Família denúncia suposta 'vacina de vento' aplicada em idoso e Santarém
Manuel Andrade no ato de sua vacinação em Santarém. Procedimento fora do protocolo recomendando pelo Ministério da Saúde. Foto: Reprodução/Família Andrade

Um idoso de 86 anos pode ter sido vítima da ‘vacina de vento’ para covid-19 em Santarém (PA). Manuel Conceição Bentes de Andrade, segundo denúncia de seus familiares, teria recebido a aplicação com seringa vazia.

O protocolo de vacinação recomendado não foi seguido, revelaram ao blog. O caso foi denunciado ao Ministério Público do Pará. Abaixo o depoimento do que teria ocorrido, conforme a família Leal de Andrade, do bairro de Aparecida.

 

Santarém, 23 de fevereiro de 2021.

Prezados Jeso Carneiro e leitores do blog,

Cumprimentado-os (as), relato que, a partir da matéria veiculada na TV Tapajós, na programação do Bom Dia Santarém e no Jornal Tapajós, do dia 22/02 como um alerta à população, o técnico responsável se manifestou sobre o ocorrido com inverdades absurdas, envolvendo minha mãe, idosa, e eu.

O que nos causou ainda mais insegurança, frustração e tristeza, conforme descrevo abaixo:

1. alegou que a carteira de vacinação foi emitida com o nome de outro homem das inicias “A.F.F.”, porque minha mãe entregou o documento desse senhor para a agente de saúde. Sendo que, na residência dos meus pais, só moram eles dois, que nós nunca conhecemos, nem tampouco tivemos contato com esse senhor. Portanto, não existe motivo para guardar e/ou estar de posse de algum documento que não seja o deles. Além disso, em nenhum momento o documento do meu pai, Manuel Conceição Bentes de Andrade, 86 anos, acamado, idoso a ser vacinado, foi solicitado;

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2. alegou que não me mostrou o frasco da vacina porque eu queria segurar o mesmo, para tirar foto. O que minha mãe é testemunha de que eu pedi para ver o frasco e ver a retirada da dose necessária para a vacina, conforme orientações do Ministério da Saúde, sobre o protocolo a ser seguido;

3. disse ainda que mostrou para minha mãe o frasco e o preparo da vacina, o que não procede, porque quem estava acompanhando o técnico para verificar se cumpriria o protocolo para a vacina era eu, que sou filha, e estava como responsável pelo idoso. Enquanto, minha mãe, após receber a equipe e me escutar falar com o técnico sobre o protocolo a seguir, subiu para o quarto com o intuito de ajudar o meu pai, que se encontrava dormindo;

4. disse que só adentraram na casa, o técnico e agente de saúde, que o restante da equipe ficou do lado de fora da casa. O que não procede, porque todos os 5 (cinco) – 1 homem e 4 mulheres, adentraram a residência dos idosos, subiram e ficaram na sala, enquanto o técnico e uma auxiliar foram para o quarto. Somente o motorista ficou no carro aguardando-os;

5. que eu não fui impedida de filmar, no entanto, quando falei que queria filmar todo o protocolo, alegou que estavam com muita pressa, tirei rapidamente o celular da bolsa e consegui apenas registrar duas fotos que mostram o gesto vacinal, completamente inadequado. Portanto, devido a total ausência de transparência quanto ao protocolo orientado/recomendado pelo Ministério da Saúde.

Nossa família decidiu abrir um protocolo no Ministério Público para noticiar os fatos e pedir apuração, por se tratar de “Questões de Alta Complexidade, Grande Impacto e Repercussão”, visando evitar que essa situação se repita.

Até o momento temos muita insegurança, se o líquido aplicado era da vacina contra a covid-19. Pelo nervosismo do que estava acontecendo esqueci que poderia recusar a aplicação até que o frasco me fosse mostrado e, tomar as providências cabíveis.

Como o protocolo recomenda a aplicação da vacina

Desde já, agradecemos imensamente toda atenção, disponibilidade e prontidão deste blog, bem como, deixamos o ALERTA à população, uma vez que o Manual de Protocolo para a vacina contra covid-19 orienta que todo o processo de preparação da dose deve ser mostrado ao usuário como uma iniciativa do técnico responsável pelos procedimentos, a saber: mostrar o frasco, a aspiração da dose, a seringa com o líquido, o gesto vacinal (a aplicação), até a seringa seca.

Atenciosamente,

Família Leal de Andrade, bairro de Aparecida


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