por Edilberto Sena
Sobre a Tecejuta lembro alguns pontos, afinal tenho apenas 69 anos!
1.
Quando Getúlio Vargas foi candidato à Presidência da República, em 1950, Elias Pinto era o porta voz do então prefeito Aderbal Correa e, com Getúlio em Santarém, fazendo campanha, Elias fez um retórico discurso de apoio ao candidato. Getúlio então teria prometido ao jovem político santareno que caso fosse eleito, Elias podia solicitar algo importante para a economia do município. De fato, quando o homem foi eleito, Elias juntou algumas liderança econômicas de Santarém e foi ao Rio de janeiro. Getúlio estava em Petrópolis, e lá recebeu o grupo liderado por Elias Pinto. Ali nasceu a Tecejuta. O pedido foi aceito e Getúlio mandou vir uma completa fábrica de tecelagem da Inglaterra para Santarém. Uma informação me chegou que os industriais de tecelagem de São São Paulo, que até então recebiam a matéria prima de Santarém, preocupados com a vantagem da Amazônia, teriam substituído as máquinas novas por outras mais velhas e enviaram a Santarém. Só o motor de luz era novo. Verdade ou não, o certo é que o bairro da Prainha de então recebeu luz elétrica muito boa e a Tecejuta funcionou ainda por vários anos;
2. Já pelo ano 1980, a Tecejuta estava em declínio e os donos atrasaram o pagamento dos funcionários por vários meses. O sindicato dos trabalhadores, liderado então pelo jovem Mário Feitosa [ex-vereador], enfrentou o patrão com uma greve que lhe custou caro. O patrão o afastou do trabalho, sem pagar-lhe salário por mais tempo ainda até que num acordo forjado, em cima do desespero de sustentação familiar, levou o jovem lider sindical a aceitar um acordo com o patrão. Ele foi indenizado, mas teve que romper com sua luta sindical e desde lá mudou de partido político, passando a dançar conforme a música do PMDB de então. Anos depois, o antigo líder lutador deixou a vida política e o movimento sindical de maneira triste.
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3. O mais triste é hoje o sepultamento da Tecejuta. O prédio em decadência está sendo negociado para ser transformado em porto, ou coisa parecida. Ali, de frente para o encontro das águas, daria um belo Centro Cultural de Santarém, com dinheiro do Estado (sei que o secretário de cultura do Pará tem plano de construir um Centro Cultural na cidade). Ali seria um local mais bem aproveitado do que uma empresa construir mais um porto. Bastaria que a Prefeitura de Santarém tivesse visão de futuro e desapropriasse o terreno e oferecesse ao Estado. Por que não? Seria uma boa maneira de honrar a destruída TECEJUTA de saudosa memória.
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Há 60 anos, nascia a Tecejuta.
O Pará tem tanta riqueza para produção pena que os administradores desse estado são cegos.
Tem tanta gente inteligente em Santarém… Saudade da minha cidade… 🙂
Eu estava presente nesse discurso do Getulio, nas escadarias da Matriz. Por ironia do destino, deparo hoje nos jornais aqui de Manaus com a inauguração de mais uma industria de beneficiamento de juta e malva, a BRASJUTA, que com essa, já são 3 fabricas instaladas e produzindo aqui no amazonas. Segundo ainda os jornais, a produção do amazonas de juta e malta é de 13 mil toneladas ao ano, mas que em 2012 passará para 20 mil toneladas. O interessante da noticia, é que a semente da juta plantada no amazonas, vem do PARÁ onde ela é produzida. A produção do Pará é somente de mil toneladas.