Poesia. Singularíssima pessoa

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Budismo Moderno

Tome, Dr., esta tesoura e… corte

Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contrato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

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augusto-dos-anjosDe Augusto dos Anjos, poeta brasileiro.

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One Response to Poesia. Singularíssima pessoa

  • A amplitude transcendental exala desespero moral em sua poesia. Grande nome da nossa literatura.

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