Como manter acesa a luta tapajônica

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Do professor doutor Manuel Dutra, a propósito de um comentário (de Samuel Gueiros) sobre o artigo O maior erro do Movimento Pró-Tapajós:

Caro Samuel Gueiros,

Em atenção à tua sugestão aqui no blog do Jeso, respondo o seguinte:

Os apóstolos do “não” parecem incomodados com o prosseguimento do tema “Divisão do Pará”, especialmente com a média dos 95% do Tapajós no plebiscito. Se “ganharam”, por que muitos comentadores aqui no blog do Jeso parecem querer abafar o assunto? Certamente percebem que o assunto não morreu, bem ao contrário, o grande sonho dos defensores do “não” virou fumaça, já que eles imaginaram que nas regiões “separatistas” haveria uma votação pífia.

Enganaram-se.

Quanto a uma “divisão vinda de cima”, de que falas, isso foi imaginado pelos políticos do Baixo Amazonas durante a ditadura, quando o município de Santarém foi posto sob a lei das áreas de segurança nacional. Aparentemente, nada custaria aos milicos assinarem um papel criando o Estado ou um Território Federal. Mas não o fizeram, inclusive por causa da fraqueza dos grupos políticos da região, mesmo sendo submissos ao regime militar.

Após o plebiscito, só vejo uma forma de prosseguir a luta: manter acesa a chama dos 95% e:

1. Criar, na região Oeste ou Baixo Amazonas, fatos políticos relevantes que chamem a atenção permanente do poder central brasileiro sobre essa secular manifestação de inconformismo; manter uma campanha cuja data de terminar será o dia da emancipação;

2. Esses fatos relevantes devem extrapolar o ambiente político-partidário, sendo os políticos, com mandato ou não, apenas participantes de um movimento social amplo, que abrigue os mais distintos setores sociais e se expanda pelos diversos municípios do Baixo Amazonas;

3. Atiçar e acender um movimento sócio-político no qual as divergências se abriguem, deixando as disputas partidárias e ideológicas somente para as disputas eleitorais. Dentro do movimento Pró-Tapajós deverá haver um objetivo comum, qual seja, a separação do Pará e a busca de uma nova forma de desenvolvimento que dinamize esse imenso interior da Amazônia;

4. Com a manutenção do movimento em ação, influir nas eleições parlamentares, fazendo campanha para eleger vereadores, deputados estaduais e federais da região e/ou aqueles de outras regiões que assumam claramente, publicamente o compromisso de lutar pela autonomia;

5. Na próxima eleição para governador apresentar, em conjunto com o Carajás, um candidato que possa ganhar a eleição ou obter um volume de votos igual ou próximo aos 95% nas duas regiões, a fim de demonstrar às elites de poder do Pará que, a partir do plebiscito, a conversa ficou bem diferente;

6. Estes fatos assim planejados, organizados e tornados públicos Brasil afora, serão o combustível para as mudanças constitucionais necessárias capazes de eliminar a guilhotina do plebiscito, pois, como se sabe, o plebiscito, da forma como foi criado, veio justamente para impedir a autonomia de novos Estados;

7. Ao mesmo tempo em que o movimento se mantém ativo e criando fatos sociais e políticos relevantes, a articulação política, impulsionada pela base, pelo povo, movimenta-se em Brasília, junto ao Congresso e ao governo, no sentido de obter aos poucos, se não a simpatia, ao menos a tolerância diante da questão;

8. Quanto aos fatos relevantes, para começar deve-se mobilizar permanentemente os jovens dos colégios e das universidades, as igrejas, as entidades populares, os partidos, os empresários, enfim, os movimentos sociais;

9. Produzir coisas como, por exemplo, receber bem e educadamente o governador do Pará e demais autoridades em eventuais visitas à região, sem esquecer de mostrar-lhes passeatas e faixas de descontentamento;

10. Reunir a mídia regional para que saia da mediocridade verificada no plebiscito;

11. Estabelecer o dia 11 de dezembro como data especial e até motivando os vereadores a decretarem feriado nesse dia, que não seria um dia de folga, mas de manifestações as mais diversas, desde concentrações em praças públicas, realizações artísticas, religiosas e esportivas;

12. E, importante, criar, o quanto antes, por meio de concurso público, o Hino, a Bandeira e o Brasão do Estado do Tapajós. A Bandeira deverá ser hasteada nos pontos estratégicos das cidades da região e o Hino divulgado pelas rádios e TVs;

13. Com esses fatos iniciais, demonstrar ao restante do Pará e ao Brasil que a luta pela emancipação não é coisa “de meia dúzia de aventureiros”, mas um movimento da sociedade em busca de construir algo novo no coração da Amazônia, um novo modelo de desenvolvimento com justiça social, rompendo com os mais velhos paradigmas do atraso que marca a nossa gente há séculos;

14. Por fim, dizer claramente ao Pará e ao Brasil que o desejo de emancipação do Tapajós é um direito historicamente adquirido, desde o século 19, e que a luta só vai cessar quando esse direito for reconhecido e materializado.


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28 Responses to Como manter acesa a luta tapajônica

  • O Movimento Tapajós Sempre (MTS), que está sendo organizado por lideranças populares e pessoas das sociedade civil organizada ou mesmo “desorganizada”, já contempla algumas das ideias elencadas brilhantemente pelo jornalista Manuel Dutra.

    Já ocorreram duas reuniões com muitas pessoas que participaram diretamente da campanha e que pretendem dar consistência ao novo movimento, que terá caráter de um fórum permanente de discussão sobre a emancipação regional, além de reivindicatório das principais demandas da região perante o(s) governo(s) do Pará, ao qual ainda pertenceremos de direito (não de fato).

    A intenção das pessoas que se reúniram até o momentpo está exatamente em reforçar algumas das metas traçadas no Manifesto Tapajós Sempre (goo.gl/J5wD5), discutido por lideranças partidárias no dia 19/11/2011, quase um mês antes do plebiscito. Mas apesar de basear suas teses naquele manifesto, o MTS terá caráter APARTIDÁRIO, mas não apolítico, pois a luta pela criação de um novo estado é uma luta política. Isso significa que políticos de mandato poderão participar dos debates, mas NÃO PODERÃO liderar o movimento sob pena de dar-lhe um conteúdo partidário. Acreditamos que esse foi o problema dos muitos comitês e frentes criadas desde os anos 1980, na organização do anseio mais que secular de nos emanciparmos de Belém, o verdadeiro Pará do NÃO.

    O próprio Manuel Dutra já havia colaborado com estas discussões, ao repassar algumas de suas propostas que estão sendo analisadas pelo MTS, que deve ser lançado oficialmente em 31/12, durante o Reveillon da Orla. Ressalte-se que o movimento busca discutir PRINCIPALMENTE as questões ligadas à região Oeste do Pará, para a criação do Estado do Tapajós.

    A ideia dos que participaram dos primeiros contatos para a criação do MTS, é ampliar esse debate principalmente com as lideranças políticas e sociais dos municípios que disseram SIM, no plebiscito. O MTS deverá ser um movimento de massas e respeitará o que já foi feito pelas entidades que já atuaram até hoje na luta pela emancipação, como Prefeituras, Câmaras Municipais, associações comerciais, ONG´s e entidades como o Instituto Cidadão Pró-Tapajós, mas é intenção deste movimento dar a oportunidade para que o cidadão comum se manifeste e possa participar ativamente, seja pessoalmente, seja virtualmente, através das redes sociais, com ações pontuais e debates em seminários e congressos, e não somente através de seus representantes legais, tirando assim o caráter um tanto “elitista” que sempre permeou o debate sobre a emancipação regional desde os séculos passados.

    Participaram das primeiras reuniões, para iniciar o debate sobre a criação do MTS, os professores da UFOPA, Raimunda Monteiro, Jackson Rego e Anselmo Colares; o historiador Paulo Lima e o sociólogo Tibério Aloggio representando a Articulação Popular Pró-Tapajós (movimento que congrega ONG´s e sindicatos); os jornalistas Ednaldo Rodrigues, Jota Ninos e Ronilma Santos (integrantes do ICPET), além de estudantes e pessoas do povo que compareceram a duas reuniões, sendo uma na sede do Projeto Saúde & Alegria e outra no Centro Cultural João Fona.
    Outras pessoas serão convidadas na primeira semana de janeiro, para definir a estrutura desse movimento.

    Em breve será informado através das redes sociais como todos podem participar das reuniões. Todos que participam dos debates aqui no blog, estão convidados a contribuir com este movimento. E como o nome já diz, será um “movimento” e não uma entidade constituída, mas que obedecerá uma mínima organização para dar voz ao cidadão comum. E esse movimento só irá à frente se todos se propuserem participar de alguma forma.

  • Vocês moradores do oeste do Pará deveriam parar com essa lenga-lenga de maus perdedores e passar a adotar atitudes realmente positivas para a mudança das condições sociais da região. Chega dessa empáfia ignorante. É hora dos estudantes estudarem, os trabalhadores trabalharem, os políticos administrarem honestamente: só assim poderão ser criadas as condições suficientes para a melhoria das condições sociais do povo. Chega de por a responsabilidade pela própria incompetência nos outros!

    1. E chega também, né Sílvio Félix, de pensar, de refletir, de fazer análise da realidade.

  • Eras Dutra, perfeito, perfeito. O item 9 é o que quis dizer em outro texto, mas não com a tua propriedade.
    Fizestes a cartilha dessa luta, tá tudo ai, agora é só operacionalizar.

    abs,

    1. Infelizmente durante a campanha do plebiscitos foi dito que o povo de Belém era: Egoísta, ladrão, Sem educação e outros adjetivos como se esse tipo de pessoas existisse somente em Belém. Em 2000 fui fazer um serviço em Manaus, onde demos empregos para aproximadamente 800 pessoas por um período de dois anos, mais mesmo assim não escapamos dos comentários maldosos. A luta de Vocês precisa passar por uma reciclagem para eliminar os Políticos corruptos, os aproveitadores de última hora e eleger pessoas com ideias novas e comprometida com a causa de Vocês.

  • Aos meios companheiros do Tapajós, sugiro que todos os anos, dia 11 de dezembro, seja celebrado marchas e passeatas e festivais nas cidades do oeste do Pará para relembrar a votação massiça da região pela emancipação.
    Todas as prefeituras deveria decretar ponto facultativo para relembrar e protestar nesta data tão importante.

  • Seus traíras desgraçados, mal perdedores, se não querem ser paraenses mudem-se para manaús pois lá serão “bem tratados”. Já bercebir que teremos é que dizimar vcs de uma só vez pois queriamos união com todos os paraenses, mas vcs não querem, querem apenas, por uma vaidade burra ( para aparecerem na previsão do tempo do jornal nacional) criar um Estado falído (conforme dados oficiasi divulgados no dia 20 pelo Ipea). Então como somos o triplo de vcs iremos dizimar todos od traidores do Pará que moram na região oste do Estado e os verdadeiros paraenses irão ocupar essa região e parar de vez com essa história de divisão. Eu irei mais uma vez a Santarém-Pa em julho próximo e irei com minha camisa do não a divisão, que quizer me encontrar e debater eu irei posteriormente colocar lucal e data para os covardes aparecerem.

    Ass Sangue cabano

    1. Pode marcar… Vamos ver quantos “covardes” vão aparecer lá…
      Só uma coisa, antes de vir se mostrar de bambambam aqui, traga melhorias e não essas idéias hitlerianas de eugenia e holocausto…
      Isso reflete bem o que uma boa parde do povo do Grão Pará realmente são…
      Só para constar, já que você nao sabe: A MAIORIA DOS CABANOS era do Interior e não da Capital…

    2. Kkkkakkkkkkkk

      Duvido que tu seja macho o suficiente!!!!

      Estamos te esperando aqui, e vê se vem de mala e cuia e começa a povoar o Oeste do “teu Pará”

      hauhauuahuhauha

  • Prezados,
    Modestamente, insisto na necessidade de se ter como base para a aplicação de todas as sugestões relacionadas pelo Manoel Dutra, a imediata melhora da AUTOESTIMA da população de Santarém, em especial, e dos demais municípios que poderão integrar o Estado do Tapajós.
    E isso deve se dar com a melhoria das condições de vida da população. Falo de infraestrutura básica: saneamento, saúde, educação, transportes, para ficar nos mais elementares.
    Uma cidade saneada, com boa acessibilidade, limpa, boa estrutura de atendimento na área de saúde e transportes por certo encheria de ORGULHO seus filhos natos e os que a escolheram para ali viver. É fazer o dever de casa. Simples assim…

    1. Tudo isso que o Sr. Luiz Aurélio citou só será atingido com a emancipação do Estado do Tapajós.
      Isso , como disse o jornalista Alexandre Garcia, da Globo, a região deixou de receber investimentos de 4 bilhões pelo NÂO a divisão.

    1. Ótima ideia. Seria uma estupenda homenagem que o deputado Antônio Rocha prestaria à memória e história de Santarém. Que tal a ideia, deputado?

  • Caro Dutra…
    Logo depois da consulta do dia 11 de dezembro, algumas pessoas do “não”, especificamente de Belém, me encheram de mensagens AFIRMANDO que O SONHO ACABOU. Que seremos para sempre capachos de Belém, etc… Infelizmente é como o povo da capital vê o “Oeste Paraense”, como capachos… Triste, ainda mais, que pessoas com nível superior, formados em história, tenham esse comportamento. Contudo, isso anima ainda mais a luta.
    Essas metas, colocadas por você, devem ser transformadas em ações, desta vez, pensadas e articuladas não para uma data específica, mas para um Projeto que deve ser a criação do novo Estado.
    Devemos aproveitar a mídia, as redes sociais, a troca de e-mails e informações para manifestar sempre o desejo de criação do Estado.
    A criação do Instituto Histórico do Tapajós e Baixo Amazonas que estamos articulando poderá ser mais um instrumento para que se faça, não somente o resgate histórico da região, mas se mantenha viva a luta histórica pela emancipação que tanto buscamos.
    É hora de deixar de lado as vaidades pessoais e pensarmos no conjunto como um todo. O povo manifestou que quer o Tapajós. Agora é lutar com esperança e com convicção por aquilo que queremos.

  • Muito bom, Dutra. Eles acreditam que vamos nos conformar e engolir o NÃO E NÃO !!

    Devemos dizer, SIM ao TAPAJÓS, todos os dias e de todas as formas. A luta por nossa emancipação apenas começou. O dia 11/12/2011 deve ser lembrado como o dia da morte do parazinho e da nossa afirmação como tapajônicos.

    Parazinho, NÃO E NÃO !!!

    Belém do parazinho, NÃO E NÃO !!!!

    Políticos “PARÁ-quedistas, NÃO E NÃO !!!!!

    Estado do TAPAJÓS, SEMPRE !!!

    Saudações tapajônicas !!!!

    Nilson Vieira

    P.S.: devemos tomar cuidado, ainda, com aqueles que vem aqui pregar uma falsa união, em nome do pará forte, do pará grande, do colosso do norte, numa tentativa de nos envolver em um falso “paraensismo”, que já não nos diz respeito, uma vez que esse sentimento foi explorado “ad nauseam” para desqualificar nossas mais legítimas aspirações de respeito e liberdade.

    1. É o que vocês desejam e pensam que vai acontecer !!! estão redondamente enganados !!!!

      Parazinho, NÃO E NÃO !!!

      Belém do parazinho, NÃO E NÃO !!!!

      Políticos “PARÁ-quedistas, NÃO E NÃO !!!!!

      Estado do TAPAJÓS, SEMPRE !!!

      Saudações tapajônicas !!!!

      Nilson Vieira

    2. acho que vc não leu o artigo completo do Dutra, pois desde os anos de 1880 que se fala nisso; nas últimas décadas esse tem sido o assunto dominante que se intensificou no plebisicito. Você deve fazer parte dos que de fato desejariam que a luta morresse, mas não é o caso, isso não é um modismo ou uma onda só. É um movimento que ganhou inclusive mais articulação ainda no plebiscito. Essas avaliações “post mortem” do plebiscito estão mobilizando ainda mais todos os que votaram no sim, pois acabou havendo uma inconformação geral. A idéia se acentuou ainda mais e está prosseguindo. A Agenda proposta pelo Dutra está bastante adequada e acho que ele deveria iniciar em Santarém um Núcleo de Altos Estudos do Oeste de forma a embasar as idéias do movimento e dos novos políticos que vão surgir.

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