Membros do CV que controlam tráfico no Juá em Santarém serão julgados nesta 5ª; veja quem são

Publicado em por em Justiça, Santarém

Membros do CV que controlam tráfico no Juá em Santarém serão julgados nesta 5ª; veja quem são
O júri popular será realizado neste auditório, do fórum de Santarém, nesta quinta-feira. Os 6 réus são do Comando Vermelho. Foto: Arquivo JC

Será na manhã desta quinta-feira (19) o início do júri popular em Santarém (PA) em que serão julgados seis homens – todos membros da organização criminosa CV (Comando Vermelho).

Os réus do CV são: Deive Tapajós Henriques, Elizenilton Ferreira da Silva, o Nino, Paulo Henrique dos Santos Silva, o Paulinho, Raimundo Alessandro Vieira Pereira, o Capoeira, e Jeremias da Silva Vasconcelos, o Jeco.

O júri se estenderá até a sexta-feira (20).

Os 6 membros do Comando Vermelho são acusados pelos crimes de tentativa de homicídio (qualificado por motivo fútil, meio cruel e meio que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima), associação criminosa e tortura qualificada contra Edivaldo Saraiva da Silva, o Macaxeira.

Soldados do tráfico

De acordo com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), em abril de 2022 (dia 18), Edivaldo estaria trabalhando na construção da fossa de uma casa, localizada na quadra 21, do bairro Vista Alegre do Juá. Por volta de meio-dia, parou as suas atividades e saiu do lugar para almoçar.

Perto do local para o qual estava seguindo, às proximidades da Estância do Jucá, um automóvel Fiat Argo, de cor branca, estacionou ao seu lado. Dentro do veículo estavam Elizenilton, Paulo e Jeremias, além de uma pessoa conhecida como Profeta e dois dos seus “soldados do tráfico” – todos eles membros do CV.

Imediatamente se dirigiram ao Edivaldo, fazendo-lhe ameaça de morte e obrigando-o a entrar no carro. Depois que a vítima entrou, continuaram o trajeto e foram a uma área do bairro conhecida como “Favela”. No local, em um terreno baldio, os acusados passaram a acusar Edivaldo de ter furtado botija de gás, televisor, geladeira, entre outros, da casa de um dos denunciados.

Sentença de morte

Com o objetivo de conseguir a confissão de autoria do furto da vítima, e para ele dizer onde estavam os objetos, passaram a espancá-lo com golpes de enxada, pá e perna manca. Apesar disso, Edivaldo continuou negando que teria cometido o crime.

Assim, chamaram o chefe do grupo, Raimundo Alessandro, para que dissesse o que deveria ser feito. Imediatamente ordenou que “dessem fim” na vítima, pois não queria “problema com a polícia”.

Os agressores Paulo e Sebastião quebraram as duas pernas e os dois braços de Edivaldo com uma enxada. Elizenilton o golpeou com uma tábua e Deives bateu na vítima com um pedaço de pau. Tudo isso acontecia enquanto os outros envolvidos filmavam, dizendo que ele não sairia de lá vivo.

Imaginando que a vítima já não tinha chance de sobreviver, pediram a um homem, conhecido como “Neguinho Carroceiro”, que o levasse para um lugar afastado, onde fosse agonizar até a morte.

17 testemunhas

Edivaldo, porém, suportando os ferimentos, passou a gritar, pedindo por socorro. Moradores próximos ouviram os seus gritos e o socorreram, levando-o para o Hospital Municipal de Santarém (HMS).

Conforme análise das provas colhidas pela polícia, houve evidente organização e divisão de tarefas dentro do grupo, como a existência da liderança pelo denunciado Raimundo Alessandro, a utilização de automóvel, o local afastado para a prática do crime, entre outros.

Esse caso ganhou grande repercussão, devido as filmagens, que foram compartilhadas nas redes sociais, além dos acusados fazerem parte de uma facção criminosa que controla o tráfico no Juá, denominada Comando Vermelho.

Além dos membros do CV, 17 testemunhas serão ouvidas no plenário. O julgamento está previsto para iniciar às 8h e será presidido pelo juiz titular da 3ª Vara Criminal de Santarém, Gabriel Veloso de Araújo.

Defesa e acusação

A acusação contra os réus ficará a cargo do promotor de Justiça titular da 5ª Promotoria de Justiça Criminal de Santarém, Diego Libardi Rodrigues.

A defesa serão feitas pelos advogados Jadson Soares da Silva (réu Paulo Henrique Santos da Silva), Igor Célio Dolzanis (réu Raimundo Alessandro Vieira Pereira), Ápio Paes Campos Neto e Gabriela Nascimento Campos (réus Jeremias da Silva Vasconcelos).

Além da advogada Ana Caroline Lopes Damasceno (réu Deive Tapajós Henriques) e a defensora pública Jane Telvia Amorim (réus Sebastião Andrade Pereira e Elizenilton Ferreira da Silva.

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