A Anália
Se é doce no recente, ameno estio
Ver toucar-se a manhã de etéreas flores,
E, lambendo as areias os verdores,
Mole e queixoso deslizar-se o rio;
Se é doce no inocente desafio
Ouvirem-se os voláteis amadores,
Seus versos modulando e seus ardores
De entre os aromas de pomar sombrio;
Se é doce mares, céus, ver anilados
Pela quadra gentil, de Amor querida,
Que esperta os corações, floreia os prados,
Mais doce é ver-te de meus ais vencida,
Dar-me em teus brandos olhos desmaiados
Morte, morte de amor, melhor que a vida!
— ARTIGOS RELACIONADOS
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
De Bocage (1765-1805), poeta português.
Leia também:
Paisagem citadina, de Luís Miguel Nava.
Deixe um comentário