Desde a última eleição para presidente da República, em 2006, o número de eleitores com 16 e 17 anos de idade caiu 25,65%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para o cientista político Valdir Pucci, o Brasil vive uma espécie de acomodação democrática que provoca esse desinteresse dos jovens pela vida política.
“O país vive essa normalidade democrática. Nós vamos ter uma eleição este ano mais burocrática, o que não empolga o jovem. Essa realidade é parecida com a dos lugares onde o voto é facultativo, a eleição não mobiliza a sociedade”, afirma o cientista político.
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Além disso, segundo Pucci, o sentimento de descrédito em relação aos candidatos e à situação política do país também causa o desinteresse.
“O cidadão brasileiro como um todo tem um descrédito em relação à política, de que não adianta votar porque tudo vai continuar como sempre esteve. E com os jovens não é diferente”, avalia.
Na opinião dele, o que pode causar uma mudança neste cenário daqui a quatro anos é a entrada de novos nomes na briga política ou alguma alteração forte nos rumos do país.
“Se não tivermos nenhuma mudança grave no ritmo do país nem surgir um novo nome, a tendência é ficar assim”, destacou o cientista político.
Falta de interesse em mudar o próprio rumo, essa é a denominação dessa situação, sei que o papo é velho mas não se pode esperar mudança, temos que concretiza-la. A desonestidade vai continuar a decidir os rumos da política se não houver vontade de mudar, e o jovem, como eu, tem que ser o primeiro a manifestar-se!
Não é por menos que a credibilidade dos candidatos junto ao jovem eleitorado brasileiro encontra-se em baixa. Também puderá, presidenciaveis do porte de Dilma Roussef ninguém aguenta mais.
Leiam este recente artigo publicado na Revista Época.
Dilma precisa decidir quem ela é de verdade
Ruth de Aquino
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br
Eleitores são seres humanos. e, como tais, sujeitos à sedução e ao carisma dos candidatos. A maioria dos eleitores não é politizada, ao contrário do que se desejaria num pleito consciente. Muitos votam por simpatia ou pelo bolso, e não por ideologia ou plataforma. Como tudo é relativo, na comparação direta entre os sisudos Dilma e Serra, o tucano começou a parecer doce, risonho e autêntico. Sua imagem mudou. Serra é o favorito entre as mulheres, segundo as pesquisas.
A não ser que Lula desenvolva talento de ventríloquo, coloque Dilma no colo e sopre as palavras tocantes do dia a dia, nenhum bruxo marqueteiro poderá fazer com que ela galvanize as massas ou provoque risadas. Parece irônico – e é. Quem tem sido comparado com Lula não é Serra, mas a ministra de ferro. Como criador e criatura não desgrudam, o brasileiro olha para um, olha para a outra, e não acredita que Lula hoje será Dilma amanhã. O eleitor se pergunta: quero ser governado por ela nos próximos quatro anos, depois que Lula sumir para descansar e se divertir?
Sem voto no currículo, sem traquejo de palanque, chamando geladeira de “linha branca” e falando em “tecniquês”, Dilma até agora não tem competido com Serra, mas com o fantasma de seu cabo eleitoral: o presidente onipresente, que não larga de seu pé. E que a repreende por ser pouco objetiva e por “falar difícil”. Lula apregoa que a ministra do pré-sal, transformada em candidata por imposição sua, representa a continuidade de seu governo. Dilma projeta a imagem de uma gerenta que pisa forte, mas carece de flexibilidade, sensibilidade e espírito de equipe. Qualidades associadas ao estilo feminino de liderança, justa ou injustamente.
“Não adianta mudar a Dilma. Tem de deixar a Dilma continuar a ser como ela é”, disse em palestra na Casa do Saber, no Rio, o publicitário Duda Mendonça, o mesmo que recebeu R$ 10,5 milhões do PT numa conta no exterior e foi aclamado no partido como o guru do Lulinha paz e amor de 2002. “Pegá-la e fazer outra pessoa… Vai ficar numa vestimenta desconfortável… Vai fazer com que ela volta e meia dê uma escorregada.” Duda acha que a chance de Dilma, filha instruída de um rico empreiteiro húngaro, é se desvencilhar da armadura populista do PT.
A foto de Norma Bengell deu confusão? Mas por que o PT não usou uma foto de Dilma guerrilheira no blog?
O blog oficial da candidata fez uma lambança ao postar três fotos no painel “Minha Vida”. A primeira foto era da Dilminha bebê, com franja. A última era recente, com cabelos curtos e avermelhados. A foto do meio mostrava passeata nos anos 60 “contra a censura e pela cultura”. E uma mulher em primeiro plano com cabelos curtos. Todos pensaram ser Dilma. Mas era a atriz Norma Bengell, na Passeata dos 100 Mil, no Rio, em 1968. Na época, Dilma militava em dois grupos de luta armada, Colina (Comando de Libertação Nacional) e VAR-Palmares. O efeito de ilusão pegou mal. Mas o blog culpou quem se enganou. Disse que a interpretação foi equivocada e que confundir a candidata com a atriz seria “estapafúrdio”. Mas quem associou não foi o PT, ao compor o painel virtual? Por que não há fotos de Dilma guerrilheira no blog? Afinal, o PT se orgulha ou se envergonha do passado de sua candidata?
Dilma precisa fazer as pazes com a linguagem da internet. Mestrado é mestrado, passeata é passeata, na vida real e na virtual. Não se trata de Second life, aquele mundo de fantasia onde inventamos para nós mesmos um personagem. Blogs de políticos podem ser armas poderosas, se forem honestos e claros. Caso contrário, as redes sociais funcionarão como bumerangues contra os candidatos. Isso vale tanto para Dilma quanto para Serra. “O Serra é um baita governador. Mas acho que Dilma ganha a eleição. (…) Se não fosse o Lula, seria a vez do Serra. (…) Mas Lula é igual a Padre Cícero ou está ali perto”, disse Duda Mendonça.
Dilma terá na televisão 48% mais tempo que Serra, se forem confirmadas as tendências de alianças. Talvez fosse melhor para ela ter menos tempo. Antes que a campanha comece para valer, Dilma precisa decidir quem ela é, na verdade. Ninguém engana todos todo o tempo