Escariotes

Tem um grito estrangulando minha garganta,
uma trave cravada em meu coração,
uma falta de ar por não ter teu espaço,
um ter que flutuar por não ter teu chão.

Tem um gosto amargo na boca do teu último beijo.
Tenho pesadelos.

Tenho vontade de te beijar novamente
e depois te malhar em um sábado de aleluia.

Ainda sinto a corda que deixastes em meu pescoço,
quando fostes embora por trinta pratas.

Ainda sinto tuas unhas cravadas em meus braços,
ainda sinto teu olhar de adeus.

Tem a saudade a rasgar o meu peito,
tem incoerência de sentimentos, desencontro de querer.

Tenho medo.
Não quero mais te querer.

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De Lumar e Marquinho Mota, de Santarém.

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2 Comentários em: Poetas amazônicos

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  • Lumar disse:

    O presente para quem escreve são os comentários.
    Obrigada.
    E está nas mãos do Jeso publicá-las.
    Aí Jeso, manda ver.

  • Ary Rabelo disse:

    Parabéns, belíssima poesia, inspiradora. Dá vontade de ler repetidamente. Mande mais inspirações dessas para nosso deleite.