Missão cumprida

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por Helvecio Santos (*)

Ano passado, escrevi Resgatando dívidas, onde confesso a frustração que sentia por, há 40 anos, não passar Natal e Ano Novo junto da minha família (a de sangue) e dos amigos, em minha Santarém.

Para minha alegria, este ano resgatei a dívida que tinha comigo e fui recompensado por tanto tempo de espera. De 15/12 a 05/01/12 desfilei minha saudade e minhas camisas do LEÃO no calor da Terrinha.

No primeiro final de semana, fui a um encontro de “boleiros masters” organizado pelo meu amigo e compadre Luis Gonçalves, secundado pelos não menos amigos Raimundo Gonçalves e Pedrinho Moreira, quando tive o privilégio de abraçar os titãs Mazinho e Dom Inácio, referência que faço sem desmerecer outros que ajudaram a escrever a história do futebol santareno.

Ao final do encontro, com uma significativa oração do Raimundo pedindo a Deus que nos abençoasse no ano entrante e prometendo estarmos novamente juntos no final de 2012, nos demos as mãos e rezamos um Pai Nosso e uma Ave Maria e, após uma calorosa salva de palmas, nos despedimos.

Passo seguinte, meu compadre mais o Raimundo, o Pedrinho e o irmão do meu compadre, rumamos para outro encontro de boleiros, desta vez na sede etílica/literária/dançante do Estopim, do meu amigo Afonso Cupu, lá no Beco do Fuxico.

Nova saraivada de abraços!

O ambiente parecia o da “Festa de Arromba”, sucesso dos anos 70 na voz de Erasmo Carlos. O Miguel Coruja fazia passes de milongueiro argentino, rodopiando, abraçado a uma imaginária cunhantã. Poderia dizer que o Piraca fazia performance de leopardo, mas este poderá se ofender. Assim, direi que, dorso nu, num elegante calção de cetim preto e branco, fazia performance de “pantera negra”.

Conheci o Cacareco, o Manguito, que estava acompanhado de sua filha mais nova e tantos outros. Na sessão cultural, um colega advogado, que não recordo o nome e pelo que peço desculpas, declamou belíssimas poesias.

Lamentei que de lá já haviam se ausentados os amigos Rubão (Dr.Rubem Miranda Chagas) e Birimba, este nascido Wilmar, número 100 quando servimos o Tiro de Guerra, nosso querido TG-190.

A noite caia quando de lá saímos e ainda tinha gente chegando. Não deu para ver mas, posso afirmar, não era a Martinha, o Simonal, o Jorge Ben e até o meu amigo Jair Rodrigues que chegavam, como na música do Erasmo. Não! Não eram craques da Jovem Guarda, mas craques da bola que chegavam. Melhor, ex-craques desfilando “sua ilusão num estádio vazio”. Êta, festa de arromba!

A propósito, por que não existe nenhum logradouro público homenageando nosso passado futebolístico? Por quê? Que o espírito de Nego Otávio, João Batista, Anastácio “Beleza Preta”, Taro, Mindó, Adalgiso e tantos outros, ilumine nossos governantes.

A semana seguinte transcorreu sob a expectativa da chegada na sexta de madrugada da minha Rosane e fiz questão de ir buscá-la sozinho. As ruas desertas, a fresca brisa da Fernando Guilhon vinda do Irurá e do Mapiri e, pouco tempo depois, às gargalhadas, sob as bênçãos de Vênus, deliciando-nos com o frescor da madrugada, rumamos para casa.

Para mim, Santarém estava completa. Com tudo que amo, era o centro do universo! Penso que amar é uma bênção de Deus!

Para quem convive com a agitação do Rio de Janeiro, o tempo passava lento mas, finalmente, chega a Noite Mágica! Os corações se enfeitam de luz. É Natal!

A casa da minha sobrinha, onde tradicionalmente é comemorado, está toda decorada e o som, sob o comando de um dos seus genros, a todo vapor, contagia a todos.

O ápice da festa é a apresentação de um musical natalino, escrito e dirigido pela minha sobrinha Sonia e encenado por ela, suas filhas, genros, netos, completando-se o elenco com minha sobrinha Aninha. Dedicando à tia Rosane, meu sobrinho bisneto Gabriel canta uma música natalina.

A festa prossegue com o amigo secreto, a ceia e mais música, mais alegria, mais amor de Deus presente, este o presente maior e, por findo, todos, de mãos dadas, agradecemos a Deus pela graça de estarmos juntos no amor de Cristo renovado em nossos corações.

Verdadeiramente passagem e paisagem de Natal!

No meio da semana seguinte, os sobrinhos Soyane e Luciano fizeram um churrasco em sua nova casa, festejando a graça alcançada. No ano findante um incêndio na casa alugada reduziu a cinzas seus móveis, roupas, utensílios etc. Mas quem tem fé tem tudo e não falo da fé piegas do cruzar os braços e esperar que de uma bananeira nasça um Volkswagen. Falo da fé que move montanhas, da fé que realiza, que trabalha, que busca. Esta verdadeira fé levou-os a comprarem sua pequena casa que, nas palavras de minha sobrinha, é um palacete.

Também visitei a Sedinha (como chamo o escritório que o LEÃO mantém na Mendonça, atrás do antigo Estádio Elinaldo Barbosa). Nos meus tempos de jogador, anos 70, cansei de ver nossos diretores Francisco Coimbra, Otaviano Matos, Dídimo Manoel de Souza, Edenmar Machado, Agostinho Coleta do Couto, Evandro Vasconcelos entre outros, reunidos informalmente, desde que o interesse do clube requeresse.

Assim, encontrei, na porta da Sedinha, os diretores Eddie Ribeiro, Bruno Moura, Matias Júnior e outros mais. Circunspetos, decidiam os próximos passos do LEÃO. Assim deve ser! A vida não para, o LEÃO não pode parar e esse caminhar prescinde de atas ou de outras formalidades.

O final de semana chegou e com ele o ano se findava. O reveillon foi na casa do papai, na 24 – mesmo o papai tendo feito sua passagem em 1998, até hoje é assim que todos nos referimos – e foi também um festão. Às 03:00 da madrugada do dia 1º ainda dançávamos ao som de sambas enredos na voz de Dudu Nobre. O enterro dos ossos foi em Alter do Chão na casa da minha sobrinha.

Realmente, resgatei! Missão Cumprida!

E, para um fechamento luminoso, gostaria que o Natal se estendesse por janeiro, fevereiro, março, etc etc etc. Que em todos os meses reinasse o espírito natalino. Um natal de renovação, de recomeço a cada dia, a cada minuto, livre dos dissabores do ano que passou. Que a esperança e a fé do Natal fossem companhias permanentes. Que se valorizasse mais as pessoas e menos os bens materiais.

Que as crianças fossem incentivadas em seus sonhos e os velhos amparados, onde quer que estivessem. Na fila dos bancos, no cruzamento das ruas, no difícil caminhar do dia a dia. Se não por amor, que seja por interesse, eis que para lá caminhamos todos.

Que os homens encontrassem seu caminho, o caminho do bem, da concórdia, o caminho de casa e que seus sonhos fossem acalentados não pelo espírito etílico que tantos lares já destruiu, mas pelo espírito da companheira que fazendo-se mãe sabe que é uma mulher tão bonita por fora quanto o é por dentro…basta ser olhada com os olhos do menino Jesus que nasce, dentro de nós, a cada minuto de nossa vida.

É só querer e abrir o coração. Que a esperança e a fé fossem também companhia dos jovens, tanto aqueles que a vida amadureceu cedo demais quanto aqueles que, imaturos, perderam-se ou perdem-se nas facilidades de um mundo cada vez mais voltado para a competição em prejuízo da cooperação, do “fazer pelo outro o que queres que te façam”.

Enfim, que a fé e a esperança fossem companhias mais freqüentes destes seres internéticos dominados por chips, smartphones e similares, motrizes deste admirável mundo novo que a cada dia esquece um pouquinho mais que abraço e afago é coisa deste animal chamado homem, feito à imagem e como semelhança de Deus.

P.S.: dedico estes escritos à minha família e particularmente às tias Morena e Mocinha e a meu primo Gigi.

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* Santareno, reside no Rio de Janeiro. É advogado e economista. Escreve regularmente neste blog.


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One Response to Missão cumprida

  • Caro Helvecio

    Fiquei lhe devendo um passeio, mais prometo-lhe que irei cumprir com voçê, mais todo final de ano e bastante conturbado, festas, festas e ai já sabes, mais estou por aqui, quando vieres me avise, sabes o meu email e fone 93-9122-8887.
    Em relação ao LEÃO até agora vai bem, diferente do PANTERA que ainda não demosntrou nada.
    Abraços

    Esequiel Aquino

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