Golpe de 64: uma catástrofe histórica

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Contraponto do professor universitário Válber Almeida, sobre a Frase do dia, de ontem, da lavra de Arnaldo Jabor:

Valber AlmeidaO Jabor parte de uma premissa falsa, um sofisma, para legitimar uma catástrofe histórica: culpar as vítimas pela arbitrariedade e pelo sadismo do algoz, tática típica da elite colonial de Pindorama, para a qual o Jabor presta serviço, mas da qual não é parte.

Não existia uma disputa política entre um modelo socialista e um modelo capitalista a ser implantado no Brasil, mas a disputa entre dois modelos de capitalismo para o país.

A bem da verdade, o que as esquerdas brasileiras que estavam no poder na época desejavam não era colocar o país no caminho do socialismo, mas o inverso, modernizar o capitalismo brasileiro, o que exigia promover reformas econômicas, sociais e políticas.

As “reformas de base” do João Goulart visavam exatamente atacar as estruturas arcaicas da sociedade e da economia nacional, que sempre constituíram gargalos ao desenvolvimento do capitalismo e da sociedade.

Brasil - 1964
A reforma urbana, a reforma agrária, a reforma tributária, a reforma bancária propostas por Goulart e os objetivos por ele perseguidos na educação e nas relações de trabalho, dentre outros, nada mais pretendiam do que fazer o que todo e qualquer país capitalista desenvolvido havia feito: criar as bases de um desenvolvimento sustentado, com base em tecnologia, capital, recursos naturais, humanos e mercado nacionais mais do que estrangeiros.

Não fazer isso significava manter o país dependente de tecnologia, capital, mercado consumidor e recursos humanos estrangeiros, que era o que pretendia a elite colonial pátria e seus aliados estrangeiros -donos de grandes empresas multinacionais que sangravam as riquezas do país e seus governos.

As propostas das esquerdas, portanto, voltavam-se para aprofundar o modelo de desenvolvimento autônomo e nacionalista iniciado por Getúlio Vargas na década de 1930. Sua radicalização previa o fortalecimento econômico do país, o aprofundamento da democracia política e o enraizamento da democracia na sociedade, desenvolvendo o lado social da democracia, por meio do espraiamento de direitos, conquistas e benefícios sociais.

O Golpe Militar desferiu não somente um golpe contra a democracia política, mas contra o modelo nacionalista de desenvolvimento nacional e a democracia social. Há quem se engane, por puro desconhecimento da história, de que os militares brasileiros eram nacionalistas. Nada mais equivocado, dado que nossos generais foram formados dentro de uma doutrina de segurança norte-americana e se comportaram, no poder, como verdadeiros servos dos interesses imperialistas norte-americanos e europeus.

Jamais as riquezas brasileiras foram tão internacionalizadas quanto no período da ditadura; jamais houve tanta sangria de riquezas do país para o exterior; jamais houve tanta concentração de riquezas nas mãos de tão poucas pessoas; jamais se produziu tanta pobreza, miséria e desigualdade; jamais se verificou tanta agressão aos direitos civis, sociais e humanos dos cidadãos.

Há, ainda, aqueles que se autoenganam achando que a corrupção era menor neste período. Novamente, jamais houve tanta corrupção nos bastidores do poder, mas o controle sobre a imprensa e a manipulação de dados impediu que os grandes escândalos fossem divulgados. Foi nesse momento que se consolidou o moderno modelo de Estado altamente corrupto que só funciona à base de grandes negociatas.

Portanto, não era uma questão de capitalismo ou socialismo que estava em jogo, mas uma disputa entre dois modelos de capitalismo para o Brasil: um colonialista e um modernizante. Venceu o colonialista, e se os 21 anos do regime de exceção produziram o país mais desigual e endividado do mundo, isso se deve exatamente ao fato de que jamais o ímpeto imperialista e colonial teve tanta liberdade para se esbaldar.

A Ditadura Militar, no Brasil, foi uma tragédia não somente política, mas também social, econômica e cultural. Devemos a ela a amputação das forças históricas nacionais verdadeiramente modernizadoras.


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8 Responses to Golpe de 64: uma catástrofe histórica

  • Pensemos agora no regime comunista que a senhora Rousseff lutava. Com toda certeza do mundo, estaríamos ainda inseridos nele, não existiria a tão comemorada Constituição Federal de 1998 e o computador que você lê esse texto provavelmente não existiria; ou seja, você, caro leitor, não estaria lendo esse artigo.

    Essa estória faz parte de nossa História e ninguém vai contar pra você.

    Não existiria anistia por via legislativa, inclusive. Nem condenados por mensalão, já que o mensalão é estratégia governista, e não simples ato de corrupção. Temos de ter clareza sobre esse assunto, todo ato de corrupção que emana de um Governo socialista jamais pode ser considerado crime comum e assim mero ato de expediente. Algo que seria comum na ditadura comunista que viveríamos. Se vivêssemos a ditadura comunista requerida por gente como Dilma Rousseff, Genoíno, Fernando Gabeira e outros políticos atuais, seria apenas ato administrativo formal e cotidiano – tal como ocorre na China, Venezuela, etc.

    Foi triste o período, como já dito, mas pensemos abstratamente, em proporções. Isso aqui seria, sim, uma Grande Cuba ou uma China fechada, sem economia de mercado. Mortes, assassinatos, analfabetismo, repressão, partido único (PT, PSOL, PSTU?).

  • Continuamos com esses mandatários?

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    Relatórios da Petrobras mostram gastos com cartão de crédito empresarial de ex-dirigentes da estatal em hotéis de luxo, viagens ao exterior e restaurantes sofisticados. O ex-diretor da área internacional, Nestor Cerveró, em 2007, apresentou conta no restaurante do hotel Fasano, no Rio de Janeiro, no valor de R$ 950; além de hospedagem no hotel Copacabana Palace, na mesma cidade onde mora. Também costumava frequentar o restaurante Osteria Dell Angolo, que serve comida italiana no Rio de Janeiro. Uma das contas ressarcida pela Petrobras no local foi de R$ 600.

    Entre 2005 e 2007, a Petrobras bancou despesas que somam R$ 621.820,00 com cartão corporativo dos dirigentes da empresa no período. Os gastos estão discriminados no relatório de gestão da Petrobras, disponível no site da empresa ano base 2007. O Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU) analisaram os gastos e não encontraram irregularidades.

    O ex-diretor de refino Paulo Roberto Costa também tinha hábitos refinados bancados com dinheiro da empresa pública, especialmente em viagens para o exterior, onde se hospedava em hotéis cinco estrelas. Em setembro de 2007, ele usou o cartão corporativo da empresa para alugar carro com motorista em Estocolmo, numa empresa especializada em aluguel de limusine. Em dois dias, o aluguel foi de R$ 3.409,00. Não há na nota de pagamento a especificação do modelo do carro. Paulo Roberto foi preso na última semana, na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, sob a suspeita de envolvimento com um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

    Cerveró e Paulo Roberto estão no foco da CPI da Petrobras que deve ser criada pelo Congresso para investigar desmandos na empresa. Cerveró foi demitido na semana passada, após a presidente Dilma Rousseff afirmar ao jornal O Estado de S. Paulo que ele omitiu do conselho de administração da empresa em 2006, na época presidido por ela, dados sobre a compra da refinaria de Pasadena. A presidente justificou que “certamente” o conselho não teria aprovado o negócio se tivesse na ocasião tomado conhecimento de cláusulas do contrato.

  • Sem regime de exceção, mas precisamos mudar.

    Dilma entregou só 14 das 513 UPAs prometidas
    Publicado: 27 de março de 2014 às 0:00 – Atualizado às 23:58

    Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), que será divulgado nesta quinta-feira (27), revela o fracasso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) para Saúde e Saneamento, lançado em 2011. De acordo com a pesquisa, a apenas nove meses do fim do prazo, o governo federal só conseguiu entregar 14 das 513 Unidades de Pronto Atendimento (UPA) prometidas para todo o País.

  • Professor Válber Almeida,

    Parabéns por mais esse texto.

    A Ditadura de 1964/1985 produziu uma geração alienada, ignorante e perigosa. Por conta disso, tem gente, felizmente pouca, pedindo a volta dos militares.

    Chico Corrêa

  • Caro Professor em que se baseia suas afirmações ? muito vago seu artigo ! interessante mas muito vago , riquezas internacionalizadas ? corrupção ? quais as fontes ? quais os numeros ?

    1. Caro Armando, que tal você consultar a literatura sobre o modelo econômico de Tripé e verificar quais foram os grupos econômicos que abocanharam a fatia mais lucrativa e a maior parte da riqueza nacional? Que tal buscar saber sobre como as multinacionais mantiveram o colonialismo primitivo no Brasil por meio das estratosféricas remessas de lucros para as suas matrizes e da importação de tecnologia que nos obriga a pagar pesados royalties? Que tal procurar saber quais foram os grandes grupos econômicos internacionais que se aliaram aos grandes projetos minerais implantados no Brasil e, mormente, na Amazônia pelos militares, para saber quem, de fato, abocanhou a maior parte dos nossos recurso minerais, das riquezas do nosso subsolo? Que tal dar uma olhada na literatura sobre o endividamento externo brasileiro, saber dos grandes conglomerados financeiros que sangram desde esta época o país? Que tal conhecer um pouco quem são os principais beneficiários dos projetos minerais implantados na Amazônia e quem é que fica com o lucro maior da imensa quantidade de energia que exportamos através destes minérios? E porque passamos a ser a oitava economia do mundo, mas o país mais desigual da face da terra? Eu não posso lhe esclarecer tudo isso em um espaço não reservado para tal, nem posso lhe oferecer meu material da disciplina Estado e Economia, mas o senhor já tem, acima, um ótimo roteiro para procurar se esclarecer destas questões. Um abraço!

      1. Professor , estamos falando sobre inquéritos , provas , processos , o que você diz e baseado em especulações , meras especulações ! suas denuncias carecem, de provas ! Mas o senhor tem meu respeito , seus artigos nos levam a pensar ! espero conhecer mais deles em novas ´postagens !

  • Parabéns professor, esta elucidação da essência do fato em sí , dos fatos subsequentes, foram muito bem sintetisados. Como minha querida e saudosa mãe dizia: Tem mal, que vem para o bem”, quem imaginaria que fosse decorrer do jeito que aconteceu ? Como decorência da ditadura (golpe militar de 64); vieram as diversas reações. Que se encaixam perfeitamente na 3ª Lei de Newton: ” A cada ação, corresponde uma reação de igual ou maior intensidade, em sentido contrário”. Salvo engano, o enunciado é assim ! Que passado esta tormenta, com o advento das manifestações populares, … Diga-se de passagem, “SEM PARTICIPAÇÃO DO POVO, EMBUIDO DOS ANSEIOS, DOS MAIS SIMPLES, NÃO SE CONCRETIZA NENHUMA REFORMA, SOCIAL, CULTURAL, SOCIO-ECONÔMICA; etc “. No estágio contemporâneo, já ficou mais do que claro e evidente, o Poder Judiciário virando casa de políticos; desmoralisou-se publicamente. A começar por mim, acreditava ! Não acredito mais. Só com, “MOBILIZAÇÕES AUTÊNTICAS COM RAIZES SOCIAIS; SE PODERÁ PASSAR ESTE PAÍS A LIMPO”. QUE ASSIM SEJA !!!

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