Flona do Tapajós, 37 anos

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* De reserva ambiental a laboratório mundial sobre mudanças climáticas

Criada há 37 anos, com 545 mil hectares e em terras de 4 municípios do oeste do Pará – Belterra, Aveiro, Rurópolis e Placas -, a Floresta Nacional do Tapajós despertar, há cerca de uma década, a atenção da comunidade científica mundial em decorrência dos possíveis efeitos do aquecimento global sobre as florestas tropicais ainda existentes no planeta.

Experimento na flona.

Desde a criação da reserva (em 1974) até hoje o homem se vê diante – e sofre as consequências – de mudanças climáticas significativas em todos os quadrantes da Terra, como o aumento da emissão de CO2 na atmosfera, potencializando o chamado efeito estufa. O que se traduz, por exemplo, na elevação da temperatura e menos chuva.

Para se mensurar o quanto essas transformações ambientais estão afetando as florestas tropicais, pesquisadores de diferentes países e de instituições ambientais fizeram da Floresta Nacional do Tapajós um laboratório experimental. Os resultados da maior parte dessas pesquisas começam a ser divulgados – e preocupam.

Daniel Nepstad

O experimento Seca Tapajós é um deles. O objetivo foi verificar o quanto a floresta resiste à diminuição das chuvas e o que ocorre com ela quando esse ambiente mais seco dura muito tempo. Sob a coordenação do ecólogo Daniel Nepstad, do Centro de Pesquisas Woods Hole (EUA), e com a participação de 14 instituições.

Os diversos resultados dessa seca experimental já foram publicados em revistas científicas especializadas. Outros estão em via de publicação e há ainda os que se encontram em fase embrionária. Os já publicados apontam, por exemplo, que os danos causados após cinco anos de redução de chuvas numa pequena área da Floresta Nacional do Tapajós resultaram na visível alteração no viço das árvores, que apresentavam menos folhas, mais secas e suscetíveis ao fogo.
Cabe lembrar que seca, exploração madeireira, queda dos índices pluviométricos e fogo são apontados pelos pesquisadores como combustíveis do efeito estufa.

“Sem manter um clima estável, é muito difícil conservar a Amazônia; e sem a Amazônia, é muito difícil manter um clima estável”, explicou Daniel Nepstad, em entrevista à Folha de São Paulo.

Uma das instituições com mais pesquisas feitas na Floresta Nacional do Tapajós é o LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), que no seu início, em 1998, era mantido por acordos internacionais e hoje virou programa do governo federal. Está vinculada ao Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), com sede em Manaus (Amazonas).

Nesses 13 anos, o LBA conseguiu um cartel de pesquisas invejável, com resultados que viraram “verdades” estabelecidas, como a comprovação de que os desmatamento e queimadas aceleram o efeito estufa, alteram o mecanismo da formação de nuvens e, podem modificar o regime e a distribuição das chuvas na Amazônia e em outras partes do país ou mesmo do continente.

Ao todo, chegam a quase 160 (ou exatos 156) os projetos de pesquisa tocados pela entidade ao longo de sua existência. O que tornaram a Floresta Nacional do Tapajós como santuário ambiental, mas também imenso laboratório ao ar livre com objetivos bem claros: compreender as mudanças climáticas, suas causas e conseqüências, para dar ao homem ferramentas para evitar a destruição das florestas tropicais.


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5 Responses to Flona do Tapajós, 37 anos

  • Prezados,

    Convido todos para o I Seminário de Pesquisas Científicas da Floresta Nacional do Tapajós que será realizado nos dias 24 e 25 de novembro de 2011, no auditório do campus Tapajos da UFOPA.
    Acredito que terão boas oportunidades, durante o evento, para realizar todos os questionamentos necessários.
    Adianto que a Floresta Nacional do Tapajós é a maior referência de pesquisa em Unidade de Conservação na Amazônia e também é a maior referência em manejo sustentável dos recursos naturais por populações tradicionais.
    Aguardo todos no seminário.
    Atenciosamente,

  • Não há dúvida que essas pesquisas são muito importante para o planeta e o trabalho que o ipam desenvolve na região também. Mas saindo do contexto especifico dessas pesquisas, faço a seguintge reflexão: é verdade que a Floresta Nacional do Tapajós tem sido um importante laboratório de pesquisas de institutos do Brasil e do mundo inteiro; mas como diz a propaganda, não são as perguntas que movem o mundo, mas as resposta – me arrisco aqui a fazer uma pergunta que não houve pesquisa para dar respostas – por que dentro de uma floresta tão importante com a Flona Tapajós, as comunidades e suas familias residentes permanecem lá tão pobres apesar das milhares de pesquisas já realizadas? Por que as pesquisas ainda não deram rspostas a problemas elementares que essas comunidades residentes possuem antes e durantes a criação da Flona em 1974? Me deem uma respostas!!!

    1. Caro João Paulo, não tenho as respostas às suas indagações. Mas te adianto que meu trabalho de especialização em Jornalismo Científico/UFOPA é mais ou menos nessa direção. Ou seja, vou em busca de quais os benefícios a implantação da Flona do Tapajós trouxe aos moradores da área urbana de Aveiro, passados esses 37 anos. Melhorou em quais aspectos a vida das pessoas que moram nessa área? Vou em busca dessas respostas.

      1. não sei precisar a respostas, mas acredito que a falta de politicas publicas eficazes para a área e para a população tradicional que nela reside e ainda implementação transparentes de algumas poucos ao seerem executadas, como os ProManejos da vida

  • Acho inquestionável a importancia dessa experiencia inclusive pela aplicabilidade de resultados oriundas das pesquisas na região, e ainda pela evidência dada a Flona.
    Mas não se deve esquecer o Papel de suma importância do IPAM (Instituto de pesquisa ambiental da Amazônia) com sede em santarém, até porque a mesma tem respeito e credibilidade na Amazônia e até fora do país em virtude dos trabalhos realizados onde a pesquisa alia-se a melhoria na qualidade devida de amazônidos na busca do desenvolvimento sustentável.

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