Perfuga denuncia à Justiça 4 servidores fantasmas da prefeitura por peculato
Sede do MPPA em Santarém, à avenida Mendonça Furtado

O Ministério Público do Pará em Santarém, oeste do estado, denunciou à Justiça 4 pessoas pelo crime de peculato, após constatar que eram “servidores fantasmas”, lotados na Secretaria Municipal de Gestão, Orçamento e Finanças, no cargo de assessor comunitário, no período de abril a agosto de 2017.

O caso é desdobramento da operação Perfuga.

 

A indicação dos servidores foi feita pelo ex-vereador Reginaldo Campos e Samuel Fernandes, pelo ex-diretor geral da Câmara de Vereadores.

A denúncia foi ajuizada no dia 19 de dezembro de 2019 e recebida no dia 8 de janeiro de 2020 na 2ª Vara Criminal de Santarém, com pedido de levantamento do sigilo do processo, que foi concedido pelo Juízo.  

Foram denunciados:

Jadson Soares da Silva, Renato Rodrigues Martins da Silva, Vladimir da Conceição Fernandes e Raimundo Pereira de Araujo.

Edivanice Pedroso Fernandes também era parte do esquema, mas não foi denunciada por força do acordo de delação premiada do seu esposo Samuel Fernandes.

Enquadramento dos acusados

Os acusados foram denunciados pela prática do crime de peculato (artigo 312 do Código Penal) em continuidade delitiva (crime continuado – art. 71 do CPB).

A denúncia é mais um dos desdobramentos da operação Perfuga relacionada a crimes praticados no exercício do mandato de Reginaldo da Rocha Campos, enquanto vereador e presidente da Câmara Legislativa de Santarém (2015 e 2016).

De acordo com o apurado, no ano de 2017 o ex-vereador Reginaldo mencionou para Samuel Fernandes da possibilidade de obter alguns cargos na prefeitura, para pessoas que haviam trabalhado em sua campanha e pudessem ajudar no seu mandato.

 

Após contato com o prefeito Nélio Aguiar, foram disponibilizadas cinco vagas de assessor comunitário a serem indicados por Reginaldo, que indicou os denunciados Jadson Soares, Renato Rodrigues e Raimundo Araújo. Samuel indicou Vladimir Fernandes e Edivanice Fernandes, seu irmão e esposa, respectivamente.

O ex-vereador deixou claro em seu depoimento que, em nenhum momento, o prefeito pediu contrapartida ou apoio político, ou solicitou qualquer vantagem.

Reginaldo afirmou ainda, que não conversou com o prefeito acerca da natureza dos cargos, muito menos foi firmado ajuste para que essas pessoas não trabalhassem efetivamente e apenas figurassem na folha de pagamento, ou seja, o prefeito não ofereceu “serviço fantasma”.

Coincidência com a Perfuga

O contrato de trabalho dos denunciados e Edivanice durou de 3 de abril a 1º de agosto de 2017. A denúncia ressalta que a exoneração se deu, “coincidentemente”, logo após a deflagração da operação Perfuga, no dia 7 de agosto de 2017.

Cada um dos cinco servidores fantasmas recebeu nesse período o valor bruto de R$ 5.480,00 e a quantia líquida de R$ 4.710,40.

Embora recebessem seus salários, ficou comprovado que não efetuaram o serviço público. A secretaria ao qual estavam vinculados informou que nessa época não havia controle do trabalho dos assessores comunitários, pois trabalhavam de forma externa.

 

Após, passou a ser exigido um relatório de suas atividades. Os indicados por Reginaldo lhe repassavam parte dos salários. A esposa de Samuel ficava com o que recebia, e Vladimir repassava ao irmão.

A denúncia conclui que “tanto a confissão dos mencionados demandados, bem como os depoimentos dos servidores responsáveis pelo recebimento dos documentos necessários para a comprovação da assiduidade dos agentes, fortalecem a constatação do esquema criminoso de funcionários fantasmas”.

Com informações do MPPA

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2 Comentários em: Perfuga denuncia à Justiça 4 servidores fantasmas da prefeitura por peculato

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  • Alberto Silva disse:

    Há várias formas de humilhação do povo, uma delas é através do cinismo. Coincidência? “Naquela época não havia controle?” Ofereceu cargos sem pedir nada em troca?
    Como não se sentir humilhado com esse tipo de cinismo pautado na impunidade?

    1. Pedro disse:

      Perfeito comentário Alberto Silva.