Os novos imortais

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Discurso de posse do novo imortal Anselmo Colares na ALAS, Academia de Letras e Artes de Santarém

Anselmo Colares discursa na sua posse como novo integrante da ALAS

A ALAS (Academia de Letras e Artes de Santarém) tem 3 novos imortais.

A posse de Anselmo Colares (educador), Oti Santos (jornalista) e Djalma Pereira (violonista) foi realizada ontem (28), no museu João Fona.

” Todos somos imortais, mas poucos se dão conta de que a imortalidade pode ser experimentada ainda em vida, pelas obras que são realizadas, mas, acima de tudo, pelo amor que se tem pelas pessoas com as quais convivemos, e pelas atividades as quais nos dedicamos”, disse Anselmo, no discurso de posse.

“Livros invisíveis, nascidos da generosidade para com o próximo, são tão importantes quanto aqueles que levam escritores a ocuparem vagas nas academias de letras. Obras de caridade, material ou moral, são tão relevantes quanto as obras que consagraram os artistas mais renomados”, refroçou.

No Leia Mais, abaixo, a íntegra do discurso dele.

Os 3 novos acadêmicos ocuparam as vagas de Eymar Franco, Wilde Fonseca e Sebastião Sirtotheau, que faleceram no ano passado.

Discurso proferido pelo educador Anselmo Colares

Excelentíssimo Senhor Presidente da Academia de Letras e Artes de Santarém, jornalista e professor Manoel Ednaldo Rodrigues, Ilustres Acadêmicos, Autoridades aqui presentes e representantes, senhores, senhoras, que prestigiam esta solenidade, boa noite.

É impossível apenas com palavras expressar um sentimento que emerge da alma. Estamos tomados de emoção e felicidade. Integrar a Academia de Letras e Artes de Santarém é uma honra. Mas também um grande desafio. Honra em fazer parte de uma instituição que é sinônimo de sapiência. Desafio de ocupar o espaço físico de personalidades que estão incorporadas na história e na memória. Tudo isso exige respeito e profunda sensibilidade.

Hoje aqui firmamos o compromisso de ocupar com humildade as cadeiras de números 13, 22 e 34, que tem como patronos, respectivamente, o poeta Genesino Braga, o maestro José Agostinho da Fonseca e o poeta Silvério Sirotheau Corrêa, as quais já foram ocupadas por Eymar da Cunha Franco, Wilde Dias da Fonseca, e Sebastião Nogueira Sirotheau.

Lendo a vida e obra daqueles que nos antecederam, percebe-se que todos buscaram um sentido para suas vidas, mas, enquanto o procuravam, souberam transformar seus passos em manifestações de amor ao próximo. E isto os fez merecedores de serem considerados imortais.

Na verdade, todos somos imortais, mas poucos se dão conta de que a imortalidade pode ser experimentada ainda em vida, pelas obras que são realizadas, mas, acima de tudo, pelo amor que se tem pelas pessoas com as quais convivemos, e pelas atividades as quais nos dedicamos. Livros invisíveis, nascidos da generosidade para com o próximo, são tão importantes quanto aqueles que levam escritores a ocuparem vagas nas Academias de Letras. Obras de caridade, material ou moral, são tão relevantes quanto as obras que consagraram os artistas mais renomados.

Não nos tornamos imortais por entrarmos na Academia. Nos tornamos importais pelas ações que realizamos. E essas ações, associadas a outros critérios, podem nos conduzir aos reconhecimentos terrenos. Daqueles a quem amamos, e aqueles que nos amam, as vezes até sem nos conhecerem.

A glória do mundo é transitória, e não é ela que nos dá a dimensão de nossa vida – mas a escolha que fazemos, de seguir nosso lema pessoal, acreditar em nossas utopias, e lutar por nossos sonhos. Somos todos protagonistas de nossas vidas, e muitas vezes são os heróis anônimos que deixam as marcas mais duradouras.

Cada ser humano é único e constrói o edifício de seu caráter com a matéria prima que dispõe e que atualiza em sua trajetória de vida. Muitas pessoas participam dessa construção (pais, professores, amigos, autores de livros, músicos, produtores de filmes, artistas), mas a obra final é um produto original e único. Desta originalidade dependemos para que a humanidade se torne melhor. Os exemplos são a melhor forma de ensinar valores.

Porque hoje tomam posse Anselmo, Oti e Djalma, e não outros ilustres santarenos que também enriquecem a cultura santarena? Primeiro porque tivemos o desejo de fazer parte da Academia. E inscrevemos nossos nomes seguindo as regras do Edital de Vacância (de 07 de novembro de 2011). Segundo porque, ao sermos julgados, por nossas atividades e nossa conduta, fomos considerados aptos a integrar a Academia (atendendo ao disposto no Art. 6º do Estatuto). Na sequência, fomos eleitos em sessão extraordinária ocorrida no dia 02 de dezembro de 2011, com votação em dois turnos.

A posse desta noite se reveste de caráter emotivo ímpar. Aqui chegamos com o desejo de continuarmos aprendendo e dispostos a nos nutrirmos do passado, para avançarmos criativamente rumo a um futuro promissor.

Poder compartilhar idéias, atitudes e sonhos com tantos ilustres membros desta Academia é receber um presente de Deus. Neste mundo visível onde tudo é transitório, temos a rara oportunidade de experimentar a imortalidade. A Academia não existe para entesourar cultura, mas para socializá-la.

Desde o princípio esta Academia acolheu diferentes expressões culturais. Letras e Artes. Aqui temos músicos, poetas, escultores, literatos, verdadeiros mestres no uso dos seus talentos e no aprimoramento de suas destrezas. Cultura é compreender, conviver com o Outro, respeitar diversidades. Diversidade cultural é fator de coesão e não caminho de fragmentação.

Integrados aos demais Acadêmicos, desejamos contribuir para manter viva a tradição santarena nas letras e nas artes. Apresentamo-nos com esperanças e sonhos. Por isso mesmo, cheios de dúvidas. As certezas matam os sonhos. Porque não nos deixam aceitar a vida como uma grande aventura a ser vivida. Quem se julga sábio, justo e correto, com respostas para todas as perguntas, jamais irá desfrutar a alegria da descoberta, e admirar o encanto da metamorfose.

Machado de Assis, no Quincas Borba, disse que a vida não é completamente boa, nem completamente má. Isto também se aplica às pessoas. Pois somos incompletos, dependemos uns dos outros, para nascer, para crescer, para viver e continuar …

Estamos trazendo, para esta convivência, as nossas raízes tapajônicas. Chegamos para somar. Esperamos ter a capacidade de saber combinar a luz que se vê nos olhos de um sábio ancião, com a chama que arde no olhar curioso de uma criança.

Por fim, quero destacar mais uma vez a honra em participarmos desta Academia, a acolhida que tivemos de todos os seus integrantes, e a alegria de podermos celebrar este acontecimento em meio a tantos amigos, tanto dos que aqui se fazem presentes, no plano físico, quanto aqueles que estão conosco em espírito, pelas lembranças e pelas vibrações positivas. Agradecemos também ao trabalho de organização realizado pela diretoria, na pessoa do Presidente Ednaldo Rodrigues. Que Deus nos ilumine, para que possamos dignificar nossa presença na Academia de Letras e Artes de Santarém.


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13 Responses to Os novos imortais

  • Sim, por alguns dessa posse pergunto: quando será a posse da Maria, do Antônio, do sandro, do Pixica, do Everaldinho, do Maia et.. e et…?

    1. Prezado JRC
      No discurso, nota-se que uma das condições para o ingresso, é a inscrição. Portanto, cabe ao interessado fazer esta parte, e submeter seu nome para apreciaçã. A Academia está com uma cadeira vaga e cm certeza em breve será lançado novo Edital de Vacância. Sem dúvida o Edvaldo Campo (Pangaré) possui qualificação suficiente para integrar a ALAS. Mas ele, assim como qualquer outro) precisa manifestar interesse em participar, inscrevendo-se segundo as regras.

      1. Fica difícil…
        Conhecendo como o conheço, não fará nenhuma inscrição sem um convite, mesmo que seja informal, assim como muitos que merecem e ficarão de fora por timidez ou acanhamento.

  • Na próxima vaga, espero ver o Moacir (violonista), também incluido. Viva e parabens aos demais.

    Jeso, por favor, poderias aproveitar essa reportagem para publicar a lista de todos os integrantes da ALAS? assim atualizamos a memória.

    Agradeço,
    Telma

    1. Telma, pelo que sei o Moacir já é imortal. A lista dos atuais 39 integrantes (existe a vaga do professor Antonio Pereira a ser preenchida) está na revista que o Anselmo ajudou a produzir. Acho que o próprio Anselmo pode repassar esses dados ao Jeso para serem divulgados por aqui.

  • Meus respeitos aos novos imortais da Academia de Letras e Artes de Santarém. E a todos os outros integrantes. E que eles tenham sempre em mente que a vida é efêmera.

  • Parabéns Doutor Anselmo, VOCÊ realmente merece. Tem atributos a altura que poderia até ter sido indicado sozinho nessa nova posse.

  • Bonito discurso, caro primo Anselmo.
    Emociona até mesmo a quem não pode estar presente, como no meu caso.
    Parabéns também pela Revista. Acabei de a ler. Demorou sete anos para sair, mas esperamos que ela tenha uma vida longa e que cada vez mais enriqueça o conhecimento e a divulgação das Letras e Artes em Santarém.
    Dia 23 de março começaremos mais uma lida. Desta vez com o Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós. Com certeza mais uma entidade para promover o engrandecimento da nossa Amazônia, tão rica não somente em sua natureza exuberante, de sua flora e fauna, mas também na cultura do seu povo.
    Parabéns e que Deus nos ajude a caminhar sempre em rumo a novos horizontes…

  • Parabéns aos novos imortais, em especial ao amigo Anselmo Colares, que fez da dor da perda o esteio de sua coragem em deixar imprimida a emoção nas palavras e nos gestos de cada dia.

    Estaremos juntos em outras frentes, como o Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, onde a mesma chama se acenderá em futuro breve!

    Tenham a certeza que cada um dos novos imortais – amigos meus de longas datas – têm contribuído com um pouco de si para nos ajudar a construir uma Amazônia melhor!

    Ave, Anselmo Colares, Djalma Pereira e Oti Santos!

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