pais aí na 24. Sem afetação, sem buscar aplauso, sem fingimento.

Assim ajo e isso me faz um bem muito grande. Não é favor nenhum e aliás, se favor for, é dos amigos e conhecidos que não esquecem deste fervoroso AZULINO.

Estou em vias de voltar para meu banho anual de santarenice e continuar os papos interrompidos. No meu singelo linguajar, estou em CAF, sigla de Crise Aguda de Felicidade, e haja felicidade! Digo crise, pois só uma crise pode me fazer mais feliz do que sou. Nisto Deus pegou mão cheia comigo!

Amigos de HelvecioPlantel de amigos de Helvecio: Arnaldo, Cristina, Mirika, José Ronaldo e Pedrinho

Estou rindo até de injeção na testa e, afinal, como não rir?

Estas viagens transportam-me a meus tempos de LEÃO, de manhãs de domingo na Coroa de Areia; de pesca de charutinhos de “enterra” e de caratingas de “panela”; de paqueras no São Raimundo ou Matriz, rodando em torno da praça que nem boi de engenho; de festas no Fluminense do “Seu” Élvio ou no Veteco do Mestre Pingo; de sessões de cowboy no Cine Olímpia; de sorvete tip-top na sorveteria Pálace; de mergulho de flecha do toldo dos barcos; de “cortadas”de papagaio com linha trinta e cerol de para brisa de avião; de E-20 Show com Ércio e Ednaldo; de quermesses no Santa Clara, muito embora personagens das cenas de outrora, estejamos todos com a neve do tempo na cabeça.

Mas, que importa? É uma Santa um pouquinho maior mas, para mim, com os mesmos atrativos que um dia deixei nos papos das noites de brisa amena sob os jambeiros do São Raimundo ou dos benjaminzeiros da Matriz.

Irei lá na Borges abraçar o Dadá, sempre atrás do balcão “vestido” com seu melhor jaleco branco, a estender “ampolas” geladas colhidas na hora do freezer para o meu amigo Zé (Dr. José Ronaldo Dias Campos), elegantemente sentado na poltrona de maior destaque do recinto social, numa estratégica distância, cujo único esforço é estender o braço para acolher as “louras”.

Irei à São Sebastião abraçar a Noca e entrar na fila do mingau e à noite degustarei uma farofa de piracuí com banana acompanhada de umas “geladas”, contraponto do calor das irmãs nota 10, Marcia e Martinha, do Nossa.

Se conseguir carona irei ao Campo do Papai Agostinho assistir o amigo Rubem (Dr.Rubem José Dourado da Fonseca) lembrar os tempos do vigoroso meio de campo da nossa turma do Dom Amando. Por mim ele não se esfalfava tanto mas, fazer o que? Ele sempre foi competitivo, não gosta de perder nunca e, para meu sossego, é médico.

Mesma condição se aplica a uma ida ao Aramanaí abraçar o velho e querido Carne Seca e ouvir suas sempre belas histórias de seus tempos de LEÃO. Se der tempo dou até um mergulho.

No primeiro sábado que aí estiver irei visitar o Cacheado e os “senadores” da Garapeira e ouvir uma seresta naquela “lua” de 40 graus. Mas, convenhamos, qualquer esforço vale para abraçar “políticos” do top do Rubão, do Juarez, do Cinquinho, do Miguel Coruja, do Pedrinho Araújo, do Herbert, do Arnaldo Lopes e tantos outros. Se der sorte, quem sabe o Cupu me convida para a festa de Fim de Ano do Stopim? E quem sabe eu entro na lista elaborada pela turma do Stopim dos 10 mais do esporte santareno?

Irei ao Mercado Modelo abraçar minha querida Margareth Shiba, falar sobre nossa querida professora Jercira do Valle, falar sobre meus tempos santarenos de dureza e dar umas boas gargalhadas. Quem sabe este ano ela se convence que eu mereço crédito, me fia umas verduras e encerra o papo com o seu: “Leva, depois paga!”?

Irei ao Mercadão abraçar o Miro, o Pé de Bola, vendedor do melhor acari do Tablado, topar com o Pedrinho Moreira, o Raimundo Gonçalves, o Bekenbauer, o Sujeira e quem sabe até o Bigorrilho? O Pé de Bola vai me sujar todo de peixe mas o que é uma camisa em troca de um abraço que se repete desde os anos 70 do século passado?

Se der sorte assistirei um show da minha querida Cristina Caetano e da não menos Maria Lídia, talvez no Theatro Victórya ou no Boteco. Quem sabe? Deus é Grande e Ele nunca falta em socorro dos que o recebem no coração.

Se der sorte também serei atropelado no cais pelo carrinho de bebê que o tempo incorporou ao patrimônio da minha queridíssima vovó Mirika. É a vida, a fila anda, os espemartozóides correm e os óvulos precisam sorrir. Os netos puxaram a avó. São lindos, serão jovens lindos como foi a avó e serão avós lindos como todo ano eu comprovo vendo minha amiga. Olhos de paixão que o tempo soma.

Se der sorte o Jeso não me deixará esperando no Terminal com minha cerva esquentando e quem sabe até toparemos o Paulo (Prof.Dr.Paulo Lima) para um dedo de prosa sempre edificante? E se o Jota chegar? Aí não será um dedo, será uma mão de prosa.
Vou passear no Cais, no Parque, vou procurar os amigos.

Não sei se irei a Alter. Lógico, nem ninguém nem Alter irão lamentar. Somente eu lamentarei mas prefiro pensar naquela Alter que um dia conheci e que me tirou o fôlego.

Na Alter de hoje não gosto de areia suja de restos de peixe e consequentemente moscas e formigas; não gosto de esgoto na orla, como vejo em frente a um hotel; não gosto da sujeira nas ruas; não gosto de músicas de mau gosto disputando som altíssimo; não gosto de louça mal lavada e engordurada; não gosto de garçon mal humorado achando que está fazendo favor ao servir; não gosto de banheiro no matinho ou dentro d’`agua mesmo; não gosto de preços escorchantes, que não correspondem ao serviço e produto servido; não gosto de espantar “charutos” com a mão; entre outros.

Certamente irei ao Tapari comer um peixe, uns cajus colhidos do pé, tomar um café passado no saco de pano e jogar uma conversa fora com o Maxico e Isabel, até que os carapanãs me espantem.

Isto é parte do meu tratamento anual no SPA rejuvenescedor chamado Santa Santarém. Minha agenda é bem mais extensa, mas vou parar por aqui.

Sou caboclo amazônida com muito orgulho, nascido no beiradão do Amazonas e curtido no verde/azul do Tapajós. Se tenho um defeito, é de ser besta, e assumo. Sou besta sim, mas não por mim. Meus amigos me fazem besta. Afinal, um cara que saiu daí há 43 anos e pode desfilar esse ecumênico rol de amizades, tem que ser besta. Não acham?

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* Santareno, é advogado e economista. Reside no Rio de Janeiro, de onde escreve regualrmente neste blog.


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É advogado e economista santareno, residente no Rio de Janeiro. Ex-jogador e torcedor do São Francisco.

8 Responses to Olha eu aí de novo, gente!

  • Helvecio meu amigo ,show de texto. Vc sempre nos brinda com maravilhas como essa.E uma alegria lê-lo . Bjos na patroa. Abracao de sempre

  • Reconheço que com essa eu não posso competir, mas como sou uma mulher apaixonada e a paixão nos induz a atitudes extremas, me rendo e compartilho com voce esse amor pela “outra”. Chego na madrugada, sem estardalhaço. Mas, não se engane! Chego disposta a enfrentar todos os ataques da minha ÚNICA rival: calor, insetos… Se não posso com ela….junto-me a ela. Viver esse triangulo é para os fortes e o teu amor me faz forte!.
    Estou chegando e juntos, mais uma vez desfrutaremos a sua, a nossa Pérola!
    Te amo.

  • Ainda bem que tu estás aqui de novo!!!!
    Meu amigo/amor, AMEI seu texto, sempre carinhoso qdo falas em mim. será??? hehehe. Estou em CAF também, pois só uma crise mesmo…de nome Helvécio, para me deixar mais feliz do que sou. Nem tinha lido ainda qdo te dei aquele “abraço” no “caís”… imaginas só depois de ler.!!! Olhos de paixão que o tempo soma.(adorei essa frase).
    São muito gostosas tuas lembranças de nossa Pérola. Só doido mesmo como nós pra sermos tão apaixonados por ela né???Pois como te falei não me ausento por períodos longos de nossa terra para não diminuir essa paixão… Adoro suas conversas e nossas risadas.
    Grata por me colocar sempre no meio dos amigos e pessoas queridas por vc.
    grande beijo de sua eterna amiga Mirika

  • Meu caríssimo Helvécio, bom dia!
    Fique certo que a “Terra Querida” o agrada de braços abertos.
    Abraços do Laudelino Filho.

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