Câmara de Belém 2020: comparação entre projetado e realizado. Por Alan Lemos
Prédio da Câmara de Vereadores de Belém. Foto: Divulgação

Encerrada a apuração em Belém, é hora de comparar a projeção feita neste blog e o resultado oficial. O quociente eleitoral foi de exatos 20.700 votos e a cada 15.563 votos o partido conquistava um mandato de vereador.

A diferença entre esses dois valores é porque a votação é fragmentada e no processo de arredondamento, conhecido como “sobras”, naturalmente ocorre de alguns serem arredondados para mais e outros para menos.

Alan *

MDB

Projetado: 4 ou 5. Realizado: 4. A votação de Priante, que ajudou sua legenda de vereadores, foi aquém do esperado e a chapa acabou ficando a 0,28 quociente de fazer a quinta cadeira. Todos os(as) eleitos(as) foram citados(as) aqui. 

PSOL

Projetado: 3 ou 4. Realizado: 3. O partido ficou a 215 votos de conquistar sua quarta cadeira, votos em legenda também fizeram falta. Todos os(as) três eleitos(as) foram elencados(as) aqui.

PSDB

Projetado: 2. Realizado: 2. Ambos eleitos foram arrolados na previsão.

 

Cidadania

Projetado: 2. Realizado: 1. O eleito não havia sido relacionado na projeção. Além disso, nomes importantes e a candidatura majoritária ficaram abaixo das possibilidades.

Podemos

Projetado: 2. Realizado: 2. Os dois eleitos foram citados aqui.

PL

Projetado: 2. Realizado: 2. Apenas reelegeu sua atual bancada. Os dois eleitos foram pautados na previsão.

PSB

Projetado: 1 ou 2. Realizado: 2. Algumas surpresas positivas apareceram no PSB, uma delas chegou à vitória e não estava listada aqui. Já o nome do outro re-candidato estava.

DEM

Projetado: 1 ou 2. Realizado: 1. Seu único eleito foi arrolado no artigo.

PTB

Projetado: 1 ou 2. Realizado: 1. O nome do eleito também foi cantado aqui. A parada no partido de Getúlio Vargas foi duríssima: um duelo pesado diante de um plantel muito pequeno de candidatos de suporte. Seu primeiro-suplente hoje tem mandato, foi o mais votado (quase 8 mil votos) dentre os não-eleitos e seria vencedor em quase todos os outros partidos.

PSC

Projetado: 1 ou 2. Realizado: 1. O nome do reeleito constava no prospecto. O PSC ficou na mesma situação do DEM: dois vereadores tentando a reeleição, um conseguiu e outro ficou como primeiro-suplente.

Solidariedade

Projetado: 1. Realizado: 1. O vitorioso foi evidenciado na prognóstico. O outro citado abandonou a candidatura.

PT

Projetado: 1, Realizado: 2. O PT foi uma surpresa para mais, sobretudo a mais votada do partido. Apenas o nome do outro eleito foi citado figurava no texto.

Pros

Projetado: 1. Realizado: 2. O Pros também foi outra surpresa para cima: o grande sufrágio de seu cabeça (superior a 10 mil votos) determinou a conquista de mais uma cadeira: inclusive foi o partido que conseguiu a melhor correlação de “votos por mandato” (15.563) e, por isso, o último arredondamento: 0,752. Dos 2 eleitos, apenas um estava aqui elencado.

 

Patriota

Projetado: 1Realizado: 2. Dos dois eleitos, só um foi listado no estudo. A votação em legenda (5 mil) foi superior ao estimado e fez com que conseguisse o penúltimo arredondamento da Câmara. Elegeu o vereador menos votado da cidade (2.364 votos).

Avante

Projetado: 1. Realizado: 1. O nome do único eleito não havia sido relacionado, apenas dos dois primeiros suplentes (que tentavam a reeleição).

PP

Projetado: 1. Realizado: 1. O nome do reeleito havia sido relacionado.

PCdoB

Projetado: 1. Realizado: 1. O nome do reeleito estava pautado na previsão.

PDT

Projetado: 1. Realizado: 1. Seu único eleito teve o nome cantado nesta pedra.

PSD

Projetado: 1. Realizado: 1. O nome eleito não constava na projeção. Seus dois atuais vereadores não conseguiram a vaga.

PV

Projetado: 1. Realizado: 0. O Partido Verde ficou a menos 3 mil votos de se manter na CMB. Deixar de ter lançado 20 candidaturas até o máximo legal pode ter determinado seu destino. Seus dois mais votados foram evidenciados aqui.

PTC

Projetado: 1. Realizado: 1Também sem mistério. Reconduziu ao mandato o único nome que citei.

Republicanos

Projetado: 1. Realizado: 3. O partido foi a maior surpresa desta eleição, o grande número de novatos dificultou a análise: elegeu 3 vereadores em 2016, perdeu todos através de desfiliação e agora recompôs-se de outros três. Elenquei dois nomes: ambos foram eleitos, além de mais outro que estava fora do radar.

PSL

Projetado: talvez nenhum, talvez 1. Realizado: 0. Angariou pouco menos de um terço do necessário para chegar à Câmara e o nome da mais votada figurava no nosso rol.

PRTB

Projetado: talvez nenhum, talvez 1. Realizado: 0. Mesma situação do PSL, mas sem sugestão de nomes.

DC

Projetado: dificilmente faria algum. Realizado: 0. Mesma situação do PRTB. 

Sem chances: PMB, Rede, Novo, UP e PSTU. Nenhum deles fez, todos com um volume incipiente de candidatos(as). Desses, quem chegou mais alto foi o Novo, com um terço do necessário para eleger alguém. 

Assim, é possível afirmar que a conjectura  teve 80% de acerto do resultado por chapas, considerando resultado exato (em 16) e dentro de uma margem estreita (em 8). De resto, errou por uma cadeira em 5 casos e por 2 cadeiras em uma única agremiação.. 

Em relação às eleições anteriores, a firmeza para sugerir quantas cadeiras cada partido conseguiria foi dificultada pela explosão no número de chapas — já que coligações para vereador e deputado são agora proibidas.

O vitorioso mediano, ou seja, o 18º mais votado dentre os 35 eleitos, tendo 17 mais votados à sua frente e 17 menos votados atrás de si, obteve 25% de quociente: 5.224 votos. Essa pode ser a marca sugerida para futuros pleiteantes planejarem suas candidaturas. 

Comparando com 2016, o mediano teve 28%. Esse rebaixamento provavelmente se deu em virtude do crescimento desproporcional no volume de candidatos — ocasionado, por seu turno, pelo fim das coligações para vereador.

 

Dos 35 atuais vereadores, apenas um não tentou a reeleição: Adriano Coelho, do PDT, diante da presumível vitória de Dr. Daniel à Prefeitura de Ananindeua e sua consequente ascensão à Alepa. Dos outros 34, somente metade conseguiu permanecer — e oito ficando na condição de primeiro(a) suplente.

O MDB foi previsivelmente o maior sorvedouro de mandatos: nele, três legisladores perderam a reeleição. Em vários partidos, dois ou três atuais vereadores se aglomeraram e a chapa acabou conquistando um número de mandatos inferior ao de atuais parlamentares. Alguns partidos elegeram só novatos, ao passo que em outros houve troca interna entre veteranos e novatos.


— * Alan Lemos é contador e “expectador da política”.

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