Mestre em Informática mostra como o internauta pode evitar boatos (hoax) nas redes sociais

Boatos na Internet: consequências e como evitar, hoax

por Clayton Santos (*)

Lendas, boatos, fofocas e histórias sempre existiram, fazendo parte de uma cultura popular. Entretanto, antigamente tais histórias circulavam de maneira mais lenta, por meio do “boca-a-boca”, ligações telefônicas e cartas, demorando muito para atingir um número elevado de pessoas.

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Atualmente, devido às facilidades de comunicação proporcionadas pela popularização do acesso à Internet e massificação dos smartphones, os boatos alcançam milhares de pessoas em questão de minutos.

Os boatos eletrônicos, conhecidos como hoax, possuem o objetivo de iludir ou alarmar pessoas que o leem e, incentivar sua rápida divulgação para o maior número de pessoas possíveis.

Entretanto, o grande problema dos boatos eletrônicos está relacionado às lendas urbanas e correntes.

As lendas urbanas possuem o caráter sensacionalista e apelativo, utilizando a exploração emocional por meio da comoção, onde muitas das vezes, a maioria das pessoas que a recebem não verificam a veracidade e acabam por enviar para amigos através das redes sociais (Facebook, Twitter, Google +) e mensageiros instantâneos (WhatsApp), iniciando assim uma corrente.

Boatos podem levar a morte.

Um dos casos mais graves de boatos trata do espancamento de Fabiane Maria de Jesus (casada e mãe de duas crianças), no litoral paulista, em maio de 2014. Uma página da rede Facebook que divulgava notícias de Guarujá publicou como verdade um boato sobre uma mulher que circulava pela cidade roubando crianças para rituais de magia negra.

A página estampou um retrato falado. Fabiane ao oferecer uma fruta a um menino de rua foi apontada como a criminosa. O gesto aliado ao retrato falado fez com que uma multidão espancasse a mesma que veio a falecer dias depois.

Nos últimos dias foi possível verificar milhares de pessoas compartilhando um certo boato dizendo: “Eu não autorizo o Facebook a tirar minha privacidade”. O Facebook sempre mantém alertas aos seus usuários sobre dicas de privacidade. Agora no mês de março, iniciaram os testes nos Estados Unidos para conter boatos na rede social.

São diversos os transtornos causados pelos boatos. A revista Infowester indica algumas das consequências dos boatos:

• Os boatos causam ofensas, denigrem pessoas e, causam constrangimento ou comprometem a reputação de alguém;
• Causam problemas a empresas e organizações que, além de reputação comprometida, poderão ter trabalho extra para desmentir ou amenizar a situação;

Boatos na Internet: consequências e como evitar, boataria

• Quem divulga o boato, mesmo não sendo o autor da mensagem, pode ter sua imagem prejudicada por espalhar informação inconsistente, o que é especialmente ruim no ambiente corporativo (empresas utilizam informações do perfil para contratação) e além disso responder processo por calúnia e difamação;
• A mensagem pode transmitir orientações prejudiciais, como procedimentos incorretos em situações de emergência ou dicas de saúde sem comprovação científica;
• Induzir o usuário a baixar um arquivo perigoso (malware) ou convencê-lo a informar dados que, na verdade, poderão ser utilizados para ações maliciosas, como uma falsa petição on-line que pede informações confidenciais ou uma falsa imagem/vídeo contendo url maliciosa;
• Boatos podem sobrecarregar serviços de e-mail(negação de serviço) ou gerar incômodos em redes sociais por causa da frequência com a qual são divulgadas;
• Causam comoção desnecessária, assim como geram mobilização para situações irreais ou já superadas.

Diante das consequências, o que fazer para evitar boatos? Seguem algumas dicas:
1. Leia antes de repassar: É inadmissível que um cidadão, em pleno século XXI, com alto grau de instrução e com a Internet ao seu alcance, compartilhe boatos.
2. Analise o formato da mensagem: boatos possuem tons alarmantes, erros de gramática e pedido de repasse urgente.
3. Vai no Google: Consulte a informação em um buscador. Consulte o site oficial da empresa, órgão ou algo relacionado a pessoa citada.
4. Consulte um site especializado em boatos: Boatos.org, E-farsas, Fatos & Boatos e Verdades e Boatos.

Recomenda-se então que antes de compartilhar qualquer informação, que seja verificada sua autenticidade. Vale ressaltar que alguns conteúdos são criados para conquistar seguidores e acessos, pois assim o detentor da página consegue monetizar o site através de anúncios. Não confie cegamente em tudo que está publicado em blogs, sites, redes sociais ou porque o amigo compartilhou no WhatsApp.

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* É professor universitário do Ceuls/Ulbra, em Santarém. É mestre em Informática pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Escreve sobre tecnologia neste blog.

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2 Comentários em: Boatos na Internet: consequências e como evitar

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  • Joilton disse:

    Muito bom! É triste ver tanta gente compartilhando informações sem sequer verificar a veracidade delas! Parabéns pela matéria!

  • Marcos Paulo disse:

    Muito bom, professor! É uma pena que a grande massa das mídias sociais não tem o costume de ler sobre o que está compartilhando.