Pequeno depoimento sobre o senhor Helmuth
Sozinho e irreconhecível
Senhor Helmuth era passado
Enigmático passado.
Quem o via debruçado
à janela da avenida principal
nunca o imaginaria encontrar-se
em algum calmo bosque de Berlim.
Senhor Helmuth recorcando voava
E acostumou-se a voar
que materialmente cedo deixou de existir.
Olhava cego a todos
Expressando com o silêncio
Palavras ensurdecedoras
Lembro-me um dia
ter ouvido sua voz.
Era vaga, distante, dizia-me
– Vá, vá, deixe-me em paz, garoto!
É, senhor Helmuth
gostava de sonhar e estar só
Era passado, somente passado
enigmático passado
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Ele na verdade há muito se foi
E se foi debruçado à janela
Da avenida principal. Rindo.
Braços contritos ao peito
em manhã chuvosa de abril.
Adeus, senhor Helmuth!
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De Edwaldo Pangaré Campos, advogado e poeta amazônico nascido em Alenquer e radicado em Santarém.
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