Poetas amazônicos – Infância

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Que infância! Que inverno!

Inexiste segredo
em olhos infantis.
Tudo neles se lê.
Expressávamos o lúdico.
Tudo era lúdico,
naquelas chuvas,
naqueles temporais
nos olhos de pirralhos
inocentes como eu.
A sarjeta era rio revolto
levando nossos barquinhos
aos redemoinhentos bueiros.
calhas, biqueiras,
que abundantes cachoeiras!
Mais que chuvas
enxaguavam nossas cabeças.
Sorriamos água.
Nossos corpos tremiam
imitando as mangueiras.
Relâmpagos, trovões, ralhos.
Coreografavam nossas festas.
Que festivais de inverno!
Nossa infância construiu
imorredouro ninho nesta rua.
Como tartarugas
eternamente voltaremos aqui,
ora como peixes,
outra como pássaros,
sempre rompidos dos ovos.
Harry Potter nos invejaria.
Que infância! Que Inverno!

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De Edwaldo Pangaré Campos, poeta amazônico nascido em Alenquer e residente em Santarém.

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