Médico condenado a 10 anos de prisão por morte de paciente em cirurgia sem anestesia

O médico Gercino Corrêa da Costa foi condenado a 10 anos de prisão, em regime fechado, pelo júri popular em Ananindeua (PA) pela morte de Margarida Silva Ferreira.

Os jurados reconheceram o dolo eventual, ou seja, que o médico assumiu o risco de produzir o resultado. A vítima faleceu em outubro de 2010 após procedimento cirúrgico realizado pelo médico.

 

Como o réu respondeu ao processo em liverdade, foi dado a ele o direito para que apele da sentença em liberdade. A sessão de julgamento foi presidida pela juíza Cristina Collyer e ocorreu no último dia 12.

De acordo com o processo, a vítima foi submetida a cirurgia realizada pelo acusado no dia 30 de setembro de 2010 e foi a óbito na madrugada do dia 1º de outubro de 2010 em razão de choque hemorrágico por cirurgia complicada.

Dores nas costas e vômito

Foi apurado na investigação que Margarida, ao retornar na sala de cirurgia, informou que o procedimento estava aberto e sentia muita dor. Naquele momento, a filha da vítima acionou a enfermeira, que a orientou a falar com o médico plantonista.

Ao verificar o ocorrido, o plantonista entrou em contato com o Gercino, solicitando para que retornasse ao hospital para que o mesmo finalizasse a cirurgia. Então, a vítima foi levada ao centro cirúrgico novamente às 23h do dia 30, retornando às 1h do dia 1º de outubro, acordando às 4h com muitas dores na costa e vomitando, vindo a óbito naquela noite.

Em sua sentença, a magistrada destacou que “que é inquestionável o fato de que o acusado agiu de forma inconsequente, agindo de forma atípica do que se esperava de um procedimento de histerectomia” [cirurgia de retirada do útero].

 

“Causando demasiado sofrimento à vítima, a qual foi submetida a dois procedimentos cirúrgicos, sendo o segundo realizado sem anestesia, apenas sedação, causando-lhe considerável sofrimento, não adotando todos os protocolos médicos necessários”, relatou.

Acrescentou ainda “que é dever do médico exercer suas funções com zelo e prudência, fato este que não ocorreu no presente caso, vez que restou cristalino no bojo processual que o acusado foi contrário a todos protocolos médicos, conduzindo ao mais profundo juízo de reprovabilidade”.

Na sessão de júri, o Ministério Público foi representado pelo promotor Daniel Azevedo e atuaram na defesa do acusado os advogados Américo Leal e o Arthemio Leal.

Com informações do TJ do Pará

— LEIA também: Preso no Rio o chefe do PCC que comandava o tráfico de cocaína no Pará

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *