Engenheiro, Rubem Miranda Chagas Jr. faz contraponto ao artigo Código de Obras: exigência inútil, da lavra do arquiteto Ary Rabelo:
Caro Ary,
Permita-me discordar de você.
Em primeiro lugar, a exigência do projeto estrutural para a aprovação da obra é uma tendência mundial, que começa a ser aplicada no Brasil, após frequentes tombamentos de muros de contenção e colapsos de edificações de múltiplos pavimentos, gerando danos materiais e vítimas fatais.
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Em vários países, todos os projetos que podem redundar em risco para pessoas, ou são examinados pelos órgãos públicos ou devem submeter-se a uma verificação independente. É inadmissível projetar estruturas sem que seja feita uma verificação formal do projeto. Isto deveria estar regulamentado em leis válidas para todo o território nacional.
Diversas cidades brasileiras, de alguma forma, já contemplam essa exigência em seus códigos de obras e planos diretores, e outras, como Pelotas(RS), já o fazem desde a década de oitenta, algumas até sem nenhuma restrição.
Uma edificação térrea com área a partir de 150 m² teoricamente estará submetida a uma considerável carga distribuída de cobertura, que aliada às ações do vento, necessitará de uma estrutura corretamente dimensionada, eliminando o risco de deformações excessivas (que ultrapassam os limites estabelecidos por norma), ocasionando o surgimento de fissuras, trincas permanentes em alvenarias que ressurgem mesmo após sua recuperação ou até mesmo o colapso da estrutura.
Os erros técnicos que geram desabamentos na construção civil têm três causas básicas:
• Erros de avaliação na escolha do terreno, pela falta de uma sondagem séria que identifique os materiais que compõem o solo (areia, argila, aterros, áreas de turfa).
• Erros de cálculo das fundações, da estrutura, distorções do projeto arquitetônico, etc.
• Erros na execução da obra, resultantes da aplicação de materiais de baixa qualidade ou inadequados.
Julgo extremamente equivocada sua análise de que tal exigência é inútil e irá onerar o custo de legalização de obras já que é justamente a falta de sondagem do solo, projeto de fundações e projeto estrutural que geram prejuízos financeiros e atrasos na execução, muitas vezes inviabilizando o cronograma inicialmente definido.
O projeto de arquitetura representa 5% do total da obra, o de estrutura, de 2% a 5%, e o de hidráulica e elétrica, 3%, em média. Esses 10% ou 12% acabam gerando uma economia de até 20%.
Projetos técnicos não são despesas, são investimento e economia.
Apesar de escondidos e indecifráveis para o leigo, erros estruturais e de fundação que você não vê comprometem tudo o que você vê. Os 5% de custo do projeto garantem os 95% posteriores.
Porém, infelizmente, apenas as grandes obras (edifícios, pontes, represas, etc) costumam se beneficiar desse fator, pois a construção de residências e pequenos edifícios muitas vezes é confiada à “experiência” de empreiteiros, pedreiros e leigos e essa experiência, muitas vezes empírica e intuitiva, não faz uso das técnicas corretas.
O uso de técnicas empíricas costuma garantir a “segurança” de uma obra com o uso de material excessivo: ferros em quantidade e bitola exageradas, colunas e vigas superdimensionadas, além de constituírem verdadeiro prejuízo financeiro, concorrem para obras mais demoradas.
Um projeto estrutural correto garante a total segurança da obra, prevendo uso de materiais de qualidade, quantidade e dimensões adequadas, gerando economia substancial assegurando ao empreendedor da edificação uma otimização do fator custo-benefício por eliminar desperdícios de material e mão de obra, diminuição dos prazos de execução e consequente disponibilização dos benefícios financeiros almejados com a concretização do empreendimento.
Isto tudo constitui a garantia da qualidade, muito bem definida pelas ISO 9000: “Todas as ações planejadas e sistemáticas necessárias para prover a confiança adequada de que um produto ou serviço irá satisfazer os requisitos da qualidade.”
Essa conscientização deve ser promovida com campanhas elucidativas dirigidas à sociedade, ao leigo, que pode terminar sua vida debaixo de uma laje mal dimensionada.
Antes de discutir se na aprovação de projetos nas prefeituras deveria ser exigido o projeto estrutural (que na verdade já é obrigatório em todas do país -pelo menos para obras a partir de 2 pav), deveria ser discutido o direito dos arquitetos de terem o poder de assinar um projeto estrutural. Na grade curricular de arquitetura nem se quer tem resistência dos materiais e física -e não vem com essa de que alguns arquitetos são bons demais, senão poderei dizer que tem mestre de obras que também é bom, e que por isso também pode ter o direito legal de assinar. O desastre mesmo vai ser quando vermos obras com RT’s estruturais de arquitetos caírem. E sem querer entrar em outro assunto, mas chegamos a esse ponto (o de autorizar arquitetos a assinarem RT estrutural) por perdermos a essência da arquitetura. Eles esqueceram a arquitetura e agora querem pensar e trabalhar como engenheiros.
Creio que a preocupação expressa pelos dois profissionais é pertinente e ocorre em diversos municípios brasileiros. A exigência da apresentação do projeto é muito interessante, entretanto, se todos os cidadãos que constroem pequenos imóveis residenciais forem obrigados a apresentar projetos, nem o mercado disporá de profissionais suficientes, nem as prefeituras farão uma análise realmente com rigor técnico necessário. Os profissionais da construção civil, engenheiros, civis, arquitetos, tecnólogos e outros são subempregados em prefeituras e até no mercado da construção. A pressão do comércio de materiais de construção civil é muito poderosa e parte do interesse eleitoral do governante da república que lá estiver.
Parabenizo os dois profissionais por realizar uma discussão deste nível.
Pelos últimos acontecimentos ocoridos com prédios sinistrados por desabamentos pelo colapso de estruturas matando pessoas, seria bom que algum parâmetro de segurança nas construções fosse estabelecido por lei municipal.
Alguns clientes visando apenas a economia, contratam “mestres-de-obras” sem nenhum conhecimento técnico e estrutural para construírem suas edificações. E que nunca fizeram nenhum curso de capacitação dentro de suas habilidades, pois desconhecem o que sejam, cargas positivas e negativas, cargas acidentais, períodos de curas para desformas, análise de riscos, segurança do trabalho, etc…)
Respeitando a preocupação borocrática do renomado arquiteto Dr. Ary Rabelo, mas estou de acordo com o Dr. Rubens, filho de outro profissional experiente, para que toda construção estruturada a partir de dois pavimentos, fosse necessário o projeto estrutural, porém seria indispensável a fiscalização na execução da obra pelo profissional responsável. Pois existem “mestres-de-obras” que além de não saberem ler um projeto estrutural, resolvem alterá-los por conta própria.
Já é hora de clientes acabarem com o “jeitinho brasileiro” de construírem na “gambiarra”, e contratarem profissionais (engenheiros e arquitetos) para as devidas visitas técnicas de acompanhamento de suas obras. Isso não é despesa, é investimento e garantia de segurança em seus patrimônios que passam a ser bens duradouros sem levar riscos para as pessoas que irão ficar embaixo…
O correto seria o cliente contratar o profissional (arquiteto ou engenheiro); este contratar o mestre-de-obras e exigir deste cursos de capacitação em construção civil, para que dentro desta hierarquia profissional e de responsabilidades a construçao civil fosse executada a contento con segurança para todos.
Saudações de um mestre-de-obras, mas que valoriza a responsabiliade dos profissionais da área.
Um é engenheiro civil (Rubinho) e o outro arquiteto (Ary), todos excelentes profissionais e amigos, que somam com o debate para o aprimoramento da norma reguladora editada pelo município. Parabéns pelas informações e por trazerem à lume importante discussão.
Parabéns Rubem pela sua resposta, onde demonstra o grande grau de conhecimento na área da construção civil, e você esta redondamente certo a respeito da exigência do projeto estrutural.
Agora o Sr. Ary Rabelo, meteu o pé na jaca, isso demonstra que este arquiteto precisa estudar e se informa mais sobre construção civil.
Há eu ia esquecendo, aquele muro que caiu, mas o comércio ao lado do Ministério Publico, na Barão do Rio Branco, era o senhor Ary Rabelo o responsável técnico da obra, ou estou enganado.
Mercenário,
Não estamos, eu e o Rubem, em busca de aplausos, nem de demostrar alto grau de conhecimento. Simplesmente buscamos defender a adequação ou não da exigência de mais um projeto no rol de tantos que já exigem. E divulgar para todos conhecerem.
Defendemos conjuntamente a necessidade do projeto estrutural, ele opta que além disso seja obrigatório entregarmos à prefeitura, eu pela não obrigatoriedade desta entrega.
Pessoas mau educadas como o sr. direciona para um lado maldoso e relaciona fatos que não conhece a fundo, próprio de energúmenos e abduzidos.