Projeção de vitória para Alepa e Câmara dos Deputados. Por Alan Lemos

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Projeção de vitória para Alepa e Câmara dos Deputados. Por Alan Lemos
Os quocientes esperados para 2022 são 108 mil (estadual) e 257 mil votos (federal). Foto: Reprodução

Assim como fiz em 2018 e em 2020, me arrisco a lançar apostas e projeção sobre o resultado das eleições proporcionais, para deputado (estadual e federal) no Pará neste ano..

A eleição para a Assembleia Legislativa (Alepa) tende a ficar similar ao que sempre foi e os eleitos precisarão ter um pouco mais de votos do que em 2018: o volume de candidatos até caiu, de 692 para 652, ao passo que o eleitorado cresceu.

Já a disputa federal vai na direção inversa: o volume de pleiteantes mais que dobrou (de 141 para 323) em virtude da proibição de coligações proporcionais. Os partidos foram obrigados a caçar candidatos, ainda que pequenos, para “engordar a chapa” — assim, todos os postulantes deverão cair de votação em relação aos padrões de 2018, nem que seja 10% (outros, 20% ou até mais).

Em 2018, os quocientes eleitorais foram de 98 mil e 233 mil votos, respectivamente, para estadual e federal. Como, de lá para cá, a evolução do eleitorado paraense foi positiva em 10,6%, compete dizer que os quocientes esperados para 2022 são 108 mil e 257 mil votos, nesta ordem.

Como a legislação impõe um ponto de corte de 80% do quociente para que a chapa tente eleger alguém, o partido ou federação que angariar menos de 87 mil votos estará fora da Alepa. Para deputado federal, o sarrafo deve ficar na casa dos 206 mil votos.

Além disso, também há ponto de corte por candidato: quem obtiver menos de 20% do quociente (cerca de 22 mil votos para o parlamento regional) está praticamente eliminado pela lei. Para deputado federal isso não é um problema, em virtude da “macrocefalia” de suas chapas.

Esta publicação não se trata de uma pesquisa eleitoral, mas sim um cotejamento de projeções de todos os candidatos e incluem, em segundo plano, pesquisas para deputado — elas são relevantes para sondar os votos fiéis dos maiores aspirantes, porém menos úteis quando queremos chegar a um panorama exaustivo porque:

(i) grande parte do eleitorado ainda está indeciso para deputado, até mesmo nas vésperas da eleição, (ii) a margem de erro acaba sendo alta quando comparada ao tamanho dos concorrentes e (iii) ela evidencia os votos sólidos e relativamente sólidos, não alcançando os votos potenciais.

Após analisar as projeções mínimas, médias e máximas para 100% dos candidatos e aplicar modelos matemáticos em Excel, foi possível chegar às seguintes projeções gerais:

FEDERAL – presunção do número de mandatos

MDB: 5 ou 6

PL: 2

PT/PCdoB/PV: 2

PSD: garante 1 e pode fazer 2

PTB: 1

UB: 1

Das 6 seguintes chapas em ordem alfabética, 4 devem eleger um cada, enquanto 2 devem ficar de fora: PDT, PP, PSB, PSOL/Rede, PSDB/Cidadania e Republicanos.

Sem chances: PSC, Podemos, Pros, Agir, Solidariedade, PMB, PRTB, Avante, PSTU e Patriota.

Plenário da Alepa, em Belém. Foto: Alepa

ESTADUAL – presunção do número de mandatos

MDB: 10, podendo ser 1 para mais ou para menos

PP: 4 ou 5

PT/PCdoB/PV: 4

PSDB/Cidadania: 3 ou 4

Podemos: 3

PDT: 2 

PL: 2 

PSC: 2 

PSD: 2 

Republicanos: 2 

União: 2  

PSB: 1 ou 2 

PSOL/Rede: 1 ou 2 

PTB: 1 ou 2

Avante: provavelmente 1 

Sem chances: Pros, PRTB, PMB, Solidariedade, Agir, DC, Patriota, PSTU e UP

DETALHES

Federal

MDB federal – presunção: 5 ou 6 eleitos

É a única que atende ao conceito de chapão, lançou 13 candidatos, quase todos são grandes e com certeza ultrapassará a marca de um milhão de votos. Quatro já são dados como eleitos: Elcione, Priante, Olival Marques e Alessandra Haber. A(s) outra(s) uma ou duas vaga(s) deve(m) ser disputada(s), em ordem alfabética, por: Andreia Siqueira, Antônio Doido, Keniston Braga e Renilce Nicodemos.

PL federal – presunção: 2 eleitos

Parece estar próximo dos 400 mil votos, o que o credita a conseguir um par de vagas. Seu cabeça de chapa é Éder Mauro e a outra provável vaga parece ser disputada, em ordem alfabética, por: Caveira, Eguchi e Joaquim Passarinho.

PT/PCdoB/PV federal – presunção: 2 eleitos

Garante um quociente e parece arredondar o segundo na sobra. Em ordem alfabética, seus nomes mais promissores são: Airton Faleiro, Ana Júlia Carepa e Dilvanda Faro.

PSD  federal  – presunção: garante 1, pode chegar ao 2º

Garante uma cadeira com solidez e fica no limiar da segunda. Em ordem alfabética, seus três nomes mais frequentes nas campanhas são: Eduardo Costa, Júnior Ferrari e Raimundo Santos.

PTB federal  – presunção: 1

Vive um verdadeiro “segundo turno” em torno da provável única vaga: entre o atual federal Paulo Bengtson e Márcio Miranda, segundo colocado para governador do Pará na última eleição. 

União Brasil federal  – presunção: 1

Dá segurança de bater o quociente e parece não ter fôlego de arredondar o segundo assento. Possui nitidamente dois líderes: Celso Sabino na cabeceira e Hélio Leite na garupa.

PDT federal – pode 1

A disputa está tripolarizada, em ordem alfabética, entre Dr. Manoel Veloso (Marabá), o atual estadual Miro Sanova e o ex-federal Giovanni Queiroz. Pelo que parece, quem conseguir bater 70 mil votos está eleito.

PSOL/Rede federal – pode 1

Sua cabeça de chapa é Marinor Brito. Concorre ainda à reeleição a atual federal Vivi Reis.

PSDB/Cidadania federal  – pode 1

Seu nome de maior relevo é Lena Pinto, esposa do atual federal Nilson Pinto. Quem também se candidata é o ex-federal Jordy.

PP, PSB e Republicanos – presunção: podem 1 cada

Essas três chapas giram em torno de um único nome, que é bem maior que seus colegas da mesma legenda, respectivamente: Cristiano Vale, Cássio Andrade e Vavá Martins. Caso elejam alguém, serão eles.

PSC federal  – será que perdeu o voo?

Com 15 candidaturas, sendo apenas uma relevante, a de Júlia Marinho, o partido parece reunir apenas metade do necessário para se chegar à Câmara dos Deputados.

Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). Foto: Reprodução

CHAPAS ESTADUAIS

MDB estadual – presunção: 10, podendo ser 1 para mais ou para menos

Muitos nomes de peso compõem a chapa emedebista, incluindo 9 atuais estaduais. Demonstra ultrapassar os 800 mil votos e talvez mantenha o tamanho de sua atual bancada, de 10 assentos. O último eleito pode ficar entre 40-45 mil votos.

Em ordem alfabética, elenco 18 potenciais: Andreia Xarão, Ângelo Ferrari, Chamonzinho, Chicão, Diana Belo, Dr. Wanderlan, Eraldo Pimenta, Iran Lima, Jarbas Vasconcelos, Jeová Andrade, Martinho Carmona, Ozorio Juvenil, Paula Gomes, Paula Titan, Professor Maneschy, Ronie Silva, Thiago Miranda e Zeca Pirão.

PP estadual – presunção: 3 ou 4

Lançou 27 candidatos, incluindo o formalmente mais rico do Pará. Todos os seus 5 atuais estaduais tentam a reeleição (Alex Santiago, Antônio Tonheiro, José Maria Tapajós, Júnior Hage e Luth Rebelo). Além deles, outros nomes que estão no páreo são Ailson Souto e Lu Ogawa. O sufrágio dos maiores nomes parece construir 3 cadeiras; ao passo que os candidatos minoritários podem construir a quarta. Talvez 45-50 mil votos sejam a faixa necessária para a vitória.

PT/PCdoB/PV estadual – presunção: 4

Com a lotação máxima permitida (42 nomes) e com a legenda 13, estimulada pelo voto de Lula, demonstra capacidade para enviar um quarteto à Alepa. Os dois maiores patrimônios eleitorais pertencem aos estaduais que tentam a reeleição: Dirceu ten Caten e Bordalo. Em ordem alfabética, as outras 2 vagas devem ser dueladas por: Bia Caminha, Charles Alcântara, Elias Santiago, Jorge Panzera e Maria do Carmo Martins. O último pode entrar com cerca de 30 mil votos.

PSDB/Cidadania estadual – presunção: 3 ou 4

Seus 40 pleiteantes garantem 3 assentos e ficam na possibilidade da quarta. Sua cabeça de chapa é Cilene Couto, ao passo que as 2 ou 3 demais vagas devem ser disputadas Ana Cunha, Dra Heloísa, Erick Monteiro (vice-prefeito de Ananindeua) e Thiago Araújo. O último eleito talvez precise obter 45-50 mil votos.

Podemos estadual – presunção: 3

Com 38 pleiteantes, inclui pessoas bem influentes em vários municípios interioranos. Seu cabeça de chapa é o atual estadual Igor Normando e os demais dois prováveis assentos devem ser competidas por, em ordem alfabética: Adamor Bitencourt (Abaetetuba), Enfermeira Marcela Tolentino (Santarém), Gerson Dourão (Moju), Renato Oliveira (Bragança), Rildo Pessoa (Belém), Scaff (ex-estadual) e Torrinho (São Félix do Xingu). O último eleito pode ter 30-35 mil votos.

PDT estadual – presunção: 2

Seu cabeça de chapa é o atual estadual Adriano Coelho. Em ordem alfabética, parecem brigar pela garupa: Braz, Everson Carlos e Professora Nilse. Quem sabe o último entre com 25-30 mil votos.

PL estadual – presunção: 2

Liderado por Rogério Barra, o segundo mandato parece ser duelada, em ordem alfabética, por Coronel Neil e Zezinho Lima. Pode ser que 30 mil seja a votação do último eleito.

PSC estadual – presunção: 2

Com chapa também lotada (42 nomes), incluindo vários estreantes, denota ultrapassar a marca dos 200 mil votos e ter força para eleger dois estaduais. Em ordem alfabética, quatro destaques seriam: Amaury da Pesca, Delegado Toni Cunha, Letícia Garimpeira e Sancler Ferreira (ex-prefeito de Tucuruí). Talvez 40 mil votos seja a faixa da vitória.

PSD estadual – presunção: 2

Encabeçado por Gustavo Sefer e com apenas 14 candidaturas, a briga vai ser feia em torno da segunda vaga: em ordem alfabética, entre os três atuais estaduais Delegado Nilton Neves, Michele Begot e Orlando Lobato. Uma dança das cadeiras severa, fazendo a votação do último eleito ser alta, podendo passar dos 50 mil.

Republicanos estadual – presunção: 2

Dois estaduais e um ex-estadual giram em torno de dois prováveis assentos: em ordem alfabética, Dr. Galileu, Fábio Freitas e Soldado Tércio. Creio em no mínimo 30 mil para o êxito.

União Brasil estadual – presunção: 2

Quatro nomes expressivos tentam duas prováveis cadeiras, em ordem alfabética: Adriana Almeida (vereadora de Santarém), Dr. Jaques, Eliel Faustino e Victor Dias. Deduzo uma faixa de 40 mil votos para a eleição.

PSB estadual – presunção: 1 ou 2

Capitaneado pelo único peessebista da Assembleia, Fábio Figueiras, o partido pode eleger mais uma pessoa: João Salame, Gleisson ou Marco Baixim (Brejo Grande do Araguaia). Se fizer dois, suponho cerca de 25 mil votos como corte.

PSOL/Rede estadual – presunção: 1 ou 2

Liderada por Lívia Duarte, a possível segunda vaga parece ser concorrida entre, em ordem alfabética, Beto Andrade, Leila Palheta e Prof. Ademir. Caso faça dois, sugiro 22 mil votos como último eleito.

PTB estadual – presunção: 1 ou 2

As pesquisas de opinião demonstram Bob Fllay como um dos favoritos do estado. Sem ele, o partido faria apenas um assento — com ele, pode ir a duas. A possível segunda vaga deve ficar entre Fernado Coimba e Francy Pereira. Em fazendo dois, pode ser 30-35 mil a votação do último.

Avante estadual – provavelmente 1

Com 32 candidatos, orbita em torno do atual estadual Hilton Aguiar, que parece ser bem maior do qualquer outro correligionário. Provavelmente ultrapassará o ponto de corte, de 108 mil votos. Se fizer, é ele.

ADENDO 1: Amapá

No vizinho Amapá, nosso estado-filho, 22 chapas disputam as oito cadeiras federais. Em 2018 eram tão somente oito chapas. Dado ao alto grau de pulverização, a princípio, as oito chapas mais votadas tenderiam a eleger um federal cada. Todavia, como a legislação impôs um ponto de corte de 10% dos votos válidos (80% do quociente, que, por seu turno é de 12,5%), a briga é para superar esse mínimo: quem ultrapassar, fará assento(s). 

Em 2018, apenas um partido conseguiu mais de 10%. Evidentemente, mudanças nas regras do jogo alteram o comportamento os jogadores: o que gera, na transição de regras, um cenário um pouco difícil de prever. 

Se oito agremiações passarem do corte, deverá ser um mandato para cada; se sete passarem, deverá ser um para cada e repete na mais votada; se 6 passarem, deverá ser um cada e repete nas duas mais votadas e assim por diante.

ADENDO 2: possíveis questionamentos judiciais

As eleições 2018 inovaram ao acabar com o ponto de corte para que uma chapa tente eleger alguém, que até 2016 era de 100% do quociente agora é de 80% dele; as de 2020 inovaram ao proibir coligações proporcionais; e as eleições 2022 inovam ao permitir federação partidária, limitar bastante o volume de candidatos por chapa e criar mais um ponto de corte: desta vez por candidato, 10% para vaga “cheia” e 20% para “da sobra”.

Todavia, “quando não houver mais partidos com candidatos que atendam às duas exigências do inciso I deste caput, as cadeiras serão distribuídas aos partidos que apresentarem as maiores médias” — inciso III do Art. 109 do Código Eleitoral.

Esse novo cenário pode gerar questionamentos judiciais por conter dois cálculos: um mais rígido, respeitando todos os pontos de cortes (mas que pode, mesmo dando arredondamentos, não preencher todas os assentos) e outro cálculo com concessões, que abre mão de cortes, um prol de preencher todas as vagas. 

Se for necessário aplicar o segundo, as cadeiras já distribuídas até aquele ponto pelo primeiro serão respeitadas? Ou migra totalmente para o segundo? Enfim.

** Alan Lemos é contador e observador da política.

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One Response to Projeção de vitória para Alepa e Câmara dos Deputados. Por Alan Lemos

  • Essas projeções para ocuparem os acentos na ALEPA e na CÂMARA FEDERAL mostra ao eleitorado do oeste do Pará a importância do eleitor dessa grande área geográfica votar nos candidatos do Oeste do Pará. Poucos nomes para representar o desejo da criação do Estado do Tapajós e o crescimento da região com a vida de grandes recursos para todos os municípios que fazem parte do futuro estado do Tapajós. Precisamos votar nos nossos representantes.

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