Advogado contratado por Zé Maria por R$ 420 mil é procurador-geral de Salvaterra, no Marajó

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Advogado contratado por Zé Maria por R$ 420 mil é procurador-geral de Salvaterra, no Marajó
Zé Maria ao lado de seu vice, Carlos Martins, na entrevista a imprensa sobre os 100 dias de seu mandato. Foto: PMS

O advogado, com banca em Belém, contratado por R$ 420 mil sem licitação (inexigibilidade) neste ano pelo prefeito Zé Maria, de Santarém (PA), é procurador-geral de Salvaterra, município localizado na ilha do Marajó, a 80 km da capital paraense.

Com carteira da OAB obtida há menos de 3 anos, Patrick Pereira de Deus assinou contrato de 1 ano com a Prefeitura de Santarém em fevereiro (dia 27), no valor global de R$ 420 mil – R$ 35 mil/mês.

O advogado passou pelo crivo da inexigibilidade da assessoria jurídica do prefeito Zé Maria por conta de sua “notória especialização”, “vasta experiência” e “domínio avançado de leis”. A contratação foi revelada pelo JC em março.

Leia a íntegra do contrato.

Na ocasião da assinatura do contrato, Patrick já exercia o comando da Procuradoria Geral de Salvaterra. Foi nomeado dia 6 de janeiro, conforme decreto (003/2025) assinado pelo prefeito Valentim Oliveira (MDB).

O salário dele, segundo tabela disponível no Portal da Transparência de Salvaterra, é de exatos R$ 18.142,50 – o prefeito ganha R$ 18 mil.

Cargos incompatíveis

De acordo com o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Lei 8.906/1994 -, o exercício das advocacia pública e privada, simultaneamente, são incompatíveis.

“Os Procuradores Gerais, Advogados Gerais, Defensores Gerais e dirigentes de órgãos jurídicos da Administração Pública direta, indireta e fundacional são exclusivamente legitimados para o exercício da advocacia vinculada à função que exerçam, durante o período da investidura.”, estabelece o artigo 29 da lei.

No mês passado, Patrick de Deus protocolou na Justiça de Salvaterra uma ação de improbidade administrativa (com pedido de liminar) contra Carlos Gomes, ex-prefeito do município, e mais outros agentes públicos e um empresário. Os acusados teriam supostamente causados danos ao erário público.

Na peça de 28 páginas, a defesa do atual prefeito pede, liminarmente, a quebra dos sigilos fiscal e bancários dos acusados, “a fim de apurar a destinação dos recursos públicos desviados”, entre outros pedidos.

O processo tramita desde 14 de março.

Contraponto

A Prefeitura de Santarém, gestão do prefeito Zé Maria (MDB), não se manifesta sobre quaisquer denúncia veiculada pelo JC. Ainda assim, o espaço está aberto para o contraponto.

❒ Sobre a contratação de Patrick de Deus, leia também: Vereador do PL pede informações a Zé Maria sobre contratação de advogado por R$ 420 mil.

O advogado Patrick Pereira de Deus não foi localizado. A manifestação dele sobre o caso será publicada neste espaço assim que for remetida à redação do JC.

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