Soneto de aniversário
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece….
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
— ARTIGOS RELACIONADOS
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
De Vinícius de Moraes, poeta brasileiro nascido no Rio de Janeiro.
Leia também:
Mundo Pequeno, de Manoel de Barros.
O violino, Micheliny Verunschk.
O Amor e o Outro, de Afonso Romano Sant’Anna.
Sinal de baton, de Alice Ruiz.
Difícil ser Funcionário, de João Cabral de Melo Neto.
Ninguém me encanta como você, Alice Ruiz.
A Pantera, Rainer Maria Rilke.
Devora, Nei Leandro de Castro.
Os Intermediários, de Mário Quintana.
Deixe um comentário