
A mais recente atualização da lista de gestores com contas julgadas irregulares pelo TCM (Tribunal de Contas dos Municípios) do Pará, do último dia 20, traz um raio-x indigesto para a classe política de Santarém, oeste do estado.
A análise do documento revela que a má gestão dos recursos públicos, ou a falha na prestação de contas, é um problema crônico que atravessa diferentes matrizes ideológicas, atingindo desde administrações progressistas até gestões de centro e centro-direita.
No levantamento, 10 ex-gestores municipais de Santarém integram o rol de contas reprovadas pela corte de contas estadual. Ao cruzar os exercícios financeiros listados pelo TCM-PA com os chefes do Executivo da época, nota-se que o “verniz ideológico” não blindou as gestões contra as irregularidades administrativas.
O peso na balança à esquerda
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A administração da ex-prefeita Maria do Carmo, da esquerda e filiada ao PT (2005-2012), é a que concentra o maior número de ex-auxiliares na atual lista do TCM paraense. Seis gestores desse período figuram com contas reprovadas, abrangendo as pastas de Governo, Saúde e Cultura:
- Everaldo de Souza Martins e Raimundo Inácio Campos Correa, ambos pela Secretaria Municipal de Governo no exercício de 2011.
- José Antonio Alves Rocha, no comando do Fundo Municipal de Saúde no ano de 2009.
- Antonio Lemos Campinas, Clenildo Vasconcelos Neves e Nilton César de Almeida Santos, todos responsabilizados por processos da Secretaria Municipal de Cultura referentes a 2009.
Centro e centro-direita também no radar
Do outro lado do espectro político, as gestões de centro e centro-direita também deixaram suas marcas negativas no tribunal.
No governo de Alexandre Von (PSDB), prefeito entre 2013 e 2016, dois de seus então secretários aparecem com contas irregulares relativas ao exercício de 2014:
- Rosivaldo da Silva Colares, pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento.
- Edilson Pimentel de Sousa, então titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura.
Recuando um pouco mais no tempo, a gestão do ex-prefeito Lira Maia (então no DEM, hoje União Brasil), que governou Santarém de 1997 a 2004, também possui remanescentes na lista. Dois ex-gestores que comandaram a Secretaria Municipal de Infraestrutura no exercício de 1999 estão com processos julgados irregulares:
- Jeronimo Ferreira Pinto.
- Paulo Roberto de Sousa Matos, já falecido.
O que a lista atualizada do TCM evidencia é que, independentemente da cor da bandeira partidária ou do discurso ideológico adotado no palanque, o rigor técnico na administração da máquina pública em Santarém tem sido um calcanhar de aquiles histórico, cobrando seu preço — e publicidade — anos após o fim dos mandatos.
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