O Pará é a terceira unidade federativa, empatado com o Piauí, que mais tem candidatos ao Senado: 18. São Paulo e o minúsculo Distrito Federal são co-campões, com duas dezenas cada.
Eleição senatorial é um capítulo à parte, ainda mais quando é para duas vagas: um cargo majoritário, como governador e presidente, mas – tal qual eleição para prefeito em municípios com menos de 200 mil eleitores – não oferece chance de segundo turno.

A possibilidade de votar em dois nomes cria alegorias como “primeiro senador” e “segundo senador”, dobradinhas de toda sorte e até gera confusão na cabeça do eleitor.
As Ciências Econômicas pregam que quanto mais liquidez há na economia, mais fácil fica vender ativos e o custo do capital (dinheiro) cai.
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Transportando para a política, quando o eleitor tem dois votos para o mesmo cargo fica mais fácil de o político ganhar um deles e a importância unitária do voto cai.
Rejeição também é um fator pesado, porque, independente de quantos votos o eleitor puder dar, não votará em quem ele rejeita. E não conseguir algo de pouco valor é mais grave que não conseguir algo de muito valor.
Há que se pensar, então, que o número de votos válidos para senador nesses casos será o dobro do número de votos válidos para governador ou presidente, por exemplo. Mas não.
No Pará, em 2010, foram cerca de 1,77 voto válido para senador para cada voto válido para governador. Nacionalmente a média é de 1,7. Para cada 10 votos a governador é normal aparecerem 17 para senador. São mais ou menos sete votando em dois candidatos e três votando em apenas um e anulando o outro.
É como uma escala percentual que vai até 170 na qual cada candidato só pode chegar ao teto de 100.
Quando “comprimimos” 100 em uma escala de 0 a 170, chegamos à faixa de 58: no caso, 58%.
Em outras palavras, se todos os eleitores que votam válido votarem em um candidato, ele terá uns 58%. Neste caso eleitorado é uma coisa e votação é outra.
Para ser eleito senador há basicamente dois fatores fundamentais: o primeiro é, em geral, a baixa rejeição, e o segundo e principal (às vezes crucial) é ser o candidato favorito de uma coligação forte ao governo do estado.
É normal que políticos de pouca fama e até mesmo semi- anônimos atinjam uma vitória ao Senado por esses motivos.
Quando a eleição senatorial é apenas uma vaga – caso de 2014, 2006 e cada octênio para trás – o convencional é cada coligação a governador lançando apenas um candidato à câmara alta. Mesmo porque seria uma incongruência pedir voto para dois candidatos onde apenas um pode ganhar.
Por sinal, isso é apontado como um dos principais fatores da vitória de Paulo Rocha em 2014: a coligação do Helder manteve-se unida em torno de Paulo e teve uma perda bem pequena entre a votação de um para o outro; enquanto o amálgama tucano teve mais votos que Jatene, inclusive coletando mais de 50% dos votos válidos, todavia rachados entre cinco campanhas.
Em 2018, há 5 candidaturas a governador e cada uma delas apresenta um candidato principal a senador: uma (PSTU) não apresenta nome para o segundo voto; duas (PT e PSOL) apresentam uma dobradinha cada e finalmente as duas maiores (segundo as pesquisas, MDB e DEM) apresentam meia dúzia de homens cada.
Há ainda um candidato a senador (PV) sem vínculo formal com qualquer candidato ao governo.
Porém, há “hierarquias” distintas de candidatos: além do principal candidato, é possível citarmos duas ramificações: quando a coligação mantém-se una em torno do “segundo nome”, lançando uma dobradinha, e quando o bloco divide-se, lançando três ou mais.
Uma frente lança dois geralmente para manter a coerência no discurso, pois eleger ambos é bem raro, ou ainda como “candidato-esponja”: para tentar conter o máximo possível de segundos-votos que poderiam ser dados a adversários do principal.
Cada coligação formal para senador só pode lançar dois candidatos. Quando o bloco cinde-se, é legalmente necessário que aqueles partidos da coligação para governador apresentem coligações menores para senador, sem interseções, ou isolados.
Há ainda a possibilidade de a coligação a governador ter tentado consolidar uma dobradinha, mas outros candidatos surgirem, “correndo por fora”.
A coligação “O Pará daqui pra frente”, liderada pelo MDB, extrapolou a lei ao lançar seis senatoriáveis.
O TRE já indeferiu dois deles, que contornaram legalmente lançando-se de maneira isolada por seus partidos (PR e PP).
No momento em que escrevo este texto, a coligação aludida segue com quatro candidatos, além de não haver removido PR e PP, e pode sofrer mais sanções judiciais.
Pela lógica, quando um bloco racha, o normal é cada candidato, excluindo o principal, fazer campanha apresentando ao eleitor uma sugestão de voto dupla na qual consta o seu nome casado com o candidato principal.
Legendas adotam a prática para lançar candidaturas com chances reais, simbólicas ou em caráter de protesto. É como o paraense torcendo para dois times: geralmente será um do Rio ou de São Paulo e outro do Pará.
Depois de traçarmos a posição do candidato dentro de sua coligação ao governo, é hora de avaliar a posição dessa coligação ao governo no cenário geral: é forte, fraca, está no poder, na oposição, como está o cenário?
Tudo isso influenciará. Se fosse possível adentrar na cabeça de um candidato a senador, ele provavelmente desejaria que os eleitores dessem o primeiro voto para ele e anulassem o segundo.
Dos dezoito candidatos no Pará, as pesquisas apontam que há dois favoritos e, próximo deles, um verdadeiro “escanteio” de 5 pessoas tentando “furar” a segunda vaga. Aparentemente os outros onze estão na geral vendo o jogo.
Em 2010, PT e PSDB, na esperança concorrente de receber o apoio do PMDB para o segundo turno na eleição para governador, lançaram apenas um candidato a senador cada: justamente para permitir que o pleiteante peemedebista “corresse solto” no segundo voto dentre os eleitores cujo primeiro foi vermelho ou amarelo.
Na apuração de 2010 no Brasil todo, o primeiro e o segundo eleito tiveram os seguintes percentuais: a coluna de equivalência está tentando descobrir quantos por cento do “eleitorado válido” (votos válidos para governador) o candidato atingiu, considerando um valor fechado de 1,7:
É possível observar que, das 27 unidades federativas, em apenas seis casos o segundo senador foi eleito com menos de 40% do “eleitorado válido”; em outros nove obteve entre 40% e 50%; em dez casos obteve entre 50% e 60% e em apenas dois casos auferiu mais de 60%.
O elemento médio (mediano) obteve 49,1% e a média não-ponderada foi de 48,1%. Na minha sincera opinião: quem quiser ser eleito senador pelo Pará neste ano não pode pensar em conquistar menos que 40% do público disposto a votar válido, número já considerado baixo, em virtude do espraiamento do cenário.
Esses números acabam sendo parecidos com o do primeiro eleito de quando há somente uma vaga.
O nosso Senado é uma imitação, não de Roma, mas sim dos Estados Unidos. E tem um toque bem brasileiro: três membros por unidade, enquanto aquele país tem dois.
No nascimento dos EUA como nação, a implantação de uma casa com igualitariamente dois representantes eleitos por ex-colônias com distorções de população, território e riqueza foi um casuísmo para atender as politicamente mais fracas.
O terceiro senador brasileiro também: criado pela ditadura, através Pacote de Abril de 1977, era biônico. Com o fim da ditadura a sua imagem não caiu: mas sim foi resignificada.
Os grandes partidos trabalham com metas nacionais de eleger “x” senadores e alocam recursos com tal finalidade.
É possível que nesta eleição, onde dois-terços das cadeiras estão em disputa, o volume de recursos não chegue a ser o dobro de quando apenas um-terço está.
Os dados estão lançados.
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Alan Lemos Riker é petroleiro e “espectador da política”.
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parabens, excelente analise politica