Dez chamamentos ao amigo
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
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De Hilda Hilst, poeta brasileira.
Tudo o que eu escrevo é bom demais (Hilda Hilst )
Tudo o que eu escrevo é bom demais (Hilda Hilst)
Jeso, obrigada por nos presentear Hilda.
Simplesmente divina.
Abs
Lumar, Hilda é visceral e atordoante. Caio sempre na lona, nocauteado, a cada leitura de seus poemas.