Justiça derruba perfil de fofocas no Instagram por cobrar dinheiro para não vazar segredos íntimos de candidatos no Pará

Publicado em por em Justiça, Oeste do Pará, Pará, Política

Justiça derruba perfil de fofocas no Instagram por cobrar dinheiro para não vazar segredos íntimos de candidatos

A Justiça do Pará determinou a suspensão definitiva do perfil “fofoquei_portodemozpa” no Instagram, após a comprovação de um esquema de extorsão e propaganda negativa que visava a honra de políticos da região oeste do Pará.

A decisão, oficializada hoje (10) e assinada pelo juiz Marcus Fernando Camargo Nunes Cunha Lobo, da 82ª Zona Eleitoral (Porto de Moz), expõe uma rotina de chantagens onde a privacidade dos candidatos era a moeda de troca: pagava-se para não ter a intimidade exposta ou para remover conteúdos difamatórios.

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A sentença atende a um pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), que denunciou a página por divulgar “com regularidade, informações extremamente íntimas de diversos candidatos […] sem relação com o debate eleitoral”. O réu no processo, apontado como um dos possíveis responsáveis pela administração da conta, é Nalton Lennon Martins Costa.

O preço do silêncio

O esquema foi detalhado nos autos do processo a partir de denúncias de vítimas. Segundo o relatório, o perfil operava condicionando a imagem pública dos candidatos a pagamentos em dinheiro.

Um caso citado documenta que, após uma publicação imputando a condição de devedora a uma candidata a vereadora, “uma pessoa identificada como administradora do perfil contactou a candidata solicitando o valor de R$ 300,00 para retirar a postagem”.

Além de cobrar para apagar as publicações, a página lucrava com a quebra do sigilo de suas próprias fontes. O Ministério Público apurou que, em certas situações, “aquele que desejasse conhecer o ‘remetente da fofoca’ deveria pagar determinada quantia” aos administradores.

Para o magistrado, a conduta ultrapassou qualquer limite da liberdade de expressão. Em sua decisão, o ele destacou que a “comprovada divulgação de informações íntimas de candidatos, com a nítida intenção de atingir a honra e a imagem, e, ainda, a exigência de pagamento para a exclusão das postagens, extrapolam os limites direito de crítica”.

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Esquema criminoso e venda de apoio

A investigação apontou que o perfil tinha como “razão de sua existência o cometimento de crimes contra a honra” e que, durante o período de campanha eleitoral de 2024, “a atenção dos administradores se volta à chantagem de candidatos”.

Além da extorsão, a página funcionava como um balcão de negócios ilegal de propaganda. Os autos indicam que o perfil anunciava abertamente espaço para divulgar candidatos mediante pagamento, violando as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíbem esse tipo de impulsionamento não oficial.

Desdobramentos e silêncio do acusado

Embora a ação na Justiça Eleitoral tenha resultado na derrubada da conta, o caso também corre na esfera criminal. Um inquérito policial foi instaurado pela delegacia de Polícia de Porto de Moz para apurar a responsabilidade penal dos envolvidos.

O acusado, Nalton Lennon Martins Costa, chegou a ser citado oficialmente para se defender, mas não se manifestou nos autos, conforme certificado pelo Cartório Eleitoral.

Ao decretar o fim da página, a Justiça reafirmou que a Constituição Federal veda o anonimato e a manipulação do eleitorado através de calúnias.

“Restou comprovado nos autos que houve propaganda eleitoral negativa irregular na internet […] com a demonstração de exigência de pagamento para retirada das postagens”, concluiu o juiz na sentença final.

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