Prova infalível
Quando eu soltar meu último suspiro;
quando o meu corpo se tornar gelado,
e o meu olhar se apresentar vidrado,
e quiserdes saber se inda respiro,
eis o melhor processo que eu sugiro:
— Não coloqueis o espelho decantado
em frente ao meu nariz, mesmo encostado,
porque não falha a prova que eu prefiro:
— Fazei assim: — Por cima do meu peito.
do lado esquerdo, colocai a mão.
e procedei, seguros, deste jeito:
— Gritai “MARIA!” ao pé do meu ouvido,
e se não palpitar meu coração,
então é certo que eu terei morrido!
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Do padre Manuel Albuquerque, poeta amazônico nascido no Amazonas (Manaus), em 1906.
Lindíssimo!!! ” Prova infalível” de que a sensibilidade destes versos resistem ao tempo e continuarão tocando muitos corações.
Pe Manuel Albuquerque, Jeso, que muito contribuiu com a educação em Santarém, famoso pelos seus sermões, tio da Maria Amélia Albuquerque Sirotheau (Amelinha), esposa do “Bazinho”, era meu padrinho, o que me causa imenso orgulho.
jeso, ainda estou enebriado com esse poema, apesar da minha condição….
ps. tem dias que tu pega pesado com os poemas que aqui publica, ate mesmo os que não são amantes da boa poesia, não tem como não quedar-se a beleza dos versos aqui colocados, tu devias pelo menos, colocar um poema desses por dia….
Lindo mesmo!!!! Muito bom esse cantinho para a poesia Jeso!!!
Um abraço!
Caramba Jeso, que poema lindo!!! Parabéns… Abçs
INDUBIUM SIGNUM ( Em latim )
(Trad. de Aires de Montalbo)
Supremum diem mihi cum sit obeundum,
Dum corpus undis remeatur Lethis,
Oculis tandem tenebris repletis,
Si mortuum me, an tantum moribundum,
Scire pro certo denique voletis,
Ne speculum addatur acie mundum
Ori viacto, quo referat profundum
Ac ultimum spiramen… Sic agetis:
Ponite manum super latus laevum,
Ubi latitat cor – ah! – cor primaevum,
Et hic et nunc indubium signum adest:
Conclamate “MARIA!…” Sonu misso,
Tacito corde in pectoris abysso,
Mortem probate: – “CONSUMMATUM EST’